Gostaria tanto quanto possível que o JP tivesse uma infância parecida com a minha. Inevitavelmente sei que não a terá. Será muito diferente.O concelho onde morava e ainda moro era arredores longínquos da grande capital. Existiam quintas. Respirava-se ar puro. Ia comprar leite para a família ao final do dia, acabadinho de mugir da vaquinha e levava uma moedinha no bolso. Divertia-me com brinquedos em segunda ou terceira mão dos meus irmãos. Brincava com terra, ia de bicicleta para todo o lado.
Para a escola era a pé, levada pelo avô, só até atravessar a estrada. Depois sozinha ou com coleguinhas. Se chovesse nada se alterava. A pé na mesma. A saltar pocinhas. As doenças curavam-se a maioria espontâneamente. Os Verões eram tórridos e nadávamos em tanques das quintas dos amigos ou íamos de bicicleta para a praia, todo o dia com algumas sanduiches no saco, fruta e sem factor de protecção solar.
Agora estamos dentro da grande capital. Tudo se pega. Bairros intermináveis, surgindo a cada instante. Para ver vacas temos de ir a uma quinta pedagógica. Para ir à praia levamos carro e não temos onde estacionar. Mas moro a menos de 2 kms do sítio onde sempre morei...
Não me imagino com tempo para levar o JP a pé para a escola. E moramos mais perto do seu colégio do que eu morava da minha escolinha primária. Adoro vestir-lhe roupas bonitas. Leio em revistas as classificações pedagógicas dos brinquedos. Escolhi criteriosamente a cadeirinha mais segura para o carro. Eu nunca usei uma...
Gosto de beneficiar da múltipla hipótese de escolha da zona de Lisboa e ir ver um teatrinho ou concerto para bebés...
E fico a pensar...como podia a infância dele ser parecida com a minha ? Que gosto terá? Conseguirei algum dia deixá-lo a brincar sem vigilância na rua ? Conseguirei ter uma atitude descontraída como a que os meus pais tinham ?
Em criança eu seria como uma roseira que floresce e lançava o meu perfume no ar, nunca me tendo preocupado se alguém o ia cheirar ou não. E assim era 100 % feliz.
Hoje penso, se conseguiria voltar àquele mundo tão simples ? E o JP, sentir-se-á tão leve e desprendido, como eu me senti? Será que actualmente conseguiria viver em harmonia no Portugal daqueles tempos? Porque será que quando nos tornamos adultos precisamos de tanto, para nos sentirmos felizes ? E porque nos tornamos tão exigentes, esquecendo o essencial ?













.jpg)
Espero que já tenha acabado essa fase. Pois chegas a casa cheio de sono e pouco disfrutamos. É já a tua luta contra a rotina? Porque será que tanta coisa muda em tão pouco tempo ? Continuo a gostar loucamente de ti, meu menino lindo.












