quinta-feira, junho 29, 2006

Dia de S. Pedro

Hoje é dia de São Pedro. De todos os santinhos, é o que mais gosto. Abre as portas do céu, não é? Se eu for para lá, vou conhecê-lo, mas oxalá que seja daqui a muito tempo... 

Tenho sempre receio de contar as novidades boas, com medo que elas não perdurem, mas estou feliz. Há muito que o JP apontava com a mão o que queria... mas não o fazia com o polegar, mas agora faz! Para grande parte das mães, isto é vulgar acontecer a partir dos oito meses, mas o meu menino tem a 'máquina' a refazer os circuitos, fará tudo com muito atraso. 

Para mim, estas pequenas conquistas dele, têm o sabor de vitória, fico muito orgulhosa e feliz. Noto também que ele já entende quase tudo. Compreende as conversas, as histórias... está um espertalhão! Um verdadeiro menino! Bebé!? NÃO HÁ... :-( mas é também uma fase encantadora. 

Cheia de trabalhinho a despachar para ir de férias descansada, ando um pouco ausente, mas deixo aqui uma nota: o fundo preto felizmente não reflete o meu estado emocional. Foi uma opção estética.

ADENDA: deve ser do cansaço... Qual polegar!? Indicador! Ai, ai, a minha cabeça!

terça-feira, junho 27, 2006

Os mistérios das amizades da blogosfera

Será a blogosfera superficial? Estas amizades quanto valem? Entre tanta gente que conhecemos, há algumas que, pela maneira de se expressarem, nos tocam. E porque nem nos conhecemos, até nos abrimos muito mais… Expressamos muitas vezes os nossos sentimentos mais lamechas, mais 'patetas'.

A minha vida profissional obriga-me a ser uma mulher 'dura', onde não há lugar para lamentações, nem medos nem lamechices... E de facto, ninguém me conhece sensível… nem devem. Então o meu escape são os amigos e aqui a blogosfera, onde leio as vossas palavras doces comentando assuntos tão 'patetas' como sejam os chichis, os cocós e as fraldas, os feitos dos vossos amores, etc (eh, eh!)

No entanto posso dizer que duas das minhas mais recentes amizades e mais fortes foram feitas aqui na blogosfera. Um beijo do tamanho do mundo para elas, pois já não passo sem uma e sem a outra. E para mim, já são bem reais. Felizmente deixaram de ser virtuais.

Inspirada nos post de duas meninas que não dispenso visitar (uma delas fui eu, como ela já referiu), que a incentivei a fazer um blog sobre a vida dela (agora já sei que eu estava errada, devia tê-la aconselhado a fazer um filme de suspense…) e outra é uma mãe como todas nós apaixonada pelo seu docinho. Esta mamã deixou-me sem mais nada para dizer. Leiam, está lindo e revejo-me muito neste post tão doce!

Um dia bom como os outros

Um bom dia para mim, para além do fim de semana, é aquele em que eu vou buscar o meu amor pequenino ao colégio e ele ao ver-me, lança-me aquele sorriso feliz e apaixonado. Quando não consigo ser eu a ir buscá-lo, encanta-me chegar a casa e ouvir, mal meto a chave na porta, um grito de alegria do JP e quatro olhos brilhantes a olharem para mim... os dele e os do papá. E depois aproveitarmos os três aquelas duas a três horinhas que nos restam até ele ir para o seu soninho.

A ausência aviva o amor, a presença fortalece-o! 

domingo, junho 25, 2006

Ganhámos! - Mundial-2006

Podem comemorar baixinho, por favor? Tenho um puto a tentar dormir... :-) 

 Ganhámos(em sussurro...)

sábado, junho 24, 2006

Mudança

Há dias em que me apetece mudar. Pode ser de visual, de mobília, mas não de marido e muito menos de filho... :-) Mudar só alguns pormenores, para não ser sempre igual. As minhas grandes vítimas costumavam ser os meus cabelos, mas desta vez foi aqui o nosso cantinho.

Hoje já nadámos 1 hora... O JP anda eufórico com os mergulhos. Derreto-me toda que nem manteiga ao sol quando oiço as suas gargalhadas!

E porque ainda o fim de semana está a começar e por aqui não há grandes ressacas do S. João, vamos brincar muito e relaxar.

quinta-feira, junho 22, 2006

Coração aberto

Confio na intuição de uma mãe. Conseguimos escutar tanto o nosso interior, quanto o interior dos nossos meninos. Passamos muito tempo a procurar fora respostas para as nossas inquietações e um dia descobrimos que as respostas sempre estiveram connosco. Aprendemos a ler no silêncio, a escrutinar os sinais, a viver as inquietudes e a sentir as alegrias. 

Eu estou feliz porque a minha intuição de mãe diz que estou no bom caminho. O meu JP é feliz. E também eu. 

Tenho usufruído de muito mais calor nos relacionamentos, enorme emoção nas vitórias e uma força poderosa para esmagar as contrariedades. A todos os que me dão calor humano e uma palavra de carinho, os que me criticam de forma positiva ou os que simplesmente me dão uma opinião honesta, eu agradeço do fundo do meu coração. Ajudam mesmo muito!

quarta-feira, junho 21, 2006

Orgulhosa

Ontem foi um dia delicioso. O JP tinha marcada uma avaliação na APPC - Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral. Foi acompanhado dos papás e da sua fisioterapeuta. O objetivo desta avaliação pedida pela fisiatra do JP seria a de vir ter acesso a recursos importantes menos disponíveis nos hospitais, tais como software lúdico e brinquedos adaptados, para que não haja prejuízo da capacidade cognitiva por falta de experiências motoras, nem excessivas frustrações no ato da brincadeira.

Assisti à avaliação e até eu fiquei surpreendida com o que ele demostrou saber, com a alegria e a vontade de comunicar demonstrada. Tive a sensação que ele 'enfeitiçou' as terapeutas. Foi com muito orgulho que ouvi: "Ele é um menino com grande potencial. Vale muito a pena começar desde já a desenvolvê-lo ao máximo. Temos de o ajudar a não ter frustrações comunicativas. Ensinar outras formas de comunicar enquanto não fala, por recurso a software e símbolos. Isto não irá fazer que ele atrase a verbalização, mas naturalmente demorará também a fazê-lo. Começará a vir aqui 2 vezes por semana(ao que parece, é raro surgirem estes convites, nem pertencemos àquela zona…)

Sabe tão bem ouvir coisas assim positivas. Foi música para os meus ouvidos. Sabemos que o problema dele normalmente atrasa a aquisição da fala e muitas vezes impossibilita-a. Acredito que ele apenas se atrasará e que eventualmente venha a precisar de terapia da fala. Mas sou otimista!

É um facto que ele já tem atividades a mais, mas esta é importante. E muito. Possivelmente terei de equacionar suprimir uma outra.

O meu coração de mãe transborda. Eu achar o JP inteligente é normal, sou mãe dele e as mães são sempre suspeitas. Mas dito por outra pessoa com qualificações para fazer um juízo mais fundamentado… Deixou-me mesmo feliz!

segunda-feira, junho 19, 2006

Atestei o depósito das emoções

Não sou uma pessoa pessimista. Será possível, perante toda adversidade da minha vida, eu me achar uma pessoa com sorte? Mas é assim. Eu dou graças, nem sei bem a quem, porque ainda não consegui fazer as pazes com Deus pela minha vida. E pela minha família, amigos, realizações... Mas o tempo que apanho em férias é sempre o mesmo: muito mau e também fica sempre bom no dia de voltar para casa. Por isso, se não quiserem tirar férias com mau tempo, perguntem-me quando vou! OK, digo já, este ano vou na segunda quinzena do próximo mês. Não tirem férias nessa altura!

Mas tirando esta parte, que para mim não foi de grande importância, as férias foram exatamente como pretendia: calmas, tranquilas, reparadoras e 'enchi-me' do meu pequenino que está cada dia que passa mais fascinante. O mundo está cheio de objetos, pessoas, atividades engraçadas e ele não quer perder pitada. Por isso dou comigo a pensar no que ele já faria se pudesse andar... Grande erro! Na verdade, às vezes apercebo-me do longo caminho que ele ainda tem pela frente... As aquisições demoram a aparecer, que quando aparecem nem dou por elas! A caminhada vislumbra-se longa, por isso mantenho o passo constante e contorno os obstáculos. Começo a pensar que o caminho é tão interessante, quanto o objetivo.

Algo mais que estas férias me trouxeram foram convicções sobre a educação do meu JP. Ainda me dividia entre poupá-lo ao máximo às frustrações ou deixá-lo encarar as mesmas. Optei pela segunda via. Sempre soube que o devia educar como todos as outras crianças, sem distinção, mas perante a possibilidade de vê-lo sofrer ao se aperceber de algumas limitações ainda existentes, eu receava. Agora acredito que ele deverá ser exposto ao que tiver de ser, embora ainda pondere atenuá-las ligeiramente... As crianças têm formas muito positivas de encarar as dificuldades. E eu estarei ao seu lado para o acompanhar na caminhada e o motivar.

Hoje começa a nossa deliciosa rotina e voltei cheia de vontade de recomeçá-la. Venha a natação, a fisioterapia, a hipoterapia e os minutos ao final do dia juntos, a sós, a deliciarmo-nos um do outro e com o papá. Venham os habituais problemas para solucionar no trabalho, soluções engenhosas ou improvisadas e arriscadas... estou novamente pronta!

Adenda: não me considero uma mãe coragem. A coragem que tenho 'teve' de ser arranjada. Perante as dificuldades, ou enfiamos a cabeça na areia ou as enfrentamos de frente. Eu optei por encarar e expor a nossa história porque eu acho-a diferente e deliciosa. É também encorajador derrubar tabus relacionados com mães de meninos diferentes. Perante o que a vida nos oferece, podemos retirar experiências maravilhosas, cheias de emoção e gratificação. Mas agradeço muito a quem me considera uma "mãe coragem". Obrigada pela admiração. Não vou contestar, mas de facto não me sinto merecedora de tal título. Acredito que muitas de vós teriam atitudes como a minha, caso se viessem a ser confrontadas com problemas semelhantes.

sexta-feira, junho 09, 2006

--> Falta o título

Hoje espera-me um dia muito intenso, o último de trabalho antes de ir de férias de uma semana para a praia. Mas vou trabalhar com muito afinco, deixar tudo pronto para ir muito tranquila. Quero estar com os meus dois homens despreocupadamente e saborear cada minuto. 

Constatei ontem que o JP está a fazer grandes progressos, mesmo a nível motor. O seu equilíbrio está a melhorar de dia para dia, e cada vez mais consegue fazer pequeninas coisas, como rebolar, aguentar-se mais tempo sentado e virar as páginas do livro... São pequenas grandes vitórias para nós, pois já dizia o outro: Devagar se vai ao longe, não é?

quarta-feira, junho 07, 2006

Viver o presente

Hoje, depois de uma hora de estimulação cognitiva com a terapeuta da Diferença, dei por mim a pensar que continuo sem saber até que ponto estará o destino traçado...

Mas uma coisa é certa, não pude ficar parada a vê-lo desenrolar-se! Não abdico do que sei que faz bem ao meu filhote. Dispus-me a dar pequenos passos de cada vez, envolvi-me neste sonho do meu filho vir a recuperar o melhor possível e aprendi a cultivar diariamente os meus objetivos. Todos os dias tenho novas ideias, novas descobertas... Honro cada instante e o único momento que tenho é o Agora! O Agora é ainda melhor quando estou com o meu filho. Estou sempre disponível para brincar pelo prazer da brincadeira tanto como vivo pelo prazer de viver. Estou muito apaixonada pelo JP e ele por mim! A cereja no topo do bolo é o papá que é incrivelmente meigo e atencioso connosco. A nossa vida está repleta de luz, força e amor. Que perdurem para que o meu JP cresça em harmonia, este é o meu desejo. 

terça-feira, junho 06, 2006

Balanço de dois meses de blog

Hoje faz dois meses que coloquei o primeiro post. Confesso que foi por brincadeira, pois tinha sido necessário criar uma identidade no Blogger para comentar o blog de uma amiga e acabei por aproveitar e postar qualquer coisa, nem pensei que viesse a ter comentários. Olho para trás e descubro muita coisa positiva. Embora as evoluções do meu JP não sejam muito notórias (diz mais uma ou duas palavras e tem um pouquito mais de força nas costas, o que é bastante importante), fiz amigos. Alguns amigos da Net... sabemos um pouco uns dos outros e é giro, mas outros que fiz, considero Amigos de verdade. No caso, amigas, mães como eu. E tenho retirado muita coisa positiva. De facto, há casos em que os blogs podem até ajudar muito. Eu terei sempre prazer em conhecer e elucidar no que for capaz outras mães que venham aqui parar por problemas semelhantes aos meus. Gosto de ajudar. Temos de nos ajudar uns aos outros, já que a medicina não está assim tão evoluída e nem os médicos sabem pelo que passamos. 
Por outro lado, acaba por ser uma forma de desabafar, trocar experiências e até ajudar. E é isto que eu queria dizer. 

Sobre a ética dos blogs, pouco sei. Faço o que me apetece. Mas uma coisa sei: se para uns é para brincar e ser divertido (incluo-me aqui), outros há que são sérios. E que nós espreitamos para saber se tudo corre bem, dar uma força e um pouco da nossa amizade. Mas depois vemos cada uma...

segunda-feira, junho 05, 2006

Ciúmes: mais uma cena

Encontrei esta imagem num blog bem interessante! De arte, só sei dizer que gosto ou que não gosto. Depois de eleger a imagem preferida, vi que se intitulava 'Reviravolta'. Que pontaria! Acertei em cheio. Tem tudo a ver comigo. E esta, hein!?

A uma semana de tirar umas miniférias, só posso estar bem-disposta! Vamos para a praia e interromper as rotinas e terapias por uma semana.
O JP ainda não está 100%. Os dentinhos estão mesmo a incomodá-lo. Porém, quando está bem, rir é a palavra de ordem.

Este fim de semana voltou a fazer uma cena de ciúmes à mamã. Desta vez por causa de um cão que a mamã segurou no colinho. Um autêntico bonequinho, um Yorkshire Terrier bebé que a mamã anda a negociar com o papá trazer para a nossa casa e, pelo visto, tenho mais um a opor-se: o ciumento!

sexta-feira, junho 02, 2006

Salvos pelo Noddy

A comemoração dos 18 meses não correu como planeado. Tínhamos pensado em oferecer uma piscina pequena cheia de bolas lá dentro como a que ele tem no colégio e onde ri à gargalhada, tínhamos outra prenda, o volante bilingue da Chicco, mas, enfim, o grilinho chegou do colégio com uma neura... Passou todo o dia bem lá, mas chegou a casa e ou foram queixinhas surgidas pelo caminho ou sente-se mais à vontade para se queixar em casa... Até rangia os dentinhos e desatava a chorar. Estes queixais, ou lá o raio como se chamam, andam mesmo a incomodá-lo. Resultado: a mamã tentou adormecer o menino (uma sesta tardia por volta das 19.30 h), e ela ainda dormiu primeiro que ele e só acordou quando ele estava já deitado (também adormeceu cedo...) Valeu o papá. Cada vez penso mais que isto de criar expectativas com os acontecimentos não vale muito a pena. O Dia da Criança é todos os dias. E todos os dias ele comemora um dia a mais neste mundo. Vamos é comemorar todos os dias!

Notinha de rodapé: para deixar de chorar passeámos com ele, vimos livros juntos (esta do livro é tiro e queda, acalma-se logo, mas não funcionou), dei-lhe carinhos e nada resultou. Segundo contou o papá, bastou pôr o Noddy que o puto calou-se e nunca mais se queixou, esqueceu-se que lhe doíam os dentinhos. Não sou nada fã de os pôr a ver TV com esta idade, só uso o Noddy de manhã para me despachar sem o ter à perna (não passam de 15 minutinhos diários...) Vocês o que acham?

quinta-feira, junho 01, 2006

18 meses do Grilinho

Hoje é um dia muito especial para as mães dos pequeninos seres a que chamamos crianças! Eu tenho outra razão para comemorar: o meu grilinho faz hoje 18 meses. E é com orgulho que prepararei as suas surpresas. 

Espero que estes 18 meses tenham sido muito felizes para ti, meu filho. Ser mãe foi a maior e mais emocionante aprendizagem da minha vida e o amor que tenho por ti cresce de dia para dia. Mais uma vez te enalteço, mais uma vez te digo que quero que vivas esta aventura da vida por muitos e muitos anos e que sejas muito feliz.

terça-feira, maio 30, 2006

Há um destino? Há sempre uma razão para tudo?

Será a vida aleatória? Se não é, quem sabe as suas leis? Quem conhece o seu manual de instruções? Somos levados numa espiral de acontecimentos e encontramo-nos em situações que nunca poderíamos sonhar experimentar.
Uma das maiores aprendizagens da minha vida (e justamente por causa do JP) foi aprender a abrir o meu coração. Ele foi a oportunidade de eu encontrar um caminho muito diferente daquele que seguia. Conheci paisagens muito diferentes das que julgava ir ver, mas aprendi a apreciá-las e a apreciar viver um dia de cada vez. As portas de uma série de novas, maravilhosas e gratificantes amizades naturalmente abriram-se, no meio do turbilhão de sentimentos, alegrias e angústias. Hoje disfruto melhor da essência da vida. Não vejo problemas onde eles não existem, as minhas relações são mais intensas e mais fortes do que nunca e acredito que estou num belo processo de evolução. Obrigado, filho, por existires e por seres tão maravilhoso como eu acredito que és!

domingo, maio 28, 2006

Birrinhas e não só...

Hoje é uma segunda-feira diferente das outras. Depois de uma notícia assim, ilumina-se sempre algo dentro de nós e ficamos felizes pelos outros, não é? Deve ser o que se chama o milagre da vida. Ficamos tristes quando alguém, mesmo que não a conheçamos, morre e para compensar ficamos felizes quando sabemos novidades destas. O fim de semana foi maravilhoso e como todos os outros soube a pouco. Mas disfrutei muito dos meus homens e foi muito divertido. O meu pequenino foi andar a cavalo, nadou, passeou muito, brincou com a mamã, brincou com o papá, brincou com a bola, viu muitos livros, porque é doido por eles. E fez pequeninas birras. Sim, porque definitivamente entrámos nesta fase... Ups! Já não há dúvidas. Bem, lá vou ter de iniciar a fase da 'disciplina'. Vou reler uns quantos artigos, mas sinto que sei o que fazer, pior é que chega a hora e o coração amolece... Mas, não, tenho de ser um tanto ou quanto mais firme. Pronto, digamos que possuo o conhecimento teórico. Esperemos que não 'chumbe' na prática, eh, eh, eh!

sexta-feira, maio 26, 2006

Mundo agridoce

O meu filho foi desejado. Já era especial, ainda antes de ser concebido, fruto de uma paixão grande e consolidada, feito com muito amor. Quando tive a confirmação da gravidez, foram tempos muito felizes. Nunca pensei que algo pudesse correr mal com o meu filhote. Mas aconteceu. Ninguém pensa que algo de menos bom pode acontecer, não é?
Hoje um colega contou-me que conheceu uma menina pela Internet e que estava doido por ela, embora nunca a tenha visto de corpo inteiro. Aos poucos, ela foi levantando o véu e ele, chocado, descobriu que ela tinha uma deficiência, ele nem sabe bem qual, aparentemente num braço. Foi um balde de água fria para ele. Já não sabe o que fazer, está desiludido. Não a quer conhecer.
Que mundo é este? Para que mundo trouxe o meu filho? Um mundo repleto de coisas boas, pessoas boas e muito lindas, mas depois também há estas!!! Não podemos todos nós ficar com um problema grave de um dia para o outro? Podemos ir na estrada e ter um acidente... E depois já não interessamos para ninguém. Sinto-me como disse a Suzy: "Envergonhada de ser normal" e revoltada com a estupidez e o preconceito.
Continuo a querer ensinar ao JP que o mundo é bom, que as pessoas são boas... A vida é bela e ele um dia vai descobrir por ele que há muita gente que não interessa... Magoa-me, mas também todos nós já descobrimos isso um dia, qualquer que tenha sido a razão, ou não? Até ser criança, até ser inocente, não quero que ele suspeite sequer que há gente assim. Depois, ao crescer, vai aprender, como todos nós. Oxalá não sofra muito.

quinta-feira, maio 25, 2006

Férias precisam-se

Hoje tenho dois desejos:
  1. Que as férias fossem já amanhã, não por cansaço nem por stress, mas porque tenho necessidade de passar mais tempo com os meus amores. Não dois dias como num fim de semana, mas 15 ou 20 dias. Isto sim, seria uma TERAPIA. Quero tocar no meu filho, com todo o tempo do mundo, quero esquecer obrigações e horários, quero relaxar ao som do mar, dos passarinhos ou dos balbucios do meu filhote. Adoro a minha deliciosa rotina, mas estou a precisar tirar férias dela!
  2. Que as pessoas de quem gosto estejam bem. Este desejo tenho-o todos os dias, mas hoje tenho-o com mais intensidade. Queria poder envolvê-los e protegê-los dos males, mas sinto-me impotente. É tão bom ter amigos. É tão frustrante não saber ajudá-los.

Não, hoje não é um dia não. É um dia normal, nem não nem sim, mas se estivesse de férias, hum, estaria definitivamente melhor! Era sim, sim, sim!

Comprei o livro 'Só o amor é real'. Disseram-me que o devia ler e como sou muito curiosa, vou mesmo fazê-lo.

quarta-feira, maio 24, 2006

Resumo de vida



O convite do blog dos pais eficientes para dar o meu testemunho deixa-me orgulhosa e até já o comecei a escrever, mas o pior é resumir. Não é fácil! A minha aventura começou por volta do dia de 25 de agosto de 2004 e, desde aí, todos os dias foram marcantes para mim, para o pai e para o JP. Todos os dias o amamos e brincamos com ele, como se brinca com qualquer criança, mas sempre com a ideia presente de escolher os melhores estímulos, desenvolvê-lo, pô-lo a mexer-se, exercitá-lo, cumprir os exercícios e comparecer às atividades. É um prazer, e todos os dias acontecem coisas e descobrimos algo muito importante. A minha amiga Anita comparou a menina dela a uma tela em branco, onde a mãe vai pintando. É o que eu faço: tento colorir a minha. Gosto mais de telas coloridas, tento pintar a minha tela com emoção, ternura e pensamentos doces, mas a tela tem outro pintor... o JP! Dentre os meus traços e os dele, o que sairá dali? Ele tem tantas frustrações! Como reagirá a elas no futuro? Conseguirá ser feliz, mesmo que não consiga facilmente atingir os seus objetivos? Como assimilará as suas frustrações? Tenho receio que rabisque a tela com traços feios e negros e que a minha obra de arte não seja o que ambiciono... Mas dou o meu melhor, cabe-lhe a ele aproveitar e acabar a tela, de modo a que ela fique bonita. Tenho esperança que o saiba fazer!

terça-feira, maio 23, 2006

18 meses 'vs.' bebé

O meu menino já não é bebé. No próximo dia 1 fará 18 meses. Já é reguila, resmungão, ameaça (e faz) birrinhas.... e tem um sorriso malandro, gozão! Ó meu Deus, está tão giro, o pestinha! É uma fase mesmo gira e cómica. E é bom sinal, sinal de evolução, graças a Deus!

Mas também já tenho saudades daquele bebé pequenino, fofinho e gordinho. Cada fase é gira, e passa incrivelmente depressa. Ainda guarda o cheiro de bebé que emana cada manhã quando pego nele. Inspiro e traz-me uma onda de felicidade e paixão. Sou apaixonada pelos dois homens da minha vida. O grande é um maridão fabuloso que me atura há quase 15 anos, o pequenino é a luz da minha vida. O tempo não volta para trás; restam-me as fotos para recordá-lo em bebé, ainda no tempo em que a chucha era maior do que ele... Tinha um mês... 

segunda-feira, maio 22, 2006

Uma crise de ciúmes

Na sexta-feira fui buscar o JP ao infantário. Estava tranquilo e bem-disposto e ao ver-me chegar esboçou o habitual sorriso de orelha a orelha! Mas eis que uma bebézocas gatinhou até mim e pediu-me colinho e eu agarrei nela. O JP largou num berreiro, estava inconsolável. Sem razão aparente... a não ser CIÚMES! Há quase 10 anos que não me lembro de me fazerem uma cena! Não gostei de o ver a chorar, claro, mas soube-me MUITO bem... Seguimos para a quinta e ele adora ver os animais todos antes de montar a égua 'Bailarina': as galinhas, os memés, os porcos, os patos, as cabras. Adora aquilo. Domingo, pequeno-almoço à beira-mar, almoço na vovó e assistimos a um teatrinho musical para bebés, à tarde. Foi engraçado. Ele gosta muito de música!!! Brincámos muito. pai, mãe e bebé! Fim de semana perfeito, mais perfeito, só se fosse de férias nas Maldivas! Hoje, fui ao cantinho da Cloinca. Não guardo boas recordações do meu parto, não ouvi o primeiro choro pois estava anestesiada e inconsciente, cesariana de urgência depois de 12 h de sofrimento em trabalho de parto. Acordei e disseram-me: "O teu menino está bem, mas nasceu com umas dificuldadezinhas respiratórias." Chorei e chorei, mas as dificuldades respiratórias não passaram de um susto. Depois era o JP que chorava, chorava e eu achava que não ia aguentar tomar conta de um bebé tão chorão... Aquele dia, para mim, esteve longe de ser fantástico. As hormonas devem ter ajudado, mas foi um mal necessário pois trouxe-me a melhor coisa da minha vida! E agora até já tem ciuminhos da mamã! Já viram isto?

sexta-feira, maio 19, 2006

Mais uma consulta: Desenvolvimento - 18 meses

Definitivamente, andar de médico em médico não é a melhor parte de ter um menino especial. Digamos que ele ouviu a palavra médico vezes de mais antes de sairmos de casa e ia pelo caminho com o sobrolho franzido e uma expressão desconfiada. Mas ao chegar ao hospital e com o contacto com os outros meninos que lá estavam, lá se foi descontraindo...Depois de 2.30 h de espera, lá fomos atendidos pela Dra. Isabel Paz, pediatra do desenvolvimento do JP. Já não o via há 6 meses e mostrou-se muito surpreendida. Muito mesmo! Diria que ficou quase de boca aberta. E a cara desconfiada agora era a dela. Na parte motora, houve evolução, embora lenta, mas nestes casos não é de esperar que seja rápida. Na parte cognitiva, digamos assim tanto da inteligência como da parte social, mostrou-se agradavelmente surpreendida! O JP está bem! Muito observador e comunicativo. Bem, e nós? Mesmo que ela não o dissesse já o sabíamos1 Mas foi bom confirmar mais uma vez que partilham da nossa opinião. Então, vamos continuar a trabalhar muito para evoluirmos sempre em todos os aspetos. E aqui está uma foto de um exercício que ele faz duas ou três vezes todos os dias, por períodos de 45 minutos de cada vez, ficar de pé. Por enquanto usa o 'standing', o aparelho que o posiciona de forma correta e o segura. Esperemos que um destes dias já não precise dele. Para acabar: estou muito feliz. E hoje é sexta-feira. YUUUUUUUUUUUUUPIIIIII!

quarta-feira, maio 17, 2006

Amigos via Net

Se há coisa pelo que os blogs são positivos, é pela troca de experiências e pelas novas amizades que se podem fazer. A nossa vida é casa-trabalho, trabalho-infantário, infantário-casa (e no meu caso piscina, cavalos, fisioterapia, etc, etc...) Às vezes, mal há tempo para conviver com a família e com os velhos amigos, quanto mais fazer novos... Pois eu, no curtinho espaço de tempo que por aqui ando, já conheci gente com experiências de vida tão diferentes. Tenho me divertir. E no meio destas andanças, conheci uma mãe com uma vida nada fácil (tal como a minha) mas que mantém um bom humor fantástico e uma garra de se lhe tirar o chapéu. Desistir não consta do dicionário dela. Desafiei-a e ela deu à luz um blog... Acabadinho de nascer, ainda não tem muita coisa, mas estou ansiosa por ver o que nos vai contar. Só vos digo: É uma mãe realmente especial. Eu vou espreitando! 

Oftalmologista pediátrico, parte II: tudo OK

Que bom! Apenas um entupimento dos canaizinhos que estão nas nossas pálpebras e produzem a gordura para as lágrimas. Solução: compressas mornas à noite para dilatar e um anti-inflamatório local. O resto do olho está OK. Visão: não deu para avaliar porque os pacientes têm de ter idade suficiente para ´'colaborar', mas não parece haver razão para preocupação. O doutor era amoroso, muito competente e o JP portou-se lindamente. Olhou desconfiado, porque a batinha branca... estava lá. Mas depois de uma palhaçada ou duas, relaxou. Ufa!

terça-feira, maio 16, 2006

Oftalmologista pediátrico, parte I

Hoje o JP tem uma consulta de oftalmologia por ter uns pequeninos 'quistos', alguns treçolhos (que tanto aparecem com desaparecem) e muitas secreções (as vulgares ramelas). Serão pestanas encravadas? Não sei. A pediatra achou melhor investigar isto com um oftalmologista pediátrico. Não tem crise de maior, o problema é que eu tremo sempre que vou ao médico. Ele irá fazer um teste completo à visão e tenho medo de ficar a saber mais alguma coisa com que não contava. Eu acho que o JP vê muitíssimo bem, mas ai-ai, nunca se sabe (nervos, muitos nervos).

Estou curiosíssima de saber como vai ser feito o teste. Espero que o doutor tenha o bom-senso de não vestir uma batinha branca. É que sempre o JP vê uma, começa logo a fazer beicinho. Deve ter herdado da mamã o terror aos médicos...

segunda-feira, maio 15, 2006

Top-5 das manias

Desafiada por esta menina, venho aqui enumerar as cinco manias do meu baby: 

1- Puxa a chucha com as mãos logo que esta lhe é metida na boca. O 'pestinha' gosta de ouvir o barulhinho que esta faz ao raspar nos dentes, é um som tipo rolha de garrafa de champanhe. Isto é normal!? Eh, eh, eh!

2 - Roça com o nariz no nosso ombro quando está ensonado. 

3 - Adora escorregar na banheira quando está a tomar banho. mete os braços para trás e aí vai ele. Mãe, apanha-me! 

4 - Desata à gargalhada quando alguém chega a casa. Mal ouve a chave a entrar na fechadura é a loucura!

5 - Não pode ver ninguém com comida na mão, nem que tenha acabado de deitar abaixo um pratão de papa. Se alguém está a comer, o JP tem de provar! Nem que seja para dizer que não gosta...

sexta-feira, maio 12, 2006

Holanda

Copiei o post da Anita. Ela é uma mãe que me enche o coração de palavras doces com os seus post deliciosos. Não a conheço pessoalmente, mas é de certeza uma pessoa excecional e penso que não me levará a mal que transcreva integralmente um post escrito por ela em que relata uma história, em 19 de abril de 2005, que considero, simplesmente, brilhante, encorajadora e linda:

"Na minha busca frenética de algo sobre este assunto descobri um texto maravilhoso, que vai de encontro aos meus sentimentos, foi retirado do livro "Histórias para aquecer o coração de mães" de Emily Perl Kingsley: "Muitas vezes me pedem para contar como criamos uma criança especial, para ajudar as pessoas que não tem essa experiência única a entendê-la. A comparação que sempre me ocorre é a seguinte: esperar um bebé é como planejar a fantástica viagem com que você sempre sonhou para Itália. Você compra um monte de guias e faz planos maravilhosos. O Coliseu. O David de Michelangelo. As gôndolas em Veneza. Você pode aprender frases úteis em italiano. Tudo é uma festa. Depois de meses de expectativa, finalmente chega o dia da viagem. Você entra no avião e algumas horas depois a hospedeira diz: Bem-vinda à Holanda. Holanda?! Como assim, Holanda? Você se espanta. Meu voo era para Itália, sonhei a vida inteira em ir para Itália! Mas houve uma mudança no plano de voo. Aterraram na Holanda e este é seu destino agora. O importante é que não te levaram a um lugar horrível e desagradável, cheio de epidemias, fome e doença. É só um lugar diferente. Então você tem que sair e comprar novos guias. E aprender uma língua nova. E conhecer pessoas que você jamais teria conhecido. O ritmo é mais lento que o da Itália; a luz menos brilhante. Mas depois de estar lá por algum tempo toma fôlego, olha em volta... e começa a notar que a Holanda tem moinhos... e a Holanda tem tulipas. A Holanda tem até Rembrandts. Mas todo mundo que você conhece foi e voltou da Itália contando maravilhas do tempo passada lá. Pelo resto da vida você dirá: Era para lá que eu deveria ter ido. Era isso que eu tinha planejado. E a dor do seu coração nunca, nunca mesmo, irá embora completamente... porque, afinal, a perda desse sonho é muito significativa. Mas se você passar a vida inteira lamentando o fato de não ter ido a Itália, talvez não possa descobrir e aproveitar o que existe de tão especial em todas as coisas adoráveis que há na Holanda". Eu estou na fase de procura de novos roteiros, de novos mapas e também de uma linguagem nova, porque eu tenho a certeza que vou aproveitar esta viagem com muito mais empenho, muito mais amor, apreciando cada detalhe, do que faria se tivesse desembarcado no lugar anteriormente desejado. Viva a Holanda..."

Obrigado, Anita por palavras tão bonitas. Eu também estou a descobrir a Holanda. Tenho dito.

quinta-feira, maio 11, 2006

Todos diferentes, todos iguais

É uma frase banal, mas a propósito de um comentário colocado no post anterior pela Ana, quero dizer que concordo: o meu menino é uma criança como outra qualquer. Deseja brincar, adora descobrir o mundo e deseja amor. Eu comparo esta situação à pilotagem de um avião. Um menino sem problemas, põe-se o piloto automático e o avião segue o seu curso. Com estes meninos, não é assim. Tem de se aprender a pilotar manualmente e ir verificando todos os comandos e instruções para ter a certeza que se chega ao destino. É preciso muito mais atenção, mais preocupações, mas ficas orgulhosa de saber pilotar um avião. Sentes-te um pouco 'realizada'. Às vezes, também me apetecia tirar uma sonequinha e ir no automático por uns tempos, mas não dá.

Ele não passa de um avião... sem piloto automático.

quarta-feira, maio 10, 2006

Estimulação

Hoje, pela primeira vez, tivemos a visita da terapeuta da Diferença. Uma horinha de brincadeira e de explicações de como se deve introduzir o nome dos objetos no vocabulário do JP. Eu, como autodidata que comecei a ser desde que soube do problema do JP, já sabia muita coisa, mas ainda aprendi bastante. As diversas intervenções precoces estão a beneficiar o meu bebécas em muito. Ele é um menino vivaço que praticamente não está a fugir aos padrões cognitivos para a idade dele e depois de consumir mais de 20 ou 30 livros sobre o desenvolvimento da inteligência e da parte motora dos bebés e intervenção precoce (um dia faço um post com os livros que já li e com o que aprendi) cheguei à conclusão que o maior dos estímulos que ele pode receber é a minha atenção e amor, envolvidos por vezes em brincadeiras comuns e habituais de se fazer a bebés.

O trabalho desta terapeuta é ensinar-me o caminho mais curto e acertado para o JP aprender os conceitos. Cabe-me a mim insistir, insistir e insistir de forma lúdica e divertida, claro, até ele aprender e assimilar. É estranho dizer isto, mas quem não passa por esta situação, não sabe quanto é viciante e gratificante ensinar um menino diferente, ajudá-lo, observá-lo, inventar maneiras de ele brincar e exercitar-se ao mesmo tempo. Não acontece só comigo, mas com todas as pessoas que se envolvem com ele, a educadora, a avó, os tios... todos o querem ajudar. Entendo agora que o trabalho de fisioterapeutas, terapeutas, psicólogas educacionais e mesmo educadoras é qualquer coisa de especial. Nunca pensei nessas áreas, só gostava de números e engenharias e afinal o meu filho veio mostrar-me que há atividades apaixonantes na área da saúde, que podem determinar para toda a vida a personalidade de alguém... 

Quero mandar um beijo muito grande e doce a todos os profissionais desta área que a exercem por vocação e não por obrigação. Se eu me interesso agora por amor ao meu filho, eles provavelmente o exercerão por amor e dedicação aos meninos diferentes e especiais. Têm o meu reconhecimento e total admiração.

segunda-feira, maio 08, 2006

Avó

Hoje o JP disse "avó" pela primeira vez e mais de uma vez. Foi quando viu a foto dela, foi a falar com ela ao telemóvel... Todos os papás congratulam-se com as aquisições dos seus filhotes, mas os papás dos meninos especiais deliram! Entende muitas coisas e diz uma meia dúzia, ainda mal-amanhado. Estou muito orgulhosa e quero mais... Só não sei o que fazes todo o dia no colégio, não dormes de tarde e chegas cansadinho a casa... Estou contigo no máximo duas horinhas por dia... O que me vale é o fim de semana, mas mais vale não pensar nisto porque hoje ainda é 2.ª-feira!

Ah!!! Espreitem a novidade...