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sábado, agosto 27, 2016

O Rafael orgulhoso do seu irmão


Tenho tido alguma preocupação para desmistificar a diferença do JP e que o Rafa a aceite como normal da
nossa vida.  
E que entenda que a diferença faz parte do  mundo. Do nosso e não só.

Temos um parque infantil perto de casa onde o JP anda à vontade na sua cadeira eléctrica e onde o Rafa desfruta ao máximo como qualquer criança o faz. Divertem-se os 2 mesmo a valer.




Como o mano leva a cadeira eléctrica, ele gosta de levar a sua bicicleta para manter o ritmo.


Ontem, 2 meninos observavam o JP e comentavam um com o outro em jeito de cochicho (perto do Rafael, provavelmente sem se aperceber que era irmão). " Anda numa cadeira de rodas".

O Rafael veio todo empertigado mas orgulhoso junto deles e disse: " Anda numa cadeira de rodas ELÉCTRICA !!!" (leia-se que para o Rafa ter uma cadeira eléctrica é algo muito fixe !)

E assim temos o nosso advogado pequenino de 4 anos do mano grande.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Mentalidadezinhas I

O JP tem ido todos os dias sem excepção à escolinha. As condições são precárias. Continuam sem auxiliares. 
Curiosamente este é o único agrupamento do concelho nesta situação (agrupamento de escolas Dr António Augusto Louro). Recorre sistematicamente a funcionárias mandadas pelo centro de emprego (por isso precárias e não formadas), para colocar como pessoal auxiliar nas unidades de multideficiência e acompanhamento de meninos como o JP  e manda as efectivas fazer limpezas e trabalhos menos qualificados. Têm todas as 3 unidades fechadas nesta altura.  Os meninos estão em casa. Não vão à escola e os pais não podem ir trabalhar. Isto é pura exclusão, discriminação. Uma vergonha !!! Questiono fortemente a política de inclusão deste agrupamento de escolas e nesse sentido juntei-me com outros encarregados de educação para dar início a um processo para resolução desta situação. Todos os pais concordam. A maioria deslocou-se para vir assinar papeis e conversar.
Alguns (poucos felizmente), não mexem uma palha, não arranjam um minuto para assinar um papel,  não perguntam, não chateiam ninguém mas dizem "Espero que consigam...precisamos mesmo".
Exacto. É isso. Obrigado e deixem-se continuar sentadinhos no sofá. Haverá sempre alguém que vos virá tratar dos assuntos enquanto vocês aplaudem cómodos, serenos e agradecidos...

quinta-feira, janeiro 05, 2012

24 passas !

Pela primeira e possivelmente única vez na vida, comi 24 passas pela meia-noite. 
Comi 12 por mim e mais 12 pelo pecarrucho que ainda habita aqui no T0.  
Desejei tantas, e tantas coisas boas !!! Não fui modesta.

2011 trouxe algumas surpresas e momentos mágicos. Recordo com carinho o dia em que eu e o papá grilinho comemorámos 20 anos juntos e eu lhe contei que seria papá novamente. 
Ainda hoje ele "receia" entrar naquele restaurante e haja mais novidades bombásticas do género   :)
Eu acredito que 2012 vai ainda ser muito melhor em todos os aspectos. 

Tenho andado terrivelmente emocional. Tudo me emociona e faz chorar.
Muitas vezes nem sei se choro de alegria se de tristeza.

Por estes dias descobri que o JP é ainda mais especial do que alguma vez julguei. O rapaz continua a fixar matrículas e agora (tantos meses depois) entendi que recorda matrículas que viu há meses atrás, ou que viu por apenas alguns segundos.  Não foi fácil aperceber-me e quando percebi quase fiquei chocada. Senti que é algo mais que não parece normal (a tal normalidade que ansiamos em tudo)
Memória (para isso) não lhe falta. Deixa a maioria das pessoas estupefacta.
Faz essa brincadeira a toda a hora. Ele quer mesmo memorizar, memorizar...
Passa o dia a dizer-me que matrículas viu pelo caminho. E ri-se porque já esquecemos...

Dei por mim no outro dia a tentar perceber esta necessidade. Não cheguei a nenhuma conclusão. 
Na minha pesquisa vi imensas coisas diferentes. Coisas boas, coisas más...
A minha opinião é que tem uma memória prodigiosa para o que lhe desperta interesse e quer/precisa fazer uso dela.

O JP é um miúdo com muita auto-estima. É um miúdo carinhoso.  Mas também se julga um reizinho.
Já não é o meu bebé...é o meu menino.
Em breve vai deixar de ser o único.

E acho que ele está desejoso...

terça-feira, dezembro 13, 2011

Cada vez falta menos...

Assim voa o tempo e já falta tão pouco.
Estamos nas 32 semanas. O meu menino pecarrucho se nascer agora já tem óptimas hipóteses de sobrevivência. Mas queremos que desfrute ainda mais da barriguinha da mãe e venha só em 2012. 
Desta vez atingi mais cedo o ponto de desconforto. Não há grandes queixas. Nem azia, nem males maiores, mas por outro lado existe cansaço, sensação constante de peso no baixo ventre e muita falta de agilidade.
Inevitável comparar com a gravidez do JP, que trabalhei até ao último dia e só me comecei a sentir verdadeiramente desconfortável a partir das 35 ou 36 semanas. 
O JP está agora como adora. À sexta feira fica logo na casinha da avó. É acompanhado pela madrinha às sessões de hipoterapia e passa o resto da manhã a passear com ela. O objectivo é que eu descanse um pouco mais. 
Mas tem sido difícil ter um sono em condições. O pimpolho passa as noites a mexer-se, a acordar-me e a pedir-me que faça lanches nocturnos, quando durante o dia nem consigo comer muito.
Está grande, pesado e assim me sinto eu: volumosa. 
O pai diz que estou na mesma (que é só barriga) e linda. O JP diz que a barriga está a crescer (com um grande sorriso na cara).  Benditos os meus homens que me mimam tanto :)

Se eu sinto uma grande vontade de conhecer o meu R. por outro lado penso muitas vezes que vai ser um estranho mundo novo. A compatibilização de todas as rotinas, o encaixar de mais algumas, o conhecer um novo ser...e o repartir do amor por dois filhos.
Sei que acabarei por estar à altura, mas não escondo que sinto alguns receios deste novo mundo que aí vem. Não por achar que vai correr mal. Só mesmo, por ser desconhecido.

terça-feira, novembro 29, 2011

Os desgostos do JP (que me partem o coração)

Tem sido uma gravidez sem desconfortos de maior. Mas tal como na gravidez do JP, sou atacada por insónias nocturnas que culminam em muito sono pela manhã. Esta manhã acordámos atrasados e enquanto nos despachávamos ouvíamos as notícias. E a primeira notícia que ouvimos é que dia 1 de Dezembro será um dos possíveis feriados a ser extintos em breve.
Como reacção do JP tive um choro sentido e violento. Partiu-me o coração vê-lo assim triste.

É que ele faz aninhos neste dia...e gosta muito que seja feriado.
Ao mesmo tempo que o consolava, e que lhe dizia que o papá e a mamã vão sempre tentar pôr férias nesse dia, pensava que é tão bom que sejam estes os seus grandes desgostos e problemas.
Gostava que fosse assim toda a vida.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Irmão-galinha

É incrível como o JP anseia envolver-se em tudo relacionado com a gravidez do mano. Ele pergunta e sabe sempre quando são as ecografias, as consultas, gosta de os ver videos das ecos do mano e filmes que explicam a evolução dos bebés. Fala tempos a fio para a barriga, dá festinhas e beijinhos. Quando vamos a algum lado quer sempre comprar alguma coisa para ele. Pergunta muitas vezes se estou bem, se o mano está bem...e também receia.
Escreve que tem medo de "perder" o irmão e preocupa-se porque é que ele ainda não está cá fora. Está loucamente ansioso pelo nascimento e custa-lhe muito esperar. Faz beicinho, já o quer para o Natal e também já lhe expliquei que é cedo demais. Se esperarmos mais um mês, vem com o tempo todo e será muito melhor para ele.
Por mais justificações que eu arranje para lhe dizer que ainda é não é a hora, a única que o convence, é quando explico que a barriga da mãe ainda vai ficar maior do que o que está.  Vai ficar - GIGANTE !
Aí, ele fica mesmo entusiasmado.

Ontem tive consulta, estava tudo bem. Análises fantásticas,  aumento de peso em cima da curva ideal (7 kgs a mais até agora) e tudo o resto. Em nada se reflecte a "avançada idade materna" e a única novidade foi o início da toma de magnésio por ter algumas contracções ligeiras.
Ele ficou feliz quando lhe contei que o mano está grande, forte e saudável.

Escreve-lhe cartas em Word, a dizer que gosta dele, decora-as e guarda no computador. 
É com tanta ternura que assisto a esta sua felicidade.  Há poucas coisas tão doces na vida.

domingo, novembro 13, 2011

Exteriorização

Se fizer um balanço na minha vida, foi nos momentos de maior exteriorização que me senti melhor...
Por isso, nada adianta guardar os problemas para mim.  A não ser que me apeteça valoriza-los.

Fenómenos

Recordo com saudades os tempos de 2006, quando este blogue foi iniciado. 

Aqui fiz boas e grandes amizades. Amizades que ainda perduram. No tempo que ninguém andava pelo facebook, os blogues eram o nosso contacto.
Desta forma, tirei muitas dúvidas e percebi que muitas coisas da maternidade que sentia e vivenciava eram normais. Porque a maternidade é uma experiência arrebatadora e perturbadora. Nova e capaz de gerar muitas inseguranças.
Sei que este blogue é completamente diferente de um babyblogue tradicional.  
Mas a base dele sempre foi a mesma de todos os outros. Falar do meu filho que tinha 16 meses e que eu amava mais que tudo. Registar. 
À parte, fazia e faço muitas reflexões. Porque escrever ajuda a organizar o pensamento e também porque conheci nessa altura uma sociedade e uma situação não controlável, que não sabia que existia. E precisava de exteriorizar novas experiências.
E da mesma forma, se tinha alguma "discriminação", porque a situação que vivíamos "horrorizava" muitas pessoas, muita gente fantástica continuou a seguir-nos até aos dias de hoje.
Depois veio o Facebook, onde continuava a manter um relacionamento, muito mais superficial, com todas essas pessoas. 
Muitas pessoas deixaram de escrever nos seus blogues. E senti saudades. 
Mas foi no facebook que nasceu uma nova onda de ressuscitação dos velhos blogues. Estou ansiosa por saber o que se vai passar.
Por aqui, de babyblogue, evoluímos para child-blog.
Mas 2011, próspero em surpresas, transformou este espacinho novamente em babyblogue. Vem a caminho mais um grilinho. E também merece tudo registadinho e celebrado.


segunda-feira, outubro 31, 2011

Paz

É o estado de espirito que mais cultivo por estes dias. 
O R. agradece. 
Tento mandar toda e qualquer ansiedade para longe de mim. Não só porque estou em estado de graça, mas porque é o melhor para a minha saúde e ânimo.

Na escola, o JP está encaminhado. Já tem manuais escolares acessíveis. Só a Porto editora não mandou. 
Teria sido mais fácil ter mandado. Assim, resta à mamã Grilinha ter o trabalho monumental de construir novo manual de Português para ser acessível através do computador. Mas nada há-de faltar ao meu menino.
As condições na escola são as minimamente pretendidas. Não tem acompanhamento para as actividades de enriquecimento curricular mas na verdade, este ano ainda fica muito estoirado após o almoço e por isso não vou insistir para que fique  para estas actividades que começam pelas 15.30 h.
De resto, o JP tem sido apoiado e acarinhado. 
Apesar de não o demonstrar tanto na escola, tem aprendido imenso. Constrói frases muito mais complexas, Gosta de escolher sempre as do seu interesse. As palavras que não lhe despertam interesse tem muito maior dificuldade em fixá-las.

Nas terapias corre tudo normal. Trabalha com afinco.
Não tenho experimentado novas actividades nem "terapias", mas estou sempre atenta. Não desisti de lutar por melhor qualidade de vida do JP. Fico atenta e expectante ao que por aí existe. 
Mas sem tantas esperanças como antes. 
Se estou a entrar na fase de aceitação? É provável. Mas isso não significa que desistimos. Lutamos todos os dias com o que temos ao nosso alcance para uma melhor qualidade de vida. 

Desânimo apenas a nível profissional. Não prevejo futuro neste país na próxima década. 
Eu gostava muito do que fazia. 

E sinto que me tiraram o tapete debaixo dos pés. Sinto muito potencial e vontade de abraçar novos projectos, mas nada me parece tão promissor assim, nesta conjectura. Resta-me tentar ter alguma calma e esperar algum tempo mais para depois avançar com toda a garra. Mas não é fácil ter essa sabedoria...e conseguir ficar tranquila. No entanto acredito que nada acabou por aqui. 

De qualquer forma, esperar é o que me resta. Ficar Zen, aproveitar a gravidez. Desejar todos os dias com muita força que o R. venha com calma e com saúde . O mano está em pulgas para o conhecer. Dá infinitos beijinhos na minha barriga e sinto-me feliz. 
A felicidade é um conjunto de pequenos momentos bons. E depende muito de sabermos valorizar e agradecer o que temos. E eu agradeço muito a minha família que tem sido a base da minha força. 
Agradeço o menino alegre que Deus me deu. Agradeço o maridão que tem estado sempre ao meu lado. Agradeço que a gravidez esteja a correr bem, apesar da idade e de tantos esforços inevitáveis que tenho de fazer...
E agradeço pelo bebé que aí vem, que vai com certeza ser muito amado por todos.
Uma amiga aqui do blogue disse: " a vida não parou para chorar connosco e por isso ela segue em frente". 
É mesmo, minha querida.
A vida continua.

segunda-feira, outubro 24, 2011

38 anos muito ricos

Como o tempo passa rápido ! Hoje, 38 !!!
Não foi há muito tempo que eu olhava para gente nos finais dos 30 e princípios dos 40´s como se tivesse longe, longe...e afinal também cá cheguei. Num instante.
Mas nada disso interessa. ESTOU CÁ e estou mesmo feliz de cá estar. 
A vida é um mistério e um bem precioso.
Foi ainda há 2 anos, estava com 35 anos e  tive o maior susto e uma das piores notícias da minha vida.
Seguiu-se a cirurgia, tempos de recuperação, mais complicações e surpresas, grandes mudanças na minha vida.
E numa altura que deveria abençoar cada dia passado junto a quem eu amava, só me apetecia ir embora, desaparecer e deixar tudo para trás.  Só o meu filhote e o papá-grilinho me prendiam cá. 
De resto sentia-me inútil e revoltada por tudo o que me tinha acontecido.
Andei triste como nunca tinha estado. Uma tristeza sem fim e sem justificação, pois o mal que me tinha abalado, parecia ter ficado resolvido, muito embora fizesse controlos constantes. Devia enaltecer a vida e afinal nem sequer lhe dava o devido valor.

O tempo passou, demorou bem um ano (ou mais), mas curei-me da tristeza. 
Hoje estou aqui. Faço hoje 38 anos e estou com confiança no futuro. 
Não estamos em altura de "abundância". Passamos por uma fase difícil do nosso país. 
Mas é mais uma fase. Temos de reagir e ultrapassa-la. 
Porque o que vem a seguir, normalmente tem um gosto ainda melhor. 
E fico contente de conseguir ver as coisas assim.
Let´s celebrate !!!


sexta-feira, outubro 21, 2011

Reflexões (quase) 7 anos depois

As oficinas que estou a frequentar do Pais-em-rede "obrigam-nos" a reflectir durante 15 dias sobre alguns temas que escolhemos. Nada mais posso dizer pois tudo o lá se passa é confidencial.
Na verdade estou a gostar, pois gosto bastante de reflectir e fazer esse exercício de memória relativamente aos 6 (quase 7) anos que já passaram.
Às vezes abrem a porta para que me apeteça divagar aqui sobre "temas antigos". Alguns que já deixei de falar, porque os sentimentos estão mais definidos e apaziguados.

Hoje tenho uma visão muito mais clara sobre o impacto da deficiência do meu filho na minha vida. 
Sei que tudo tem 2 gumes. Tenho-me concentrado principalmente em extrair tudo o que de positivo consigo.
Mas não é possível ignorar os sentimentos menos positivos que vieram para a minha vida. O conhecimento do sofrimento que desconhecia. O sofrimento por amor. Não sabia o que era sofrer por amar alguém e temer por ela e pelo seu futuro. 
O que a sociedade,  por vezes, me fez sentir. Sentir que não contavam comigo. 
Que as coisas não estão preparadas para o meu filho.
Dor, dor, dor. E por vezes, alguma sensação de solidão. De achar que é só comigo.
E são sentimentos que o tempo não leva. Eles permanecem e sempre aparecem ocasionalmente.

Mas tal como o jornal da noite sempre abre com notícias catastróficas, também nós, temos tendência a valorizar o negativo.
O facto é que o meu filho trouxe-me uma sabedoria, um saber aproveitar a vida e saborear cada dia, ensinou-me a ser selectiva e inteligente nas emoções (se bem que às vezes elas se descontrolam totalmente), e acredito que me tornou numa pessoa muito melhor. 
Cada vez valorizo menos o material e enalteço o espiritual. Dá jeito nos dias que correm.
Abençoo a forte relação familiar que temos, revivo os tempos antigos com saudade, delicio-me com os presentes. Sofro genuinamente muito mais pelos outros que antes, mas sinto-me feliz de ser assim. 
É uma vida repleta de emoções. Uma vida que tem um sabor diferente. Mas tem mais sabores.
E aquelas pessoas que nós conhecemos entretanto e outras que re-descobrimos, as pessoas verdadeiramente boas (nada complicadas), fazem-nos hoje companhia e fazem-nos sentir maravilhosamente.  
As outras ficaram algures pelo caminho e por mais mágoa que a situação possa deixar, ainda bem que estão longe. Tenho estado melhor agora.
Às vezes apetece-me ser mesmo mázinha quando chamam "coitadinho" ao meu filho. Coitadinhas são as pessoas que o vêm assim. Ele não é coitadinho. Tem um pai e uma mãe que o amam. É feliz. Tem comida na mesa, aprende, tem amigos,  contribui. 
Coitadinhas são as pessoas que se lhes acontecesse algo assim na vida, nunca saberiam voltar a erguer a cabeça.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Ecografia Morfológica do R.

Esta manhã acordei muito mais calma do que julguei. Mal pisei o chão, oiço o meu JP a chamar-me lá do quarto. Agora parece que espera que eu acorde, para me chamar...que simpatia, este filhote. Dei-lhe um doce beijo de bons dias.  O gato  que dorme aos seus pés, veio também cumprimentar-me. 
E logo o JP me fala de um carro de bombeiros que viu na loja, pedindo pela 35ª vez de presente. O miúdo já sabe que é a insistir que se conseguem algumas coisas. Que melga, grrr....
Pergunta-me, seguidamente pelo mano e pela ecografia. 
Disse-lhe que ia fazê-la ainda de manhã enquanto que ele estivesse na escola. E logo me subiu um calafrio pelas costas. Faltava um par de horas. E dali a um par de horas poderia estar feliz ou ...então não.
A rotina decorreu normalmente. O pequeno almoço reforçado, o banho, vestir e descer para levá-lo ao autocarro escolar. Fiz o caminho com o maridão até Lisboa, imaginando que quando formos 4 (mais o gato), vai exigir mais de mim...mas confiante que tudo se vai resolver. Vai ter de ser resolver.  
A ansiedade não chegou a vir em força. Sentia-me em paz. Mas quando chegou a hora de colocar a sonda na barriga, as lágrimas vieram em rios aos meus olhos e eu não sabia dar uma explicação a elas. Apertava a mão do papá e sabia que houvesse o que houvesse, se iria resolver.
Fomos vendo tudo. Uma hora e 15 minutos de eco morfológica. Tudo visto duas e três vezes. Tudo bem e normal. Dedos compridos, mexilhão e feitio teimoso (outro ???). 
As lágrimas ainda vinham aos olhos...mas um enorme sorriso instalou-se e não voltou a ir embora.
Pensei logo na hora em que daria as boas notícias ao JP e lhe mostraria o DVD do maninho.
Há muitas coisas do JP que gostaríamos que o R. herdasse. 
Olho para o meu filho crescido e penso que estou feliz e orgulhosa com o filho que estou a criar. Uma criança doce, preocupada com os outros, feliz, com auto-estima e com um enorme sentido de humor. Uma criança que tem de conquistar quase tudo, mas que o faz com um sorriso sempre presente...e nos dá uma força poderosa só de olhar para ele.
Não sei se voltarei a ser a mesma mãe tão disponível que fui para o JP, mas quero dar sempre o melhor de mim e também um dia ter assim orgulho do R.

domingo, setembro 25, 2011

O mano babado

Nunca vi criança desfrutar tanto da gravidez de uma mãe, como o JP. 
Toda a perda de novidade de uma segunda experiência maternal é largamente compensada pela vivência emocionada do maninho-orgulhoso-mais-velho. Para ele é tudo novidade.
Todas as manhãs, quando chego perto da cama dele, ainda ensonada,  é ele que dá os bons dias ao R. e me relembra que dentro do meu ventre está um bebé.
É ele que me pergunta e me faz uma lista do que precisamos comprar.
É ele que quer parar nas montras das lojinhas de bebés e chama a atenção para roupinhas.
É ele que quer muito que a cor do carrinho do mano seja vermelha (porque quer que ele seja benfiquista).
É ele que me diz que a barriga está a crescer, com um sorriso enorme.
É ele que à noite, descontraído nos lençois, pede para dar festinhas na barriga, para sentir os pontapés e começa a "falar" muito com o mano enquanto eu fico com lágrimas nos olhos e a pensar que não deve haver melhor experiência na vida de uma criança do que viver isto de uma forma tão consciente. 
Eu não tive, porque fui a terceira e última...mas deve ser algo mesmo único !

E quando se porta mal e lhe falo que terá de se portar melhor, para dar um bom exemplo ao bebé, fica logo em sentido, direitinho e muito responsável.

No meio disto, tenho ainda muitos medos.
Ainda vamos a metade e ainda falta um exame importante. A eco-morfológica.
Por isso lhe peço para rezar junto com a mãe para que o mano esteja bem e se aguente cá dentro com muita saúde.




terça-feira, setembro 20, 2011

As pessoas não imaginam....

nem conseguirão imaginar tudo o que trabalhámos e ainda trabalhamos com o JP.
A nível motor, principalmente, porque esse é o seu grande "calcanhar de Aquiles".

Ainda ele era bebé e eu devorei tudo o que havia de informação, comprei livros, outros mandaram-me do estrangeiro, de muitos métodos diferentes..terapias...que deram resultado, aqui ou ali, nesta ou naquela parte do globo. Experimentámos.....trabalhámos sempre. Muito.
Foram e ainda são, muitas horas de fisioterapia. Entre os 2 anos e meio e os 5  anos, o JP, trabalhava mais de 20 horas por semana intensivamente (entre T.O e Fisio). Sem contar com a piscina e a hipoterapia e as actividades estimulantes (incluindo mais fisioterapia) aqui em casa.
Ganhou com isso e nada me arrependo. Mas não chegou onde que tanto queria. Infelizmente nem perto. Mas eu estou tão tranquila quanto é possível. Pelo menos sei que fiz o que precisava fazer.  E não há grandes arrependimentos. Tento continuar a dar o meu melhor mas nem sempre a motivação é tanta como antes. 

Mas fico muito frustrada (muito, muito, muito mesmo !!!), quando,  gente que mal sabe o que fizemos estes anos todos, diz que que com mais estimulação, se calhar o JP teria chegado mais longe na parte motora.

COMO ???

Sem palavras...


quarta-feira, maio 25, 2011

De pequenino se traça o crescido

Volta e meia leio registos antigos e é incrível como tudo aquilo que o JP transmitia com a idade de 16 / 18 meses é ainda o que o caracteriza.
Teimosia. Força de vontade. Perspicácia. Boa disposição.
A única coisa que revela mais agora do que antes é a capacidade de mostrar a quem ele gosta, os seus sentimentos e de exteriorizar gostos. Também é muito mais decidido. Sabe muito bem o que quer e raramente hesita. Ao mesmo tempo tem a humildade de pedir "desculpa" se errou. E fá-lo espontaneamente.
Diz agora com frequência que tem saudades  e que adora o pai, a mãe,  ir nadar...e mostra realmente que assim é.
A mãe está há 2 semanas quase imobilizada por causa de uma lesão na rótula e ele revela estar muito preocupado ( e eu também). Para além disso, amiúde surgem alguns problemas mais e só me vêm relembrar como a vida é bela e que temos de a aproveitar mesmo com condições realmente adversas.
O puto continua por fases. Agora tem algumas pancadas e durante algum tempo só fala disso. Aniversários, bebés, etc.
Um temperamento um bocadinho obsessivo. Mas acho que é tudo da idade.
Preocupa-me ele aperceber-se de quem gosta realmente dele de uma forma tão simples e intuitiva. É que depois mostra clara preferência por essas pessoas, magoando e alimentando o fosso dos que não lhes ligam tanto.
Esta manhã veio com uma conversa estranha que queria voltar para a antiga escola dele. Já tinha mostrado que tinha saudades e já lhe tinha prometido que faríamos uma visita. Depois conversámos e juntos reflectimos como todos que estavam agora com ele também gostavam dele e como ele também gostava dessas pessoas. Ficou mais aliviado. 
Mas eu continuo com imenso receio do ano que vem. Não pelas capacidades do JP. Estou muito tranquila sobre isso, mas por todos os obstáculos que virão e que teremos de derrubar. 
Já um destes dias o JP não pôde ir a uma visita de estudo por não ter auxiliar que o acompanhasse. Não consegui arranjar quem o pudesse fazer, porque não é fácil e a tristeza dele partiu-me o coração.
Por outro lado sei que estarei aqui para o que der e vier e para incomodar quem for caso disso. 

quarta-feira, março 16, 2011

Nunca pensei

Chegar ao dia de me pôr a imaginar a ter uma vida longe daqui. Longe do meu pai  e dos meus irmãos. 
Longe da restante família.

Cada vez mais se aperta o cerco e cada vez mais se pensa em situações alternativas. 
Por mais que custe, eu sei que tenho coragem de arriscar, desde que tenha sempre comigo os meus dois homens. Com eles eu consigo tudo ! 
Não sei se acontecerá, mas já estive mais longe dessa ideia...

domingo, fevereiro 13, 2011

Intuição


Se tivesse de eleger uma capacidade para me guiar no mundo, eu escolheria a intuição.
Sempre tentei ser uma pessoa informada sobre o mundo, na minha profissão, na educação do JP e um pouco de todos os assuntos em geral. Mas tanta coisa se lê e ouve.
Muitas coisas fazem sentido e algumas contradizem-se. No meio de tanta informação eu perco-me. Nada é certo, nada faz tanto sentido assim, até porque cada situação é única. 

E às vezes é tão simples termos a certeza de que caminho escolher. Parar, respirar....olhar nos olhos....sentir....optar.
E sabe bem olhar para trás e ficar em paz com as nossas opções.

"Quando diante de ti se abrirem muitos caminhos e não souberes qual percorrer, não te metas num qualquer ao acaso: senta-te e espera. Respira com a confiante profundidade com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, sem permitir que nada te distraia: espera e continua a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. E quando ele te falar, levanta-te e vai aonde ele te levar" - Susanna Tamaro, vai aonde te leva o coração.

terça-feira, novembro 30, 2010

Há 6 anos atrás....

Estava a ter um dia muito mauzinho....
A esta precisa hora (16,30) estava a implorar por uma epidural, que só veio 4 horas mais tarde. O marido fazia companhia a ler o jornal e dando alguns palpites.
E faltavam apenas 8 horas para conhecer a carinha do meu JP. O meu recém nascido cabeludinho e de lindos olhos rasgados que parece já ter vindo a sorrir! Veio ao mundo no dia em que completava 39 semanas.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Quem foi que disse que a vida é fácil ?

Nada, nada...nunca o foi para mim.

As feridas cicatrizam e como uma criança que deu o seu primeiro trambolhão na bicicleta...fico pronta para a montar, uma e outra vez.

domingo, setembro 05, 2010

Desintoxicação de um mundo normal



É o que acontece em Cuba. Até mesmo da internet e dos mails...
Se por um lado a ânsia de voltar era grande, no dia a dia via o meu menino cada vez mais forte e senti uma vontade enorme de programar tudo para ficar mais tempo. Infelizmente era impossível, mas embora que a evolução tenha sido lenta, vemos melhoras e o tempo gasto foi dado como muito positivo. Sei que muitos esperam evoluções gritantes, mas infelizmente na paralisia cerebral tudo é lento e exigente muita paciência...
Na àrea cognitiva trabalharam a leitura e no relatório final vem referido - "impressiona".
De certa forma, tentei fazer parecer "férias" e acho que consegui. As visitas no final do dia à Piscina da clínica, a praia ao Domingo e um ritual de passeios.... Sabemos que este é o único método que funciona com o JP e é bom poder voltar a ter esperança, a ver melhoras. Pela primeira vez este ano o vejo a melhorar e agora continuamos a terapia em casa com a mãe e com os terapeutas com quem já trabalhava.
Também tivemos a boa novidade que a conceituada clínica cubana abrirá uma delegação em Portugal (não se definiu ainda o quando).
Venho com muita vontade de actualizar este cantinho, voltar a trás e registar minuciosamente cada dia lá passado, pois tenho videos e fotos deliciosos, sem necessidade de adquirir cartões pré-pagos para aceder a uma net super-lenta.
O meu menino fez uma namorada ( Naydelin da Venezuela) e todas as noites de juntavam a conversar com o caderno e a trocar miminhos, mas ia flirtando com outra menina mais pequenita também venezuelana e ainda gostava de dar à mão à Carolina...muito amor de verão por ali !!!

Este mês fora, foi rico em emoções também. De facto a vida parece querer surpreender-me continuamente. Acho que devo sentir-me feliz, mas sinto-me também extremamente frágil. De alguma maneira sou uma pessoa diferente agora.