sábado, abril 19, 2008

Acreditar

Há quatro anos por esta altura vivia o inicio de uma gravidez.
Fui uma grávida feliz, mas por vezes apavorada e debilitada. No dia do nascimento do JP, pelas 39 semanas, tudo se complicou. O JP estava em ligeiro sofrimento e a médica ainda tentou fazer parto normal. Acabou por desistir e o meu filho nasceu já alguns minutos depois da meia-noite do Feriado de 1 de Dezembro.
O meu bebé veio ao mundo sem chorar, sem respirar. Felizmente recuperou minutos depois, arrancou por si próprio todos os tubos e trouxeram-me para conhecê-lo. Não parecia um recém-nascido. Estava atento, muito desperto e com uma pele muito branquinha. No entanto disseram-me que ele passaria a noite na UCI neonatal e, quando recuperei as minhas forças, fui vê-lo pela manhã.
Chorava muito, e quando mo colocaram no colo, imediatamente se calou. Ficou 9 longos dias internado a ser observado. Eu fazia questão de estar sempre junto dele e de pegá-lo ao colo o máximo de tempo possível. Sabia que, se ele queria fazer pela vida, era sabendo que eu estava ali e que o amava. O JP saiu do hospital sem diagnóstico. Agora sabemos que muitos imaginavam que era paralisia cerebral.

O prognóstico parecia terrível. Mas no dia que o trouxemos para casa ele se transformou. Começou a mamar muito mais e a acordar com fome. Nunca o fez no hospital.
Pensei muito em deixar de trabalhar, mas nunca consegui. As contas, as terapias...
Existem e convivem connosco. Pensava e penso muito na qualidade de vida dele.

Os avanços motores do meu pequenino foram feitos devagar, os cognitivos felizmente mais rapidamente, mas acredito que o que fez a diferença foi o nosso vínculo e a minha crença de que só se avança e aprende com prazer e é a mãe que pode proporcionar isso para uma criança atípica. Os primeiros sorrisos surgiram cedo, pelas 7 semaninhas e deram-me muita força.
Eu ainda acho que a melhor reabilitação para um caso grave é conviver com pessoas felizes. Por isso, nunca me entreguei a qualquer depressão, embora ainda tenha dias que sejam muito difíceis.
Quero que o JP continue sonhando, desejando, mesmo o que não seja possível. Pois será esse desejo que irá movê-lo para algum lugar intermediário entre o ponto onde ele está e onde ele desejou chegar.

26 comentários:

stardust disse...

É a primeira vez que cá venho, vim através do Paulo (Serprematuro), estive a "cuscar" alguns posts passados, é realmente uma grande história de amor maternal e uma grande lição de vida.

A vida por vezes apresenta-nos obstáculos, que vamos ultrapassando, também tivemos alguns, felizmente agora vamos andando como disse algures "em piloto automático".

Beijinhos

A Loja da Rosinha disse...

Vim fazer uma visita, saber como vão as coisas, deixar um beijinho e dizer que a Rosinha tem novidades.

Parabéns por este post, gostei muito.

Beijinhos floridos da Ursa Rosinha

alojadarosinha.blogspot.com

Mocas disse...

Fantásticas estas tuas palavras.

Cila & Di disse...

Lindas palavras as suas.
Beijoquinhas muito doces!

Nostálgica disse...

É mesmo como tu dizes..
Um grande beijinho para vocÊs.

Maria disse...

Lindo este post, talvez dos mais bonitos que já te li, e já li muitos e muito belos. Repito-te... "a melhor reabilitação é estar perto de pessoas felizes" e penso como tens razão. Como todos seríamos melhores e ultrapassaríamos os nossos problemas (os pequeninos e os grandes) se a felicidade se transmitisse, contagiante e generosa, de todos para todos. Obrigado, um beijo.

Anónimo disse...

Bonito post Grilinha. Vais ver que com o tempo os nossos filhos vão crescendo e nós também, o maior desfio é continuar a acreditar, a amar e a investir nos sentimentos, nas relações, na habilitação e reabilitação e se possível preservar a nossa juventude e força anímica e física para o conseguir.

Um beijo

Quicas disse...

Surpresa no meu blog. Espreita!

:o)

ClaudiaMG disse...

Olá amiga

Acredito que o JP vai realizar os seus sonhos e aredito também que ele irá sonhar sempre muito e muito.

Beijinhos

CláudiaR

GE disse...

Acreditar é meio caminho andando para conseguir...e mm que não consiga já valeu a pena pelo esforço que fez!

O JP é um lutador e vai continuar a ser !!

Bjinhos

tixa disse...

Minha querida pela tua força é que gosto tanto de ti!!!
A vida nem sempre é perfeita... mas afinal o que é a perfeição? uma coisa da nossa cabeça...
O medo é normal, mas se há criança que vai ter sucesso e vai ser sempre feliz é o teu JP disso não duvido.
Um bj enorme

Vanessa disse...

És linda...
Bjs

Docinho disse...

Só a vossa força... o vosso acreditar... só esse amor faz com que todos os dias dele... sejam uma vitória contra um destino tantas vezes injusto...
Parabéns aos 3...

beijo emocionado

Anónimo disse...

Uma vez, enquando deambulava pelo hospital na minha hora de almoço enquando fazia o meu estágio de Terapia da Fala no Hospital Garcia d´Orta, encontrei este texto colado na parede do corredor e, a verdade, é que aindsa hoje tem impacto em mim. Não sei se já o conhece de qq forma aqui fica ;). Beijinho, Rita Escalhão.

O texto inicia-se assim:
Pedem-me muitas vezes que descreva como é a experiência de criar um filho com uma incapacidade. Para tentar ajudar as pessoas que não sabem o que essa experiência única significa, para poder imaginar o que se sente, deixem-me dizer-lhes algo parecido com o seguinte...

Quando vamos ter um bebé é como planear uma fabulosa viagem - a Itália. Compra-se logo uma boa quantidade de livros de viagem e fazem-se os planos maravilhosos: o Coliseu, o Miguel Ângelo, as gôndolas em Veneza, e até se pode aprender algumas frases úteis em italiano. É tudo muito excitante.

Depois de meses de expectativa, chega finalmente o dia. Fazem-se as malas e lá se vai para o aeroporto, horas mais tarde o avião aterra e a hospedeira chega perto e anuncia, Benvindos à Holanda.

Holanda? pergunta você, o que é isso de Holanda? o meu voo era para a Itália, eu deveria estar em Itália, toda a minha vida sonhei ir a Itália. Mas houve uma mudança de voo e o avião aterrou na Holanda e tem que ficar ali.

O mais importante é que eles não a levaram para um lugar horrível, desagradável e sujo, cheio de pestilência, fome e doenças. É só um lugar diferente. Vai precisar de aprender uma linguagem completamente nova, e conhecer um novo grupo de pessoas que nunca teria encontrado.

É só um lugar diferente, com um ritmo de vida mais lento do que Itália, menos buliçoso e aparatoso, mas depois de lá permanecer mais um bocado de tempo, logo que tenha passado a agitação, vai olhar em seu redor e começa a dar-se conta que a Holanda tem os moinhos de vento, tem as tulipas, e que a Holanda até tem os Rembrandts.

Mas todas as pessoas que conhece vão e vêm de Itália e todas se gabam das maravilhosas férias que lá passaram, e para o resto da sua vida vai pensar "Sim, era ali para onde deveria ter ido. Era isso que tinha planeado".

E essa dor nunca, nunca, nunca mais passará porque a perda desse sonho é uma perda muito significativa.

Mas... se passar a vida a lamentar-se com o facto de não ter ido a Itália, nunca mais terá o espírito livre para disfrutar as coisas especiais, as coisas maravilhosas da Holanda.
(Emily Perl Knisley, 1987)

Rita disse...

Com uma mãe como tu o J.P. só pode ser uma criança feliz e vai chegar longe... ai se vai!

Anónimo disse...

Olá minha querida!
Acreditar sempre hoje tu e a CAR tiraram-me algumas lágrimas, mas de felicidade por saber que vocês são 2 mães lindas e fantásticas
Beijos
Beta & Betariz

mother_24 disse...

Fiquei deliciada com as tuas palavras grilinha... ai que nem a lagriminha no canto do olho me escapou ;'-) Tu és uma mãe altamente sabias??

jocas grilinha de estimação

sorrisos da minha alma disse...

Esse teu menino é uma bênção na tua vida.
Bjs

Cristina disse...

Já deu para ver que o JP sonha com o que é possível e o que não é e que é um menino lutador. As mesmas palavras aplicam-se à mãe. Um beijinho para os dois.

Cristina
http://blogs.clubedospais.pt/ccsantos

Terra Mãe disse...

As tuas palavras deviam ser ouvidas por muitos pais que procuram as alegrias fora do seu corpo em vez de começarem a ouvir o seu coração. Mais uma vez, parabéns.

Não te esqueças de participar na campanha da Ajuda de Berço e no concurso da Artémis (links na minha TERRA)
Beijinhos para todos

Miguel-100%fã disse...

delicioso,sincero...mas sobretudo apaixonado...é assim q intepreto o teu texto,é assim q te vejo...lutadora e apaixonada...e so quem ama assim como tu,traduz tao bem em palavras a força do verbo amar....
parabens...gosto de ti!!!

ps-ausente da escrita,mas sempre q possivel leio as tuas palavras..
bjos e continuaçao de grandes pprogressos...sei q as vezes parecm lentos,mas eles aparecem !!1
bjos africanos!!!

Ana Paula disse...

E eu vinha aqui dizer-te que já nasceu o meu menino e saio daqui a chorar.
Admiro-te muito!

silvia disse...

Caminhava pelos baby blogs que conheço quando o nome deste me tocou. Estive a ler por alto e tocou-me, arrepiou-me e só li alguns excertos. Vou voltar para vos conhecer melhor mamã e filhote coragem...
Beijinhos
Silvia e Inês
Nós estamos em http://thereason.blogs.sapo.pt

Rosa Silvestre disse...

Olá Grilinha, é preciso acreditar mesmo e pela tua força ficas com um prémio. Beijinhos para ti e para o JP.

Dinha disse...

Que lindo, amiga Grilinha.
Lindo mesmo. Não canso de aprender contigo... E que o Caio possa aprender como JP.
Também acredito que o amor é uma mola transformadora dos piores prognósticos.
"Quero que o JP continue sonhando, desejando, mesmo o que não seja possível. Pois será esse desejo que irá movê-lo para algum lugar intermediário entre o ponto onde ele está e onde ele desejou chegar." Tbém desejo o mesmo ao meu Caio. Posso transcrever no Meus Frutos, com teu link?
Um beijo grande, carregado de admiração.

Cida Moraes disse...

Lindo post. estou emocionada. bjos para vcs!