quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Regras para a felicidade....


Happiness is not something ready made. It comes from your own actions.
Dalai Lama


Já pensaram sobre isto ???

REGRAS PARA A FELICIDADE


1. Não guardes rancor: As pessoas felizes entendem que é melhor perdoar e esquecer 
do que deixar seus sentimentos negativos dominarem seus sentimentos positivos. 
Guardar ressentimento aumenta a ansiedade e o stress. 
Se esqueceres os rancores, vais poder apreciar as coisas boas da vida.
2. Trata todos com bondade: Sabias que ao realizares um acto altruísta, o teu cérebro 
produz serotonina, uma hormona que facilita a tensão e eleva o espírito? 
Tratar as pessoas com amor, dignidade e respeito, também permite que construas 
relacionamentos mais fortes.
3. Encara os problemas como desafios: A palavra “problema” não faz parte do 
vocabulário de uma pessoa feliz. Um problema é normalmente visto como uma 
desvantagem ou como uma situação instável, enquanto que um desafio é tido como algo 
positivo, como uma oportunidade,  uma tarefa. Sempre que enfrentares um obstáculo, 
tente olhar para ele como se de um desafio se tratasse.
4. Expressa gratidão pelo que já tens: Há um ditado popular que diz: 
As pessoas mais felizes não têm o melhor de tudo, elas fazem o melhor de tudo com 
o que têm”
Terás um sentido mais profundo de contentamento se contares as bênçãos em vez 
de ansiar para aquilo que não tens.
5. Sonha em grande: As pessoas que têm o hábito de sonhar em grande são mais 
propensas a realizar os seus objectivos do que aquelas que não o fazem. 
Se te atreveres a sonhar em grande, a tua mente vai assumir uma atitude mais 
focada e positiva.
6. Não se preocupe com as pequenas coisas: As pessoas felizes entendem que a vida 
é demasiado curta para despender energia com situações triviais ao invés de desfrutar 
das coisas mais importantes na vida.
7. Fala bem dos outros: Dizer coisas agradáveis sobre as outras pessoas encoraja-te 
a pensar positivo.
8. Não procures culpados: As pessoas felizes não culpam os outros pelos seus próprios 
fracassos na vida. 
Em vez disso, elas assumem os seus erros e, ao fazê-lo, proactivamente tentam mudar 
para melhor.
9. Vive o presente: As pessoas felizes não vivem no passado nem se preocupam 
com o futuro. Elas saboreiam o presente envolvendo-se em tudo o que fazem.
10. Acorda todos os dias à mesma hora: Acordar à mesma hora todas as manhãs 
estabiliza o teu metabolismo, aumenta a produtividade e coloca-te num estado calmo e 
centrado.
11. Não te compares aos outros: Se achas que és melhor do que outra pessoa 
ganhas um sentido saudável de superioridade, mas se considerares que alguém é melhor 
do que tu acabas por te sentir mal contigo mesmo. Serás mais feliz se te concentrares no 
teu próprio progresso.
12. Escolhe os teus amigos com sabedoria: A miséria adora companhia. 
É por isso que é importante cercares-te de pessoas optimistas que te vão incentivar a 
cumprir os teus objectivos.
13. Não procures a aprovação dos outros: As pessoas felizes não se importam com 
que os outros pensam delas. Elas seguem seus próprios corações, sem deixar os 
pessimistas desencorajá-los. 
Elas entendem que é impossível agradar a todos. 
Escuta o que as pessoas têm a dizer, mas nunca esperes pela aprovação de ninguém.
14. Aproveita o teu tempo para ouvir: Fala menos, escuta mais. 
Escutar mantém a mente aberta. 
Quanto mais intensamente ouvires, mais silenciosa a tua mente fica e mais conteúdo 
absorves.
15. Cultiva os relacionamentos sociais: Uma pessoa só é uma pessoa infeliz. 
As pessoas felizes entendem como é importante ter relações fortes e saudáveis. 
Procura sempre tempo para te encontrares e falar com a tua família e amigos.
16. Medita: Ficar em silêncio ajuda-te a encontrar a tua paz interior. 
Não precisas de ser um mestre zen para alcançar a meditação. 
As pessoas felizes sabem como silenciar as suas mentes em qualquer lugar e a qualquer 
hora.
17. Alimenta-te bem: Tudo o que comes afecta directamente a capacidade do teu corpo 
produzir energia, o que vai ditar o teu humor e concentração. 
Certifica-te que os alimentos que ingeres irão manter tua mente e teu corpo em boa forma.
18. Faz exercício físico: Estudos têm demonstrado que o exercício aumenta os níveis de 
felicidade. 
Aumenta também a tua auto-estima e dá-te uma maior sensação de auto-realização.
19. Vive com o que é realmente importante: As pessoas felizes mantêm poucas 
coisas ao seu redor porque elas sabem que coisas supérfluas os deixam sobrecarregados 
e stressados.
20. Diz sempre a verdade: Mentir corrói a tua auto-estima e torna-te antipático. 
Ser honesto melhora a tua saúde mental e faz com que os outros tenham mais confiança 
em ti. 
Sê sempre verdadeiro e nunca peças desculpa por isso.
21. Controla a tua vida: As pessoas felizes têm a capacidade de escolher os seus 
próprios destinos. Elas não deixam que os outros digam como devem viver as suas vidas. 
Deter o controlo completo de tua própria vida confere-te sentimentos positivos e de 
auto-estima.
22. Aceita o que não pode ser alterado: Depois de aceitares o facto de que a vida não
é justa, vais ficar em paz contigo próprio. 
Em vez de viveres obcecado com o facto da vida ser injusta, concentra-te apenas no que 
podes controlar e mudar para melhor.



Adorei e concordo !!!

domingo, janeiro 26, 2014

O meu Pré-adolescente

É assim que está o meu JP.
No 1º ano conheceu a S. que também usa uma cadeira de rodas.
Não demorou umas semanas para que dissessem ambos que namoravam um com o outro.
Estão todo o dia na escola, depois vão os dois para o ATL e à noite ainda quer jantar à pressa para poder ir falar com ela um pouco no Skype.

Mensagens de namorados mesmo.
Falam do futuro e de "casar".
Às vezes sei que ela o "pica", um pouquinho, mas é ela que lhe dá motivação.

Estão agora no 3º ano e continuam muito amigos. Ele sonha poder fazer a escola, sonha poder ganhar dinheiro e sustentá-la.
Eu sinceramente acho que a vida não nos dá limites. Nós é que nos limitamos. Nada digo, nada sei. Sonhem e sejam eles próprios.

Até já os TPCs faz na escola, de tão aplicado que está.

Um dia vi o filme "o meu pé esquerdo", filme baseado numa história verídica e tirei uma conclusão muito minha: O futuro é o que cada um quiser fazer com ele.
Quem pode dizer qual será o futuro de cada um ?

Diploma das tabuadas

Ena, a sua excelente memória e obsessão para as matrículas, teria de ter alguma utilidade: memorizou muito bem todas as tabuadas !
Ganhou um prémio na turminha. Estamos orgulhosos JP. Queremos mais :)

A única advertência foi para ler mais.
Como ele não manipula e o nosso stock de histórias digitalizadas está em baixo, tentamos ler com o mano, mas é sempre uma grande aventura. Saudades das nossas leituras a dois :)

Espaço de reflexão

Sempre adorei vir aqui falar um pouco da nossa vida diferente, mas tão igual. 
Sinto que a nossa experiência foi e é importante para algumas pessoas.

Os meus posts não são muito cuidados. Escrevo em 5 minutos pois tudo está na minha cabeça e, rapidamente, coloco cá para fora. E é um registo que não me arrependo de fazer e, por vezes, gosto de vir cá relembrar.

Deixei de escrever porque, com a aquisição da leitura fluente por parte do JP e algum interesse dele por youtube, blogues e afins, comecei a pensar se ele,

algum dia, se magoaria com o que aqui lesse.
Mas já me arrependi. Tanto que deixei de registar. Tantas coisas boas.

Um dia, o JP,  pediu-me para começar um Blogue dele (e eu acho boa ideia porque será mais uma forma  dele comunicar e de lhe dar voz) mas pus-me logo a pensar que chegaria, rapidamente, a este e inibi-me. 

Mas não se pode mentir. Quanto mais drama fazemos, quanto mais escondemos, mais nos prejudicamos e afastamos até aos nossos filhos.
Quero que ele seja sempre sincero comigo. 
Terei de dar o exemplo e nunca esconder-me. Coração aberto.


O JP, na margem sul, é reconhecido na rua e se vai a uma feira. Conhecem-no e ao blogue e até um pouco da nossa vida. Incomoda-me ? 
Não. 
Sinto-me bem. Está-se bem…


domingo, dezembro 15, 2013

9 anos ....e tanto para dizer.

Continuo a ter tantas e tantas coisas para contar e registar. Mas o tempo vai passando e não o vou fazendo, com muita pena minha.

O João Pedro lá continua, contente, na escola e na sua rotina.

No domingo, 1 de dezembro, teve uma festinha dos seus 9 anos, aqui em casa, só com a namorada (e a sogrinha), a melhor amiga, os nossos vizinhos, o mano , a madrinha , os avós e a Sandra- a sua ex-auxiliar do coração e achei que delirou. Esteve, tremendamente, feliz. Fiquei muito feliz por ele também.

O meu João Pedro ocupa um lugar no meu coração que é muito especial e dificilmente poderia ser preenchido de outra forma. Vê-lo assim feliz, faz-me sentir realizada.

O seu maninho, está uma gracinha, como todos os meninos com 22 meses. Não é o anjinho que eu supunha. Trata muito bem o JP, adora abraçá-lo, dar-lhe beijinhos e brincar com ele, mas percebemos já que luta por atenção nos momentos "completamente proibidos", como sejam a hora do banho do JP e outras em que não posso mesmo deixar de fazer o que estou a fazer, para lhe dar colo. 
De alguma forma quer que lhe mostre que ele tem muita importância mesmo quando o mano está por perto. E tem. 
E tem muito mimo e amor. 
Mas, à sua maneira, tem de ir percebendo os condicionalismos da nossa vida muito própria.

Tenho alturas que sinto que gerir estes momentos deixa-me de cabelos em pé e quase fora de mim. E por isso, apesar de amar, perdidamente, os meus filhotes, nunca poderia ser uma boa full-time Mum. Não fui feita para isto. 

O Rafael está sempre a querer fazer rir os outros. É cómico que se farta. Mas tem de ser sentir à vontade.
Faz carinha de envergonhado quando alguém, que não conhece, se mete com ele.
Não é o sorriso fácil que era o JP.

No campo profissional, posso dizer que virei algumas páginas. 
O que importa é adaptar-me, gostar do que faço e de fazê-lo bem.  E tenho a sorte de gostar do que estou a fazer. 
Por vezes, aquilo que nos pode parecer um trabalho "mais ligeiro", com menos "responsabilidade", surpreende-nos e mostra-nos que, quem leva as coisas a sério, sempre tem os seus stresses e as suas altas fasquias. 
 Resumidamente é assim que andamos por aqui :)


Ah, e não podia deixar de esquecer: Juntem tampas e entreguem-nas no Centro Comercial da Amora (na Amora)…o JP matava-me se não dissesse isto !!! Já juntámos 6 toneladas mas ainda faltam umas 30 toneladas. Ele quer a sua cadeira eléctrica rapidamente.



O JP agradece



quarta-feira, outubro 16, 2013

Lutas

Tem alturas que acho que o volume de informação a colocar aqui é tanta que acabo por não escrever nada. Definitivamente não posso deixar passar tanto tempo.


Levámos mais uma TAMPA !!! 

O Hospital Garcia da Orta não tem €€€ para comprar a cadeira eléctrica do JP. E onde está a novidade ? Pois, esta não é.

Vamos tentar pela SS que já sabemos como é...e não temos nenhuma expectativa.
A empresa onde trabalho, atualmente, resolveu dar uma ajudinha e lançou a campanha para angariar tampinhas e tanto dinheiro quanto possível pois custa mais que um Dacia !!!
Entre nós e a Amarsul alguma coisa se há-de arranjar. Muita fé. É só mais uma luta entre tantas que travamos.

terça-feira, setembro 03, 2013

Todos precisamos de um pilar

Faz hoje 13 anos que casei. 
Conhecemo-nos há 22 mas faz 13 anos que tivemos as condições para dar o passo e construir uma vida juntos. 

Fomos terrivelmente despreocupados, nos primeiros anos de casamento, e recordo como parte dos melhores tempos da minha vida.
Depois veio a avalanche JP. As emoções fortes, a vida real, na sua faceta mais bonita, mas também dura.
Mas estivemos sempre unidos e conservámos o nosso espaço e tempo para a relação. 
Felizmente conseguíamos e isso foi bom.
No entanto dedicámo-nos incrivelmente ao JP e à sua recuperação. 
Seguimos o nosso coração e nem ligávamos quando nos diziam que devíamos ter outro. 
Por vezes diziam de forma ofensiva. 
Como se o JP tivesse vindo "estragado" e não nos desse alegrias. Mas não era verdade e estávamos bem. 

Surgiu o Rafael na fase certa. 
O meu coração estava receptivo e sentia que me poderia dedicar a outro ser. 
E veio mais um sol para a nossa casa. Trouxe um pouco da normalidade do dia a dia, equilibrou-me e mostrou-me que havia um mundo além do JP.
Para o JP teria sido fantástico se tivesse surgido mais cedo e ter-lhe-ia feito muito bem.
Mas para nós, nem por isso.
Agora sim, é mais difícil arranjar o "nosso" tempo e as nossas saídas a dois. 
Mas sabemos que são fases. Aproveitamos cada uma. 

A nossa vida não tem sido um mar de rosas.
Construir e manter uma relação com tantas dificuldades é um desafio, por vezes. 
Mas tem havido muita vontade e amor. 

Felizmente comemoramos mais um ano juntos e espero que venham pelo menos outros 13 melhores ainda do que estes.

Por muita força que tenhamos, todos precisamos de um pilar. Ele tem sido o meu. 





quinta-feira, agosto 29, 2013

A minha Tropa

É mesmo a dobrar. 
Esta semana estou com os dois. Loucura !!!

Um dia terei saudades desta semana, mas, neste momento, parece-me interminável. Não é nada fácil e eles nem sequer
veem o melhor da sua mãe, porque entre o cansaço e os nervos, dou por mim a ser menos paciente e doce do que gostaria (para não dizer pior).
Enquanto oriento  o JP nos TPCs e derrubo a sua constante preguicite, o Rafa pede muito a minha atenção. 
Dividem-se entre as festas que dá ao JP e as pequenas lutas pela atenção e guerrilhas. 
Perto do almoço, já é a fome e o sono do Rafael a falar mais alto e agora sim, o menino tranquilo, chora e berra (como berra). Os meus nervos aí, ficam em pé. 
Tento respirar fundo e pensar em tudo que é positivo sobre estar com eles.
Depois os almoços, a sesta do mais novo  (mais um que luta contra o sono, pelo menos aqui em casa), arrumar a sujeira em que ficou tudo (e já desisti de fazer qualquer outra tarefa doméstica) , preparar tudo para levar o JP à fisioterapia (e vão os dois).

Neste processo todo, tenho como ponto positivo a paciência e colaboração do JP e sentir que está a evoluir em termos de conhecimentos. Neste capítulo, estar com a mãe é sempre uma mais-valia.

Que venha Setembro, bem rápido, o Trabalho, o ATL e a Ama  e com ele as nossas rotinas porque são tão boas (e eu normalmente nem reconheço isso).
Foram umas férias excelentes, felizes e compridas . E acho que eles adoraram.  Missão cumprida.

A tropa das mulheres



Ontem li este artigo e muito me ri.


Ser mãe é a tropa das mulheres

Consigo segurar o biberão com o queixo. Foi uma questão de dias, após o bebé nascer, até descobrir umas quantas tarefas que podem ser feitas com uma só mão. Algumas com dois dedos apenas. Penso que se um dia ficar maneta, safo-me.
Ser mãe é a tropa das mulheres, com recruta mínima de três meses. Cresce a barriga, encolhe a barriga, mas não para o mesmo lugar de antes. Tira a mama, recolhe a mama. Volta a tirar a outra mama, volta a recolher. Dorme, acorda, esteriliza biberões, muda a fralda, mantém-te acordada, amamenta, lava a roupa bolsada, põe a chucha, mantém-te acordada, não-café-não, embala antes a miúda, não-sentada-não, levanta-te, embala de pé, canta, abana-te o mais que puderes, de preferência ligeiramente curvada que ela adormece mais rapidamente. Canta, improvisa: Princesa, princesa / Princesa gorila / Princesa da mãe / Gorila do pai. 
Odeio biberões, não consigo lavar nem mais um sem ter vontade de o esganar. Imagino-me um dia a fazer uma fogueira de biberões e eles todos a chorarem e pedirem-me perdão. 
Sim, os dias assumem tal ritmo que me questiono se terei trocado o Valdispert por um alucinogénio. O banho é o vislumbre de um oásis no deserto com um minuto para o champô, outro para o amaciador e, enquanto este repousa, ensaboo bem o corpinho pois não sei quando terei outra oportunidade. Ao todo, cerca de dois minutos: sempre se poupa na conta da água e não chega para embaciar o espelho. E na alcofa no chão, junto à porta da casa de banho, há um bebé mirone prestes a abrir a goela.
A Zara e até mesmo a loja do chinês estão fora de moda. A farda transforma-se em mamas de fora e pés descalços para não fazer barulho. A sola dos pés está negra, pois não há tempo para limpar o chão. As calças são sempre as mesmas, as únicas que me servem, bolsadas. Se tenho visitas, visto uma das três camisolinhas que acho que me ficam bem.
Por volta das duas da tarde, enfio um iogurte. De preferência com bífidos que ajudam o intestino a ser feliz e, se fizer um cocó bonito, a miúda também faz e já somos três a ser felizes. Ao jantar consigo comer mais um pouco, pois o pai já chegou a casa, mas não como necessariamente melhor, pelo que mantenho o corpinho em forma de pêra madura de Alcobaça. 
Vinho não. Cerveja não. Refrigerantes não. Água. Aquela que acho que poupo no banho, é a que tenho de beber às litradas, disse-me a pediatra e o grupo de mamãs do Google.
Bem-dito cigarro em pausa de tarefas. Sabe a mim, seja lá essa quem for, mas que não é esta mamã com toda a certeza. E quanto mais a outra sou, mais me apetece saber a mim. Quer isto dizer que voltei a fumar. Entre os vários Marlboro, escolho o soft pack, não tanto pelos vinte cêntimos a menos e mais pelo conforto de alma que traz a palavra soft.
Enquanto fumo para finalmente respirar alguma inércia, eis que milhares de pensamentos sobem ao meu cérebro como espermatozoides em direcção ao óvulo. E penso. A profissão mais velha do mundo não é a de puta. É a de mãe. Todas as putas têm a sua mãe.
Ser mãe é uma profissão, é um emprego full-time sem carteira profissional, sem descontos para o Estado, sem Segurança Social. É a profissão ilegítima socialmente mais legal e que transgride todas as leis laborais. Não há horários afixados em lado nenhum, não me pagam horas extra, feriados ou subsídio de alimentação. Só vou para casa quando o trabalho estiver concluído, ou seja, daqui a uns 20 anos.  
E como dizem “ajoelhou, tem de rezar”, quando a miúda dorme, o lar vira igreja, tal o silêncio que se ouve. Reconfortante. E sim, rezo, rezo muito para que se mantenha assim por mais de 15 minutos.
Neste compasso de tempo imagino-me a relaxar comodamente no sofá, a ler sob uma brisa fresquinha ou a fazer qualquer uma das dezenas de coisas que um dia achei que ia fazer durante a licença de maternidade. Imagino-me uma mamã tranquila a ocupar as pausas num jardim, num museu, na esplanada. E enquanto imagino, o tempo passou e um cocó amarelo berra na espreguiçadeira. Termina o silêncio, começa a missa e sei que vou ter de passar pela Avé Maria e pelo Pai Nosso que estais no Céu. Porque aqui não há o sétimo dia de descanso.
Quanto mais dias passam, mais gosto da minha bebé. 
- Podias chamar-te Alice mas não serias tu. Alicinha é a avó e tu és a neta e como primogénita merecias um nome todinho só teu, a estrear. Podias ter todos os outros nomes do mundo que não Laura. Mas só Laura te faz Laura, minha Laura.
*Sofia Anjos, 38 anos, directora de contas numa agência de comunicação, foi mãe pela primeira vez há três meses. 

sábado, agosto 24, 2013

FÉRIAS 2013 EM IMAGENS


Uma imagem vale por mil palavras: banhos nos rios, na praia, piscina (o JP continua a adorar mergulhar e nadar com a cabeça debaixo de água), brincadeiras, corridas nos parques, correr atrás das galinhas, pão quente feito pela avó acabado de sair do forno...faltam apenas os passeios nocturnos em noites de mais de 30º, que ficaram apenas na nossa lembrança.

sexta-feira, agosto 23, 2013

Férias 2013

Foram tudo o que umas férias devem ser : preenchidas com praia, muita, muita piscina, campo e família. 
Mas nem por isso, foram relaxantes.

Com 2 miúdos como estes, relax só em sonhos. 


Mas mudámos de ares, saímos de casa e tivemos o que se quer das férias: convívio, diversão...




O Rafael revelou-se e desabrochou (principalmente na fala).
Tem agora 18 meses. Relaciona-se lindamente com os pares e tem alguma vergonha de alguns adultos, mas é simpático apesar de não ser tão sociável quanto o JP.

O rapaz só quer é correr o tempo todo e palrar também. Andou delirante com tanta companhia dos papás.

É um menino incrível. 
Apaixonante e muito amigo do mano.
E o JP sempre de olho nele a protegê-lo.

O JP queria, principalmente, feiras e saídas noturnas.  Passeios, conversas e aprender sobre tudo.

Gostava de ter trabalhado mais com ele mas chegava cansado à noite, principalmente nos dias de praia e piscina. 
Manteve a fisioterapia, mas como também fomos para fora teve a sua merecida pausa nas terapias.
Estou prontérrima para mais um ano de labuta, mas antes disso tenho ainda uma semaninha com os dois para aproveitar e fazer trabalhos  de casa com o JP, leituras e muitas brincadeiras a 3 (que o papá já vai trabalhar).

quinta-feira, agosto 01, 2013

3º ANO e as nossas férias



Correu tudo bem neste ano letivo e o JP já transitou para o 3º ano. 
Teve festa na escola, teve férias e atividades no ATL, tem sido em cheio…
O próximo ano será um ano mais exigente e cá estaremos para dar todo o acompanhamento que, naturalmente, precisará, mas a vida faz-se ganhando cada etapa e batalha de cada vez e por isso, podemos dizer: Esta prova foi superada.

Estas férias serão um momento para estarmos mais juntos e descontraídos. 
O Rafael está um piolho elétrico que se julga um palhacito. E é tão cómico…
Dar praia a estes dois (que eles adoram) não é a coisa mais "zen" deste mundo, mas daremos o nosso melhor.
Este tempo, em família, começa hoje e prolonga-se, intercaladamente, até ao último dia de Agosto. Intercaladamente, porque não vai ser possível desligar do trabalho. Mas creio que o suficiente para nos dar toda a força, garra e motivação que precisamos todos para o resto do ano.





terça-feira, junho 18, 2013

Finalmente as férias (para o JP)

Este ano as férias eram aguardadas com imenso entusiasmo pelo JP. 

Ontem estava eufórico quando foi para o ATL, pois era o primeiro dia de férias. A ideia de ir para a piscina (lá no ATL), praia e estar todo o dia com parte dos colegas de escola, outros amigos e a sua "namorada" estavam a deixá-lo muito entusiasmado.
Porém, no fim do dia, vinha um bocadinho triste para casa. Caiu-lhe a "ficha". 
Tinha muitas saudades da sua auxiliar "Sandra" e, assim que chegou a casa, ligou-lhe pelo telemóvel dele (através do computador). 
Imagino que este afastamento, depois de um ano letivo inteiro de convivência, seja difícil.

Teremos de ir falando pelo Skype e ir combinando umas horinhas ao fim de semana pois esta amizade foi mesmo "daquelas "a valer". E daquelas que duram...(espero).

Tem novos interesses. Quer passar horas a ver futebol. Quer também jogar à bola e lá jogamos de uma forma que requer alguma imaginação. 
Queria também aproveitar estas férias para que o JP fizesse mais algumas terapias, mas ao contrário de quando era pequeno, cada vez é mais difícil convencê-lo. Ele colabora nas que tem mas também gosta de ter os seus dias para brincar. 
E se ele está bem integrado e se é bem recebido por todos. 
Fico mesmo contente por isso. São, genuinamente, amigos, incluem-no e recebem-no com entusiasmo. Fico completamente tranquila.

O Rafinha está muito giro. Brinca muito com o JP, palra cada vez mais, mas é tímido (no início) com adultos. Precisava de ir para um colégio grande, como foi o JP. 
Mas por mais que me custe, ainda não temos estabilidade financeira e não conseguimos suportar.

Eu também cá ando. As avaliações imobiliárias estão a escassear e abracei outros desafios que são para aprender ao máximo. E assim cá andamos a registar as nossas novidades para quem tiver interesse. Obrigado a quem segue e comenta tantos e tantos anos depois…


sexta-feira, maio 31, 2013

Mais crescido

Cheguei a ter receio que não levasse os testes a sério. Fizesse uma birra.
Uma daquelas coisas comportamentais tão típicas dele.
Fico contente por não ter tido essa informação. Acho que esteve empenhado.

Comigo esforçou-se bastante, senti-o mais crescido e acredito que na realização dos testes também. 

Hoje, apesar de todas as adversidades, sinto que superámos uma qualquer prova de fogo.
Estou ansiosa por perceber o feedback no fim deste ano letivo.
Orgulhosa do meu JP.


A minha maior surpresa relativamente ao testes intermédios


É que o JP adorou estudar comigo. E eu com ele.
Os testes lá formam adaptados para computador e iguais ao da restante turma.

O teste intermédio de Português correu mais ou menos. 
O de matemática, correu bem a primeira parte e a segunda mais ou menos. 

Mas durante o estudo comigo notei que aprendeu imenso. Três conclusões posso tirar:

- o rapaz aprende com relativa facilidade.

- A fase de brincar com bonecos e imaginar veio no Pedro mais tarde, quando a Comunicação aumentativa estava consolidada. 
Talvez seja a justificação para a falta de imaginação para conseguir realizar composições.

- Muita falta de concentração. Notei que conseguia realizar contas e raciocínios elaborados mas depois faltava noções simples como "metade". Provavelmente teria passado um passarinho por ali, quando a professora explicou na sala de aula. Seja como for, pareceu assimilar rapidamente.
Ou seja, aprende bem, mas pior é captar a atenção.

Hoje ficámos a saber que para a semana temos os testes normais.
E eu disse: "Bem, então vamos continuar a estudar" e ele sorriu tão contente...
Só por isso, ganhei o dia !!!

Os testes intermédios

Como não podia deixar de ser mais uma saga "daquelas" para me arreliar…

Estava tudo assegurado, havia meses que vinham com uma semana de antecedência para serem "adaptados", atempadamente, pelas professoras. 
Não seriam iguais, mas muito equivalentes. Estava combinado há meses, de facto, mas na véspera nem sequer sinais dele. Vieram apenas os normais. 
Quando se questionou, responderam que as professoras, de segunda para terça, adaptassem. 

Mas as coisas não funcionam assim e nem tudo é fácil de adaptar…

Claro...vai de mail da mãe para o GAVE. Tive resposta. Sim, já tive, apenas para registar que me iriam dar uma resposta mais tarde e pela informação que o GAVE tinha, ele realizaria os testes.

O João Pedro realizou ambos os testes no dia mas graças à grande boa vontade das professoras que o acompanham…

E assim vamos neste país. Tudo em cima do joelho, e à espera que ninguém falhe na boa vontade.


segunda-feira, maio 20, 2013

Amizade Fraternal

Uma das coisas mais bonitas que existe é uma amizade assim entre irmãos. 
O Rafael faz festas na cabeça do JP, abraça-o longamente e todo ele é ternura quando olha para o seu mano mais velho.

O JP tem uma adoração quase paternal pelo bebé que ele viu crescer na minha barriga, com quem falou quase 9 meses através da minha pele e todo ele é orgulho e admiração pelo seu compincha.

É puro amor. 


O Rafael é um bebé ativo, sempre disposto a ajudar. Quando me vê a fazer alguma coisa, tenta ajudar. Claro que ainda atrapalha mais do que ajuda, mas é tão delicioso ver a atitude voluntariosa dele...acho que vai ser uma pessoa muito bonita.
Dá uns abracinhos muito revigorantes e que nos faz ter força para TUDO.

O JP adora o Rafael e se vai para a escola sem o ver, diz-me logo que tem saudades.


Espero que mantenham esta amizade para toda a VIDA !


Melhorias no comportamento

Depois de ler as informações da avaliação no segundo período, percebi que o JP continuava com irregularidades no humor e que o comportamento estava muito aquém de tudo o que revelava, em termos de aprendizagem. A aprendizagem era mais do que suficiente e o comportamento rasava o inaceitável.
De qualquer forma, aqui em casa também achávamos que muitas birras não eram, minimamente, condizentes com a sua idade e maturidade noutras áreas.

Acabei por fazer a vontade ao meu marido e implementar aqui em casa, um sistema parecido com o da escola. 
Endurecemos de vez.

Uma bola vermelha (uma má informação da escola ou ATL), não tem uma certa regalia que ele gosta. 
À segunda bola vermelha (segundo mau comportamento ou birra), não pode ver mails, nem nada com internet (incluindo Skype). 
Antes já tínhamos castigos mas não éramos muito organizados e consistentes neste capítulo.

É um facto que passou a haver muitas noites em que já nem vai ao computador. 
Mas ele parece-me agora mais estável e melhor comportado. 
Pelo menos aqui em casa melhorou, francamente. Até tem alturas que parece ainda mais meigo e feliz.


Creio que também está mais motivado e empenhado na escola.
Aguardamos para ver se teve os efeitos pretendidos por lá, mas eu acredito que sim.

Temos andado a preparar-nos para os testes intermédios, que ele terá no fim deste mês.
Ando a ensinar a estudar, que é muito importante.

Ele, em muitas coisas, é apenas um miúdo normal.
Nós é que nos esquecemos disso…


15 meses- o que o Rafael já diz

Em cada dia aumenta o seu vocabulário.

O Rafael já diz:

- "mamã"
- "Dé"-papá
- Peixe - peixe
- "bó" - bola
- "tau-tau"- tau-tau
-"avó"- avó
- "mé-mé"- quando quer mama
- "Bau" - miau (ou seja o nosso gato)
- "bou-bou"- cão
- Pé- pé
- Pó-pó - carro
- Filho - Filho


e algumas palavritas mais...muito deliciosas para os nossos ouvidos.

Diz que o cão faz "bou-bou" , o Gato faz "Bauuuu" e a vaca "Muuuuuuuu !"

Já come o iogurte com a colher sozinho, sobe e desce degraus e está desafiador.
Um regalo.

quinta-feira, maio 09, 2013

Um trambolhão grave

Apenas registo aqui e nem vou aceitar comentários.

A 9 de Maio, o JP sofreu um valente trambolhão na escola. 
Deve ter sido por pouco que não partiu um maxilar. 
Mas saltou-lhe um dente (que felizmente era de leite). Também cortou o lábio, o que originou um mar de sangue. Ensopou a t-shirt até ao umbigo.
Eu tive de ser forte, muito forte. Nem acreditava que fosse tanto. 
Parecia bem e ele viu-me calma.
Fomos para as urgências. Tudo aquilo custou muito.

No dia seguinte, eu estava toda dorida, no corpo, e muito embaixo. Parecia que nem reagia.
Nem sequer vou falar mais disto. 
As pessoas envolvidas são amigas e foi um golpe duro tudo o que aconteceu. 

Já passou, aprendemos, e queira Deus que nunca mais se repita.


terça-feira, abril 30, 2013

Inclusão nas escolas e fora delas

Tem sido muito divertido levar os dois a passear. 

O Rafael desde que tenha uma bola brinca por horas no parque. 
Por ser tão pequenino, loirinho e desenrascado atrai a atenção.

No outro dia, um casal com 3 filhos,  sendo dois mais da idade do JP e outro da do Rafa, juntou-se a nós e começámos a conversar. 
Apesar de haver uma ligeira irritação inicial da minha parte, pois mesmo depois de eu referir várias vezes que o JP percebia tudo e até dele comunicar com as pessoas, insistiam falar com ele como se fala para um bebé. 
Mas eram boas pessoas, não estavam a fazer por mal e, no fim do encontro, já tinham percebido como era o JP e como falar para ele. 
Os filhos da idade do JP não interagiram muito, mas agiram naturalmente. Sem demasiada observação nem estranheza. 
Provavelmente não saberiam como fazer, mas acredito que com estes exemplos, venham um dia a interagir melhor.

No entanto, não vou esquecer, a receção que o JP teve um dia numa festa, onde os meninos (que já estavam habituados a lidar com outro menino de características semelhantes) o receberam como igual e até contei aqui
Até no caderno pegaram e falaram com ele.

Por isso tudo, pelo JP e por todos os "normais" espero que a escola inclusiva nunca deixe de existir. 
Sei que se preparam coisas nos bastidores para que ela deixe de existir. Vamos deixar ?
Porque se a escola inclusiva deixar de existir, vamos andar para trás muitos anos. 
Voltamos à exclusão social, à intolerância...aos guetos.  
É tão lamentável e triste. Nem tenho palavras.


segunda-feira, abril 29, 2013

Esta manhã


Depois de um longo fim de semana, esta manhã disse ao Rafinha que ia para a Ama. 
Ao que ele abana a cabeça e responde com um " NÃO", bem redondo. 

Já o JP, queria assegurar-se comigo que o ia buscar o mais tarde possível, já que a namorada vai estar no ATL, até às 19 h. Hoje não terá sorte.

Duas fases distintas dos meus filhos. 


segunda-feira, abril 22, 2013

De facto, os adultos são mesmo chatos e dramáticos

E mais uma daquelas provas de fogo, superadas.

Durante meses imaginei como seria. 
Fiz o filme na minha cabeça e depois revi vezes, sem conta, analisando as possíveis reações do JP. De umas vezes imaginava com mais lágrimas e dor. De outras mais otimista. 
Mas o facto é que, das últimas vezes que passeámos juntos, evitei que o Rafael andasse muito no chão.

Neste sábado, fui com os 2 à hipoterapia, visto que a madrinha do JP, que costuma levá-lo, estava para fora. Com aquela manhã solarenga, foi impossível resistir não ir a um parque. E fomos mesmo. 
Peguei num pãozinho para dar de comer aos patinhos que estão sempre por ali. Mas qual pão…

Assim que viu os patos, o Rafa começou a correr atrás deles. E como corre depressa !
E eu olhava para o JP, tentando perceber a reação dele... sentir-se-ia triste por ser incapaz de fazer o mesmo. Teria inveja ?

Não ! 
Mãe, empurra a cadeira, por favor,  estamos a ficar para trás !!!

Quase senti vergonha de estar a complicar a coisa.

E lá corremos os três atrás dos patos …

domingo, abril 21, 2013

As Jornadas de Tecnologias na Reabilitação

Correram bem.

Inevitavelmente sentia-me nervosa, não gosto, nem um pouco, de falar em público...quase arrependida de ter aceite, mas tudo passou no momento que comecei a falar. 80 pessoas. Maioritariamente, eram médicos e terapeutas, embora estivessem lá alguns pais.

Levei um powerpoint com alguns vídeos giros e divertidos e, mais importante, do que isso: exemplificativos, do JP a usar o caderno, a usar o GRID com varrimento e também 2 a usar o Magic eye e foi o JP quem fez o brilharete :) 

Os meus curtos 20 minutos, literalmente, voaram e fiquei mesmo contente quando vieram ter comigo e disseram que o meu testemunho os motivou. E, só isso, já valeu a minha ansiedade e fez com que pensasse que, enquanto acharem o meu testemunho uma mais-valia, eu estarei disponível.

Aprendi também  um pouco mais sobre o Magic eye no Workshop.
Vai ser precioso para a matemática no 3º ano.

Não me esqueci de agradecer às 3 entidades que mais me ajudaram neste percurso:
- A Equipa da Utaac do CRPCCG ( Dra. Margarida, Anabela, Agostinha e Manela, um beijo e jamais vos esqueceremos !!!)
- À Fundação PT por ter cedido o computador, Grid, Improman para o JP - material que veio numa altura em que fiquei desempregada e não me era de todo possível adquirir.
- Ao CDC do HGO por ceder o sistema para treino do MAGIC EYE ao JP

e às duas fantásticas professoras (ensino normal e especial) que acompanham o  JP, no terreno, e às duas auxiliares que estiveram com ele e tornam tudo possível.

Quem quiser saber mais sobre o Magic eye - aqui.

quinta-feira, abril 18, 2013

Falar com os filhos...mesmo com os que não falam

Amanhã vou falar sobre a experiência da comunicação aumentativa com o JP, no Hospital Garcia da Orta. 

Ao preparar a apresentação tive de refletir sobre o enorme caminho, até agora. Mas apesar da imensa dor que já vivenciei, a verdade é que, de certa forma, eu sei que esta nossa vida é bonita do jeito, exatamente, como ela é. 

Eu gostaria que o JP verbalizasse, mas ele não o faz. Ponto final. 
Mas todos os dias me "conta" coisas e às vezes até tenho mesmo de "cortar" a conversa. 
Demorei imenso a aprender que apesar de injusto (porque naturalmente já tem muitas !) , o JP, também tem de aceitar as frustrações comunicativas, porque as frustrações fazem parte da vida e na escola e nos outros lugares, ele não tem os pais, sempre dispostos a ir até á última. 
Encontrar o equilíbrio entre não magoá-lo com frustrações (porque, naturalmente, já tem muitas !) e deixá-lo vivenciar a realidade, é uma tarefa dura para qualquer pai e mãe. 
Ainda o é mais para os pais de meninos com necessidades educativas especiais.

É ao jantar e ao pequeno almoço que o JP mais gosta de conversar.  
E fá-lo com tanto entusiasmo como, por vezes, nem vejo outros meninos fazerem. 
Sei que há coisas que ainda ficam por dizer. Mas diz-nos muito mais do que se poderia pensar para um menino que não fala. Conta coisas nossas na escola e coisas das pessoas da escola em casa. 
Até lhe chamamos "a velha que sabe tudo" porque é "alcoviteiro".

Recordando os dias após o nascimento dele, só penso que Deus me deu aquilo que eu tanto queria.
Não pedi muito. 
Queria que o meu filho sentisse, tivesse consciência, soubesse rir e chorar. E tive isso e mais. Tem um sorriso lindo e inspirador.
Todo ele é amor e carinho. E teve em quantidade obscenas. 
Talvez por causa disso, o seu comportamento (não o desempenho) escolar, está longe de ser exemplar. 
Nunca é fácil admitir que o superprotegi, mas é lógico que o fiz. Infelizmente. Agora lamento.

Mas ele é um super-herói desta vida e uma inspiração que me dá muita força. É um orgulho para mim.



sexta-feira, abril 12, 2013

Avanços e Recuos


Assim é a nossa vida. Assim é o desenvolvimento das crianças.

Há semanas atrás, o Rafa era um menino que descia da cama com cuidado. Subia e descia o sofá, mas merecia a nossa confiança.
Parecia ter a lição estudada. 
Agora, julga-se o super-homem e atira-se, assim sem avisar. 
Em 3 dias, vários galos na cabeça,  mil olhos de serviço e vários corações, em sobressalto.

A vida também é assim mesmo e as relações humanas. 
Avança, pára, recua...avança...recua.