Amanhã vou falar sobre a experiência da comunicação aumentativa com o JP, no Hospital Garcia da Orta.
Ao preparar a apresentação tive de refletir sobre o enorme caminho, até agora. Mas apesar da imensa dor que já vivenciei, a verdade é que, de certa forma, eu sei que esta nossa vida é bonita do jeito, exatamente, como ela é.
Eu gostaria que o JP verbalizasse, mas ele não o faz. Ponto final.
Mas todos os dias me "conta" coisas e às vezes até tenho mesmo de "cortar" a conversa.
Demorei imenso a aprender que apesar de injusto (porque naturalmente já tem muitas !) , o JP, também tem de aceitar as frustrações comunicativas, porque as frustrações fazem parte da vida e na escola e nos outros lugares, ele não tem os pais, sempre dispostos a ir até á última.
Encontrar o equilíbrio entre não magoá-lo com frustrações (porque, naturalmente, já tem muitas !) e deixá-lo vivenciar a realidade, é uma tarefa dura para qualquer pai e mãe.
Ainda o é mais para os pais de meninos com necessidades educativas especiais.
É ao jantar e ao pequeno almoço que o JP mais gosta de conversar.
E fá-lo com tanto entusiasmo como, por vezes, nem vejo outros meninos fazerem.
Sei que há coisas que ainda ficam por dizer. Mas diz-nos muito mais do que se poderia pensar para um menino que não fala. Conta coisas nossas na escola e coisas das pessoas da escola em casa.
Até lhe chamamos "a velha que sabe tudo" porque é "alcoviteiro".
Recordando os dias após o nascimento dele, só penso que Deus me deu aquilo que eu tanto queria.
Não pedi muito.
Queria que o meu filho sentisse, tivesse consciência, soubesse rir e chorar. E tive isso e mais. Tem um sorriso lindo e inspirador.
Todo ele é amor e carinho. E teve em quantidade obscenas.
Talvez por causa disso, o seu comportamento (não o desempenho) escolar, está longe de ser exemplar.
Nunca é fácil admitir que o superprotegi, mas é lógico que o fiz. Infelizmente. Agora lamento.
Mas ele é um super-herói desta vida e uma inspiração que me dá muita força. É um orgulho para mim.