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segunda-feira, junho 14, 2010

Blogue abandonado

Há muito que não já não o alimento tanto, mas continuo a vir registar muitas coisas.
E ainda o farei, mas com menos entusiasmo.
Neste momento quero muito que o projeto Pais em Rede rede tenha imenso sucesso. Preciso disso. Muita gente precisa.
Só com a força de uma união, os pais poderão manifestar-se contra injustiças sociais que todos os dias se cometem contra cidadãos que, grande parte da sociedade, vê como de segunda.
Quando comecei este blogue achei que os bebés especiais também mereciam ir ao parque infantil, à piscina, à rua e ter uma mãe que alimentasse um "Baby blog".
Agora já não me chega. O meu filho merece ser tratado condignamente e vou até ao fim do mundo para o faz
Quanto ao blogue, demasiada gente o lê. Fico feliz por alguns pais dizerem-me que já olham para estes meninos de outra maneira…
Mas não há só aspetos positivos a retirar daqui. Há também aspetos negativos.
Neste momento ainda não posso partilhá-los. Posso dizer que já me tinham prevenido da sucessão de batalhas infindáveis a travar. Há muito que começou. Pois continua.
Pessoas que vêm aqui para me dar força e acarinhar...têm-me dado força para perceber que não estou sozinha. Não quero nem posso estar. Não posso mudar tudo sozinha, como muitos pais no passado nunca o conseguiram. Juntos podemos ! - "unidos por cidadãos especiais"- é o princípio dos Pais em Rede. Seremos um Lobby com muita influência. Os primeiros passos estão, justamente, a dar-se agora.

segunda-feira, junho 07, 2010

Ena...ena !!!

Hoje encontrei-me com uma mãe dos Pais em Rede que mora bem perto de mim. Contou-me uma história que me arrepiou, mas que é a realidade deste país...o colégio referenciado pelo Cadin, como colégio referência nesta zona para receber meninos com autismo é o colégio mais caro da zona. Mesmo assim ela inscreveu o seu filhote de 3 aninhos. Fiquei a saber que recebe também meninos de todas as idades com paralisia cerebral e proclamam-se como o colégio mais inclusivo da margem sul (não sabia e ainda bem)
Só lá para Março informaram-na que as coisas não estavam a correr bem e disseram-lhe para arranjar outra escola.
Quando disse que não concordava, deram-lhe como resposta: "Não somos um colégio de autistas" e mais tarde quando ela insistia na ideia de mantê-lo por ali deixaram cair outra pérola: "Não, não, não o queremos cá...o menino vai estragar o nosso score do ranking nacional"...
Que máximo ! (Sem comentários)

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Reportagem TVI de Ontem- "Asas de Ferro"

Parece que, desde o nascimento do JP, cada vez mais se fala do assunto da paralisia cerebral na televisão. Gostei francamente da reportagem.

Falou como a paralisia cerebral está no nosso julgamento associado a atraso intelectual e como grande parte das vezes isso não corresponde à realidade. Como as famílias se desdobram para enfrentar as dificuldades, as barreiras, os processos burocráticos. A falta de apoio do estado (apesar das boas intenções do ministro ;-) ) . Fala de como desistem das crianças e o porquê de tantos pedidos de ir a Cuba. Fala dos tempos de espera pelas cadeiras eléctricas...(há quem esteja há espera há mais de 20 anos por cadeiras de custam 8000 Euros e eu pensei) - "Ainda bem que fizemos barulho, denunciamos, barafustamos". Tivemos muito mais cedo do que outros, mas demasiado tarde. Ajudamos a que se fale disto: FALTA DE APOIOS. Lutamos por eles. Temos direito e não somos cidadãos de segunda. Fala de um dotourado que não tem emprego....

Esta reportagem está francamente bem feita, muito triste e sensibiliza-nos para fazer algo. Mostra a garra de quem trava esta luta. Mostra o conformismo de quem não pode fazer grande coisa.
Não deixemos que o futuro seja como o presente. Estes meninos e meninas, estes adultos estão subaproveitados, recebendo subsídios que não desejam. Desejam poder trabalhar e muitos deles conseguiriam, obviamente. Acredito que aos poucos tudo vá mudando. Começa em mim e noutras mãe como eu. Começa um bocadinho por todo o lado. Juntos faremos diferença na paralisia cerebral, nas doenças raras, na diferença. Disse uma mãe: O nosso país devia estar concebido para que tudo corresse literalmente "sobre rodas". Mas nem perto.
Entendo o que ela diz. Quem sabe desta realidade sabe que basta o nosso sofrimento de ver um filho ter limitações que não desejámos, quanto mais constantemente cortarem-nos as pernas, passarem-nos rasteiras, enrolarem-nos na burocracia e na falta de oportunidades.
"Asas de Ferro", é uma reportagem Ana Leal, com imagem de Júlio Barulho e montagem de Miguel Freitas, que fala da angústia de todas essas famílias, mas também da força e da coragem de quem, apesar de tudo, não quer desistir. Obrigado por este excelente trabalho. Irei felicitar-vos pessoalmente por mail. Um trabalho fantástico. Link : Aqui REPORTER TVI

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Sem saber que título dar...

Quem por aqui passa conhece-me minimamente…
Este blogue existe quase há 4 anos e foi pioneiro deste género. Muitos meses, ou anos, passaram até que houvesse outros pais como eu a aventurarem-se. E ainda bem que o fizeram.
Não mostro tudo, mas mostro um bocadinho da minha vida, que não é dramática, mas nem sempre é um mar de rosas, como sabem. Felizmente, fazemos por haver muita alegria nela...mesmo que, por vezes, se revele mais difícil do que pensávamos.
Sabem que há emoções que tenho que parecem patetas à mamã comum, mas ao mesmo tempo sensibilizo para a diferença. Abro um bocado o meu coração.
Por aqui passam, principalmente, amigos que fiz durante este tempo ou pessoas que me conhecem e nos querem bem. Este registo um dia será do meu filho.
Reservo-me o direito de me queixar quando tiver de o fazer, pois não sou fingida.
Se não vem aqui por um genuíno bem...não venha s.f.f.
Eu dispenso.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Falta de Civismo

Quem me conhece sabe que sou tolerante e não fervo em tão pouca água assim. Mas tenho dificuldades em tolerar gente mal formada.
A enfermeira que administrou a vacina da Gripe A ao JP avisou que seria bom ter ben-u-ron em casa não fosse o miúdo fazer um pouco de febre. A última vez que teve febre foi, felizmente, há tantos meses que vi logo que tinha de comprar uma nova embalagem. Assim passei pela Farmácia antes de ir para casa. Mas não consegui levar ninguém comigo e não me convém nada andar muito a pé por estar em pós-operatório. Como há um lugar de estacionamento para deficientes, mesmo na frente da farmácia, estava tranquila.
Só que, por azar, estava ocupado, por um carro sem dístico. Pois, fiquei calma e estacionei, em segunda fila, atrás desse carro. Com certeza a pessoa iria entender e rapidamente eu tiraria o carro quando fosse necessário. Só que como já esperava, a pessoa não era deficiente e a senhora, que estava dentro do carro, rapidamente apressou-se a vir reclamar, em alto e bom som, comigo. Já com o JP ao colo pedi desculpa e perguntei: então o seu marido, que está na Farmácia, é o deficiente ?
Com o maior descaramento disse-me: "Não. Nenhum de nós é deficiente."
"- Então, desculpe, mas esse lugar é meu. "- disse eu.
Entrei dentro do carro e retirei-o daquele lugar convencida que a senhora (que nem se deu ao trabalho de pedir desculpa) iria mudar o seu carro, ou então seria ela a ficar em segunda fila.
Nem um milímetro mexeu no carro. Voltei a estacionar atrás dela, trancando o carro e voltei a pegar no JP para ir à farmácia.
Pois havia de esperar !
Acabou por não esperar, pois na Farmácia conhecem-me bem e apesar de ter um sistema de senhas a dona mandou-me passar à frente por estar com o JP ao colo.
Incrível. Eu não gosto de ter direito de usar o lugar dos deficientes (era bom sinal não precisar ), mas infelizmente temos direito a ele. E ainda bem.
Mas a má educação de algumas pessoas deixa-me estupefacta.
Eu não sou fundamentalista. Era errado estar ali estacionado, mas admito que as pessoas possam sentir-se tentadas. Não foi a primeira vez que me aconteceu. Mas as pessoas sempre, educadamente, se justificaram e corrigiram.
O que não entendo, nem quero entender, é não ter a humildade de pedir desculpa e muito menos não corrigir o que está mal. É assim tão difícil e doloroso ?
Espero conseguir educar o JP para ser uma pessoa bem formada.

terça-feira, outubro 20, 2009

Lutar pelos nossos direitos

Aplaudo sempre de pé. É pena que seja tão preciso. É pena que situações assim aconteçam e que os pais sejam obrigados a refilarem e a aborrecerem-se, perdendo as crianças tempo precioso. Espreitem
Lutem sempre pelos vossos direitos e não se calem !

segunda-feira, agosto 10, 2009

Hoje é um dia de vitória - Recebemos o vale da cadeira !

Há 5 aninhos atrás estava deliciada com a minha gravidez e no próximo dia 25 fará exactamente 5 anos que soube que a minha vida não iria por um rumo que tanto tinha imaginado.
Depois de tanto tempo, ainda não perdi a esperança de dar a melhor qualidade de vida motora que for possível ao meu filho, mas agora sei que o seu progresso a nível motor exige muita persistência.
Julgo eu, que estamos bem longe de desistir.
O que nunca imaginei naquela altura que sentia o JP no meu ventre, era que o nosso "sistema", o nosso país, funcionava tão mal. Que seria tão difícil obter qualquer coisa. Que teria de recorrer à comunicação social para conseguir o que quer que fosse.
Azar meu ? Talvez. Já percebi que algumas pessoas, localidades, escolas...não passam pelo mesmo que outras. Por vezes parece uma sorte aleatória (ou azar), mas em regra se não forem os pais a aborrecer tudo e todos, criar peditórios na net, juntar toneladas de tampinhas, dar a cara, entrevistas para programas sensacionalistas....terão um caminho difícil. Por vezes para obter algo tão essencial quanto a intervenção precoce. Quando optamos pela via da comunicação social sujeitamo-nos a ouvir coisas horríveis, de gente que não conhece a realidade dos pais de meninos com deficiência, ou de gente com deficiência. Acham que se tivemos um filho e "tivemos azar" temos de arcar com as consequências, tudo à nossa custa. Acham também que não deviamos viver numa casa condigna e que as nossas roupas tem de estar totalmente desbotadas e rotas. Nem devemos ter computador e muito menos o televisor deve ter mais de 15 ".
Não. Nunca mais seremos os mesmos, mas recusamo-nos a ser miseráveis. Temos de viver uma vida NORMAL. Para criar filhos normais. Que queiram trabalhar e ter o seu nível de vida.
Muitas lutas se seguem. Muita gente quero ajudar, para além de mim própria. Por isso criei um novo espaço...de denúncia. De apoio mútuo.
Hoje recebemos o vale da cadeira. Esta demorará 2 meses a ficar pronta pois muitos componentes vêm do estrangeiro, mas é UMA VITÓRIA. Suada, porque tudo tem sido assim na nossa vida, mas não deixa de ser uma Vitória. E não deixamos de estar felizes, embora achemos que todo este cansaço podia ter sido evitado...

sexta-feira, julho 10, 2009

O mail enviada ao Primeiro ministro, Ministro do trabalho e S. social, parlamento e assistente social

Exmos. Srs.
É com muita tristeza que verifico que o Sr. Ministro na sua resposta à deputada Luísa Mesquita ocultou factos, talvez porque não estivesse na posse deles, mas passo eu a explicar, até porque eu sou a primeira interessada em fornecer toda e EXCESSIVA papelada e informação, porque o meu filho continua há anos a esperar pela cadeira que necessita por ter 80 % de incapacidade devido à paralisia cerebral com que nasceu.
Efetivamente fui chamada pela Sra. Rute Farinha, dia 28 Maio. Aguardei 3 horas de espera , faltando toda a manhã ao meu emprego, mas fui atendida.
A extensão de papelada pedida acho um exagero, mas como o meu filho não teve as despesas habituais nos últimos dois meses, demorei algum tempo, mas arranjei tudo. Não entreguei porque entretanto fui informada em meados de Junho que só tinha entregue cópia de 2 orçamentos e tinham de ser 3. e Originais. Pois nem eu sabia que era eu que tinha de arranjar os ditos orçamentos da cadeira. O último original chegou há dois dias por correio.
No dia 25 DE JUNHO fui informada pela sra. Dona Rute Farinha, técnica de ação social que está agora a resolver este caso, depois de 3 anos empatado no hospital do Barreiro, pediu-me mais um impresso- Ficha de atribuição de produtos de apoio, supostamente para ser preenchido pela Calouste Gulbenkian. Mas esta entidade recusou-se a preencher, pois o meu filho não é lá seguido. Até à data não se descobriu tanto quanto sei quem vai preencher e já estamos há quase 1 mês neste filme.
Todos os meus papéis serão entregues pessoalmente à Dra. Rute Farinha segunda feira, dia 13 de Julho. Ficarei com cópia de tudo o que entreguei e entregarei, restando só o papel que NINGUÉM QUER PREENCHER e que o sistema não consegue resolver.
A petição vai continuar on line .http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N85
Estas situações têm de ser resolvidas. Não entendo o porquê de tanta papelada, se têm acesso a tudo a que me respeita através de dados informatizados.
Mas forneço. E quem preenche os papéis que ninguém sabe quem vai preencher ?
Estou naturalmente destroçada. Posso não ter entregue os papeis todos, mas há muita coisa que não foi contada. E parece que a desleixada fui eu. Não concordo.
Se assim fosse dava-me ao trabalho de me expor publicamente ?
O meu filho está a ser prejudicado e eu como mãe sinto uma dor enorme. Tentem colocar-se no lugar dos pais de crianças com deficiência, por favor. Ainda acredito e confio no sistema. Vamos pô-lo a funcionar.
Melhores cumprimentos

E quem viu a reportagem o que achou ?

Viram o meu JP ?
Viram o meu "bebé"? Adoro este miúdo !!!
Por ele vou até à lua, mas há sempre quem ache que não fazemos o tudo o que conseguimos por ele. Que nos devíamos endividar, em vez de lutar pelo que temos direito. Porque trabalho há 12 anos, contribuindo e cumprindo todas as minhas obrigações legais. Eu e o meu marido.
7000 Euros (se os tivesse ou se fosse para endividar) poderei gastar em tratamentos que ninguém realmente paga. Mas os produtos de apoio técnico fazem parte do direitos do JP. Será que só eu tenho deveres, todos os meses ?
O estado também tem e não está a cumprir....de qualquer forma, talvez a reportagem tenha adiantado. Não está só em causa este produto, mas todos os outros que ele venha a precisar. Não está só em causa o JP, mas todos os meninos e meninas na sua situação, cujos pais conhecem esta realidade. Precisamos de estar desempregados e a viver de rendimentos mínimos para exigir o que nos é de direito ? Vale mais largar tudo, viver do subsidio de desemprego ?
Talvez.
O JP estava muito à vontade. Com pouca vontade de falar. Agora já conhecem o menino deste blogue. Detesto esta exposição pública e tudo o que vem atrás, mas neste caso tenho esperança que os fins justifiquem os meios...

quarta-feira, junho 03, 2009

Já temos mais de 500 assinaturas em menos de 24 horas- A união faz a força-Obrigado

Precisamos de 7500 assinaturas para sermos ouvidos. Toca a espalhar e colocar toda a família a deixar o registo. Quero que fique claro que não quero alertar só para a minha situação pessoal (embora essa é a realidade que infelizmente melhor conheço), mas quero que pessoas que passem pelo mesmo deixem lá comentário que lhes está acontecer o mesmo e de preferência com mail visível.
Juntos teremos mais força. Não se trata só do meu JP mas de muitos e muitos deficientes, crianças adoráveis, adultos e ainda outros que fazem a sua honesta vida , descontam e quando precisam da segurança social, parecem andar num labirinto e num jogo do empurra onde ninguém tem deveres para com os cidadãos...e todos sacodem a responsabilidade.
Ficamos SÓS !!! Justamente quando mais precisamos de uma mão que nos ampare. Sempre confiei na segurança social e neste sistema. Hoje sei que este país só é bom para ricos !
Continuem a assinar e a divulgar nos vossos mails e BLOGUES - muito !!! Ajudem-nos.
Quem sabe se estarão a ajudar também o vosso dia de amanhã ? A construir um país mais justo.

terça-feira, junho 02, 2009

Petição- Já nem sei o que fazer mais...

Como se resolve a questão da cadeira quando a resposta é "Não há verbas" (mais um ano- terceiro ano !!!). Honestamente não acredito.
Gostava que fosse feita uma auditoria transparente às contas, porque ninguém consegue convencer-me que já gastaram centenas de milhares de Euros em semanas.
Como podemos? Sinto uma sensação de impotência gigantesca. Lancei esta petição. Quem sabe ajude, pois os órgãos de comunicação social estão cheios de casos assim...Por sugestão da Inês, pensei fazer a minha pretensão chegar de alguma forma à Assembleia da República (para além dos mails que já enviei para lá).
Subscreve a petição aqui
e divulga-a pelo máximo dos teus contactos/família e/ou Blogues. Precisamos de 7500 assinaturas e havemos de conseguir.
Mais uma vez, ajudem-nos. Não basta já todas as dificuldades que uma família de meninos especiais/deficientes passam ? Quando nos pregam estas rasteiras, sentimo-nos a ir abaixo….
Sei que posso contar convosco. Façam ouvir a nossa voz que também representam tantos outros pais ! Aos pais com situações semelhantes : escrevam-me, assinem na petição e nos comentários coloquem que têm um problema semelhante. Vamos unir-nos. A união sempre faz a força. Não se calem....Não vamos admitir estas injustiças !!!

terça-feira, maio 26, 2009

Vamos para frente !!!

Já tenho contactos com alguns orgãos de comunicação social !!!
Interessaram-se pela história e agora é seguir em frente !!! Mesmo assim continuem a mandar-me sugestões que fico eternamente agradecida.
Vamos então tentar saber porque ignora o Hospital Nossa Senhora do Rosário (porque ainda nada comunicou), as necessidades de um menino tão especial como o JP ?
Sim, porque o dinheiro acabar no momento logo a seguir que o recebem, durante 3 anos seguidos não ....não dá para acreditar. Se assim fosse, muito terá de mudar neste país ! Urgentemente.
Esqueçam estádios, TGVs e pontes. Primeiro percebam que temos de gastar dinheiro em manter a nossa saúde e dignidade pessoal.
Mas sei que não é isso.
Supostamente acredito que tem a ver com o facto de eu ser licenciada. Nunca olharam para o IRS, mas como tenho um curso...acham que posso. Acham mal...infelizmente.

terça-feira, maio 19, 2009

Revolta - Carta ao Hospital do Barreiro

Na semana passada o JP quase partiu um pé porque o carro de bebé esta pequenino demais para ele, que mede cerca de 1,10 m. Os terapeutas recomendam vezes, sem conta, que tenha um meio de transporte adequado. A vulgar cadeira de bebé provoca um posicionamento errado que o impede de realizar com eficácia as atividades e deforma-o. Apesar dos inúmeros pedidos, (2006, 2007, 2008) formulados, esta situação arrasta-se há três anos o que nos origina grandes preocupações e descontentamento, pois as tão desejadas melhorias têm sido, em parte, travadas pela ausência do meio de transporte e posicionamento adequado.
O fornecimento do pretendido meio de transporte tem sido sucessivamente protelado pela administração do hospital do Barreiro (Nossa Senhora do Rosário), facto que tem vindo a criar inevitáveis prejuízos. Foi também dado conhecimento à ministra da saúde e IPSS em 9 de Abril de 2009. Continuamos sem resposta. Este impasse torna-se insustentável pelos graves prejuízos para o JP gerando ainda um quadro de angústia no seio da nossa família .
Viemos a Cuba porque amigos nos ajudaram e o estado não paga, infelizmente, estes custos.

Vivemos exclusivamente do fruto do nosso trabalho. Em 11 anos de trabalho nunca estive de baixa (graças a Deus não precisei e quando tinha de faltar punha férias ) e nunca estive desempregada. Sempre cumpri as obrigações legais que me são impostas.
Porque não fornecem ao meu filho o que, legalmente, tem direito ?

Porque nos ignoram ?

Porque nos desprezam ?

Este ano, à semelhança do que aconteceu em anos anteriores, foi requerido o fornecimento da cadeira, sem que até à data nos tivesse sido comunicado o despacho objeto da nossa pretensão. Apesar dos sucessivos apelos de solidariedade social e de compreensão feitos ao Hospital do Barreiro (Nossa Senhora do Rosário) sobre a nossa ansiedade de pais continuamos a assistir, impotentes, sem resposta e sem o apoio desejado para esta situação que não desejamos a ninguém. Faremos chegar a carta que foi enviada à administração do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, (a ministra e ainda ao IPSS) a todos os meios de comunicação social que se interessem . Estou triste, revoltada com esta situação. Feliz por o meu filho estar a melhorar, mas triste com o que não muda. Só contamos com a ajuda dos amigos, que muito nos alegra, porém o estado também tem obrigações. Não somos só nós ! Não acham ?

Ao que temos direito, não abdicamos. Porque tenho de estar a implorar ?
Para que pago os meus impostos ? Para que pago a segurança social ?
PS: Quem tem contactos na comunicação social ? O meu marido e jornalista mas não queria ir por essa via...aceito tudo e todas as dicas. Tenho de divulgar e fazer MUITO BARULHO !!! Vão conhecer um nova faceta desta grilinha que está mesmo chateada.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Direito ao Ensino especial- Intervenção Precoce

Fico feliz por saber que por vezes há posts ou cartas que têm algum impacto. Aconteceu com a C. Hoje noticia no Público e no jornal das 13 h da TVI. Eu ainda gostaria de ter resposta a isto. Quem sabe um dia. Obrigado pelos vossos comentários e miminhos. Já estou em forma...mas ainda muito receosa da atual conjectura. Não quero que falte nada ao meu menino e não gosto mesmo nada de me sentir insegura...mas mais uma vez...Um dia de cada vez !

quarta-feira, julho 23, 2008

A propósito de um post

Quanto jornalismo cor de rosa se faz, sem saber do que falam ?
Há novas soluções para problemas antigos? Que bom !
Mas caminhamos a passos largos para só os mais abonados se poderem "safar".
O Centro de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian conta os dias até ser privatizado.
Passarei a pagar as sessões de Comunicação Aumentativa.
Anima-me não saber ainda quando será.
É mais que certo que não o conseguirei fazer, mas vou sempre pensar que estou a "prejudicar" o JP.
O Jornal Expresso publicou há tempos uma reportagem sobre os tratamentos para a Paralisia Cerebral realizados em Cuba. Tratamentos esses que, como todos sabem, são extremamente caros, mas bastante eficazes. Questionado porque não iam mais portugueses tratar-se a Cuba , o SNS esclareceu que não recebia dos hospitais pedidos para este tipo de tratamentos. Mais, informou que apenas uma vez foram solicitados para este tipo de intervenção e que o doente em causa acabou por realizar o tratamento na ilha de Fidel, pago pelo SNS. Dá para acreditar? Alguém acredita que não chegam aos hospitais este tipo de solicitações? A sério? É mais fácil acreditar no Pai Natal…
A verdade é que os hospitais cortam à raiz qualquer possibilidade de enviar doentes para esse tipo de tratamentos tão dispendiosos com a eterna desculpa de não haver dinheiro. Nunca há dinheiro. Para nada. Pagamos os nossos impostos, cumprimos as nossas obrigações para com a Segurança Social e quando precisamos que o Estado cumpra o seu dever de olhar pelos cidadãos mais necessitados, a desculpa é sempre a mesma: não há dinheiro! É frustrante! A saúde é, cada vez mais, um luxo, é para quem pode pagar por ela! Há dois anos que andamos a pedir um carrinho "especial" para que o JP se sente corretamente e continuamos a ouvir a mesma resposta/desculpa de sempre: não há dinheiro.

Não há 2.500 Euros para o carrinho do JP. E foi este tipo de situações, de dificuldades que as reportagens da TVI e do Expresso não abordaram.
Fala-se de Cuba, fala-se de tratamentos "inovadores", mas esquecem-se daqueles que não têm meios (leia-se: dinheiro) para ajudar os seus filhos. E, esses, infelizmente, são a maioria. A maioria de nós não pode ir a Cuba. A maioria de nós não pode pagar esses tratamentos fantásticos de que falou a reportagem da TVI.
Não vale a pena fazer reportagens sem abordar a questão económica dos assuntos.
Porque não existem tratamentos para a PEA no público ao mesmo nível dos privados ?
Porque não se fazem cá os tratamentos levados a sério como os de Cuba ?

Fazer até se fazem, talvez parecidos mas...no privado e é só para quem pode, claro.