quinta-feira, maio 17, 2012

Conversas

Rafael com 8 meses…
Pouco depois de me saber grávida do Rafael, senti necessidade de falar e explicar-lhe o mundo para onde ele vinha. Ninguém sabe se os fetos ouvem tão cedo e, muito menos, se percebem, mas, instintivamente, eu gostava de o fazer. Às vezes, sozinha, em casa, falava-lhe dos meus sentimentos. Falava do pai, do mano, de mim…
Quando precisava de descansar, dizia "precisamos de descansar". Outras vezes, absorvida pelas rotinas do mano, até me esquecia da gravidez. E abusava um bocadinho…
Por isso, quando podia, dava-lhe a máxima atenção e mimava-o com descanso, tranquilidade e sensações boas.
O JP todas as noites enroscava-se na minha barriga e conversava muito para ele. Vejo agora que se criou um elo especial entre os dois.
Quando o Rafael nasceu, e logo depois daquele choro delicioso que qualquer pai e mãe deseja ouvir, calou-se ao ouvir a minha voz. E eu falava só para o ver tranquilo.
Quando o JP fala com ele, todo o Rafael é gargalhadas.

Tem sido um bebé fantástico, como nunca esperei. Se se exalta, para o acalmar, só preciso de conversar e explicar-lhe o que se passa. Ele não entende, claro, mas de alguma forma, percebe. Percebe, sim.
Encaixou-se lindamente na nossa rotina. Tornou-a mais bonita e colorida. E ele parece adorar este mundo. 

Acho que pelo menos, ele já sabia o que ia encontrar…

As conversas com o JP são igualmente estimulantes. Aproveito por vezes as notícias para lhe chamar a atenção e refletir e ele dá imensa atenção e desenvolve conversa. 
Por vezes até me esqueço que, apesar das suas limitações comunicativas, ele transmite tudo e depressa.
Esta semana deu as notícias à professora ainda antes de eu ter tempo para o fazer. Disse-lhes que ia passar a faltar uma manhã por semana à escola, para ir fazer treino do acesso  ao computador por olhar. 
Eu ainda ia saber a opinião delas…
Mas ele não perdeu tempo.


Para o ano, prevejo um ano letivo, como ambicionei. Em breve teremos o computador em nossa casa. Ele acede com o olhar e será muito mais rápido nas tarefas da escola e nas conversas…
Não é o modo de comunicar que sonhei, mas comunica e diz-nos coisas lindas. 



quarta-feira, maio 02, 2012

O Blogue

Não me lembro de outro ano tão intenso na blogosfera como 2005/2006. Os blogues eram ainda um pouco novidade. E andava toda a gente a aderir.
Eu lia alguns babyblogues. E o JP entretanto nasceu. 
Os primeiros meses foram muito absorventes. Um ano depois, numa busca acerca de tratamentos nos estados unidos (therasuit), conheci uma amiga, pela internet, cujo filho tinha, também, paralisia cerebral. Foi a primeira pessoa com quem falei, na minha situação e foi fantástico perceber que falávamos a mesma linguagem. 
Ela tinha um blogue onde postava os bolos que vendia e, para eu comentar, precisei de aderir ao Blogger.
Foi em Março de 2006. Incrivelmente, já fez 6 anos.
Quando contei ao meu marido (já blogger há 2 anos), ele disse-me para começar a escrever sobre a minha experiência com o JP, já que me queixava que os blogues eram todos cor-de-rosa. Fiquei a pensar que ele tinha razão. Mas se havia pessoas que sabiam dar força e carinho, também havia quem me conseguisse irritar. Era frequente ver comentários sobre o meu blogue do género " fiquei com tanta pena e tão chocada que nem consigo comentar" ou "ainda bem que não foi a mim que me aconteceu isto". Não é simpático, mas como em tudo, absorvi a força positiva e mandei a negativa para trás das costas. Cheguei a ter 300 visitas por dia e mais de 30 comentários por post. E através desses comentários conheci outros blogues do mesmo género que, avidamente, busquei.
Semana, após semana, comecei a receber mails de mães como eu. Com muitas fiz alguma espécie de amizade. Com outras fiz amizades, mesmo fortes, que duram até hoje. E algumas das mães nem sequer eram "especiais". 
E percebi que, de alguma maneira, dava-lhes alguma força ou sensação de não estarem sós. E isso dava-me motivação para escrever. 
Aos poucos iniciaram também blogues (ou retomavam-nos) e contavam também a sua experiência e percebi que, não só tinham imensa força (bem mais do que eu), como também inspiravam-me. Os heróis eram os seus filhos que, facilmente, encantavam-me. 
Não estava, definitivamente, sozinha. Num instante, já nem sequer era das poucas bloggers diferentes. Era só mais uma. E essa foi uma das melhores sensações que tive. 
A blogosfera ficou mais rica de experiências. De pais e mães que mostram as forças e fraquezas. Gente que ensina-nos, partilha e  mostra-nos que o mundo real é bem mais interessante e menos fútil.

6 anos depois, sei que a maioria das pessoas que me vêm ler, conhece ou conheceu o JP e quer saber como estão as coisas. Algumas poderão estar, diretamente, implicadas nas minhas histórias e receio sempre a confusão das palavras…
Um dia percebi que quando contava todas as terapias que fazia com o JP, dava a sensação aos pais de que ele faziam pouco  com os deles (muitas vezes por falta de recursos económicos) e também acabei por me retrair. 
Ultimamente penso muito no dia em que o JP (que já pesquisa na net), venha a ler estas palavras. E dou por mim a ponderar o que escrevo.
Não sei qual o futuro deste espaço. Como sempre, continuo a viver um dia de cada vez. 
Mas gosto muito de ir registando, aqui, alguns dos meus pensamentos. De mostrar o nosso caminho.
Não é definitivamente um caminho tranquilo. Tudo seria muito mais fácil se fosse tudo normal.
Mas não foi e ainda tenho dias em que me doí tudo cá por dentro…

Este blogue é sobre uma família, muito amor,  as suas dificuldades, alegrias, revoltas e vitórias  e sobre o nosso caminho. À nossa caminhada juntaram-se imensas pessoas que trazemos no nosso coração.

sexta-feira, abril 27, 2012

Dias em imagens


Os nossos dias em imagens…

Há três meses atrás tinha este formiga pequenino na minha barriga. Mas parece que ele nem tem saudades.
Adaptou-se, tão bem, ao nosso mundo. Acho que está a achar isto muito mais divertido. 
Passa o dia, entre o rir e o bem-disposto. 
A palavra que as pessoas mais utilizam para descrever o Rafael é "espevitado".
É, de facto, um menino muito desperto para a vida e muito doce. 
Continuamos com a maminha e ele já tem mais 10 cm e mais 2 kgs do que quando nasceu.

O JP  a crescer. Continua a pesar 17 kgs mas já mede 1,25 m. 
Refila, teima, insiste...pica os nossos miolos ! É ativo. Já não se aguenta a ver desenhos animados, há uns anos. Vai para o computador e faz coisas, liga pelo telefone para os amigos, descobre coisas incríveis. 
Os amigos da escola chamam-lhe "craque dos computadores".

O JP sempre foi teimoso, dantes achava que se levava muito bem...mas os tempos mudam.
Os 7 anos mostram-se ainda mais complicados que os 6. São precisos muitos argumentos para o demover. E, na maioria das vezes, acabam por não surtir efeito. Dizem que é normal. E eu espero que sim.




sexta-feira, abril 20, 2012

Triste

Não dá para evitar ficar assim, quando o meu JP diz que quer andar e fazer outras coisas comuns que todos os meninos fazem…
Quando vejo toda a facilidade que o "Formiguinha" pequenito tem em fazer aquisições e verificar que o mais velhinho nunca irá fazer todas...nem metade.

Penso que o mundo é injusto. O JP é apenas uma criança que deveria ter nascido com igualdade de oportunidades…
E eu já devia ter ultrapassado esta forma de pensar. E muitos dias, de facto ultrapassei. Mas outros, dependendo da situação, não consigo deixar de ficar com o coração, terrivelmente, pequenino. Já fizemos tanto e ainda continuamos a fazer, que, por vezes, já não tenho a mesma força anímica para experimentar tudo que é novo, como fazíamos antes. Ele também já tem os seus interesses e já não dá para mantê-lo a fazer fisioterapia e atividades aborrecidas o tempo todo.

O JP tem uma cara linda, um sorriso contagiante e uma consciência que não pára. Mas, por vezes, percebo que algumas pessoas não olham para ele da mesma maneira que olham para o Rafael. Mas, por isso, eu lamento. Lamento que não tenham a riqueza e a sabedoria de encará-lo e descobrir o menino maravilhoso que ele é. Por outro lado, há pessoas que, quando se envolvem com ele, criam ligações emocionais incrivelmente fortes. E  nós agarramo-nos a isso.


O que faço é tentar banir estes pensamentos negros e sentimentos dolorosos e manter a boa disposição e humor...porque a vida é curta e temos mesmo de aceitá-la como ela é, ou corremos o risco de  desperdiçá-la.

Gosto de ser mãe destes dois. O JP moldou-me durante 7 anos e o Rafael veio conhecer alguém muito melhor.
Resta-me preencher os outros vazios da minha vida e serei a pessoa que sempre quis ser.

quarta-feira, abril 18, 2012

Regressões típicas

A última quinzena foi, definitivamente, mais exigente. As férias da Páscoa do JP passadas em casa e o facto do Rafael passar já muitas horas desperto e ansioso por brincadeiras e atenção, exigiu de mim, muita imaginação para contornar os obstáculos do dia a dia.  Mas a prova foi superada (já que não tinha outro remédio) e entretanto o JP já retomou as aulas.
O Rafael é um bebé, extremamente, sorridente. E nisso sai ao mano mais velho. Mas revela-se ainda mais sociável.
As potenciais situações mais stressantes, são as que mais acalmam o Rafael. É quase garantido que se porta bem enquanto passeamos, anda de carro ou acompanha-nos à fisioterapia. Dorme melhor e acorda sem grandes exigências.
Se estiver numa festa repleto de pessoas que lhe querem pegar ao colo, são sorrisos o tempo todo e fica calmo, como nunca visto.
Se fica comigo em casa, começa a querer mais tempo de colo e brincadeiras e chora mais facilmente. 
E por isso, e tudo o resto, tentamos passear bastante.
Já gosta muito de brincar, mexer, interage muito, palra em resposta, grita para chamar a atenção. 
Adormece pelas 22.30 h e acorda pelas 4.30 h para mamar. Adormece novamente e volta a acordar com fome pelas 7.00 h. Não me queixo absolutamente nada das noites, pois não há choros. 

O JP, começa agora a ter as suas crises pessoais pela chegada do mano. 
Quer tomar banho na minúscula banheira do Rafael (que já tinha sido dele), quer mamar na maminha (que nunca quis), põe a chupeta do mano na boca, e ainda se quer enfiar no seu antigo baloiço (onde já nem cabe). Mas adora o mano e tem saudades dele enquanto está na escolinha. 
Tem é saudades de ser bebé…
Nada que não se esperasse, mas, em contrapartida, tem-se portado bem nas aulas e o seu aproveitamento foi entre o Satisfaz Bastante e o Excelentes, o que nos deixou muito felizes. E ainda mais, quando percebemos que a vontade de aprender é grande.  Gosta de fazer contas de cabeça e pergunta-nos, constantemente, sobre o assunto.

Eu cá ando...uns dias a precisar, desesperadamente, de tempo para mim e de melhores visões de futuro, outras deliciada com a minha família, que apesar de me dar dias (demasiado) preenchidos, deixa-me também com o coração cheio.


quinta-feira, março 29, 2012

Quase 2 meses depois


O JP continua enamorado do seu maninho a quem gosta de chamar "Rafa".

Vieram as férias da Páscoa e com elas vieram também insónias noturnas. Acorda pelas 5 da manhã e há sempre algo que lhe tira o sono. Um dia chora porque pensa nas pessoas próximas que podem morrer, outros porque, simplesmente, não tem sono e quer conversa. 
Se me vangloriava porque tenho tido umas noitinhas fantásticas com o pequenino, o mais velho já tratou do assunto. Não é a primeira vez que tem uma fase destas (e por isso não posso atribuir ao nascimento do mano) e espero que vá embora depressa, sob pena de perder, de vez, a minha sanidade mental :P
Ficar com os dois, sozinha,  não é nada fácil. Mas eu não sou de me deixar vencer. Não só fico, como saio com os dois. Uns dias vamos lanchar, outros à fisioterapia. 
Se ficamos em casa, passamos o dia em "mama-dentro-mama-fora" e não se passa mais nada. Assim, é divertido.


Ontem o JP teve consulta de fisiatria e precisei de separar-me, pela primeira vez, do Rafael que ficou com o meu pai, por um par de horas. O JP teve imensos ciúmes. Mas, como esperava, correu tudo bem, incluindo a própria consulta. O Rafael dormiu o tempo todo e quando acordou deu uns sorrisos enormes ao vovô e mostrou-lhe os seus olhos da cor do céu, que só pode ter herdado dele.

Para rir

terça-feira, março 20, 2012

Mais pensamentos...

Depois de uma primeira experiência de maternidade com um menino (exigente) como o JP, a segunda parece, deliciosamente, tranquila e fácil.

O JP ainda hoje continua a ser um menino cheio de convicções, ideias próprias e teimas. É, sem dúvida, uma criança, incrivelmente, doce e especial. Todo o desafio e dedicação destes 7 anos valeram completamente a pena. A nossa relação é, e será, sempre muito intensa. 
Nunca considerei ter dado demasiado mimo (ou dei, mas também soube ser rígida)  mas ele é, genuinamente, sedutor e também um bocado abusador. 

O Rafael parece ter nascido "boa onda". Está quase sempre tudo bem com ele. E ele não tem tido uma vida pacata e tranquila. Pelo contrário. Tem tido  a agitação e a rotina que sempre tivemos.
Mesmo tão pequenino, consegue muitas vezes esperar pelo que é difícil. 
Mas os seus sorrisos gigantes mostram-me que não tenho nada que me preocupar.
Mas, como todos, também é espertalhão e já sabe reclamar, cada vez mais, privilégios  :) 

Sou mamã de dois rapazinhos que são a minha paixão.

segunda-feira, março 12, 2012

Manos

Na esquerda- JP com 3 meses                        Direita: Rafael com 1 mês
O Rafael já não é um recém-nascido. Está a crescer a olhos vistos.
Acho-o muito parecido com o JP, em bebé. Apenas a tonalidade das cores mudam.

Na foto da esquerda está o JP com 3 mesinhos com uma expressão muito parecida com a atual do Rafael. 
Ar vivaço e brincalhão. 

Temos muitas diferenças na personalidade. Enquanto o Rafael é mais visual, o JP sempre reagiu melhor aos estímulos auditivos. O sorriso fácil é o mesmo. O do JP veio dentro dos parâmetros considerados normais, mas pelas 6/7 semanas enquanto que o Rafael com 3/4 semanas já sorria intencionalmente, principalmente, para a mamã. 
O Rafael é mais calmo, pede menos colo (mas também gosta). 
O JP sempre pediu muito contacto físico e atenção. 
Temos estado muito atentos ao mais velhote e queremos que sinta que tudo continua como antes. Até agora parece ter resultado. Ele anda feliz.
Continuamos nas nossas atividades habituais. O Rafael agora acompanha-nos e não atrapalha nada (mas, por vezes, precisamos de uma pequena ajuda extra, claro). Temos conseguido gerir a rotina familiar e sabe maravilhosamente. 
A professora contou-me que o JP está muito mais participativo em sala de aula. Mostra-se mais interessado e tem tido sempre verdes, o que significa que se está a portar muito adequadamente.

A nível físico, tem feito alguns progressos na fisioterapia e evoluiu, a olhos vistos, no equilíbrio.
Este fim de semana supervisionei os trabalhos da escola que trouxe para fazer em casa e, a determinada altura, fiquei estupefacta com o desembaraço e a velocidade que ele escreve, introduz fotos, recorta e redimensiona num documento do Word. Arriscaria a dizer que fez bastante mais depressa, usando o GRID e o varrimento,  do que eu faria por vias normais.

Estou, francamente, contente com o modo como as coisas estão a correr na escola. 
Não estar ligado à unidade multideficiência foi um passo, gigantescamente, positivo para ele e para nós. Até agora foi a todas as visitas de estudo. Tem acompanhado sempre a turma. Cresceu muito. Está integrado.
Continua a ligar-se, com muita força, a quem o trata bem. Adora a sua auxiliar e em casa fala, constantemente, dela. É como mais um membro da família.

Finalmente estão a nascer os dentes definitivos. Mas o rapaz está mesmo decidido a dar-me trabalho e vou ter de ir ao dentista arrancar os de leite, que deviam ter caído e não caíram. Copiou o pai.

Fala muito com o mano. 
Desde que soube da existência do Rafael, acho que conheceu um sentimento novo. Ele irradia.

Quanto ao meu "formiguinha pequenino", não sei se foi por eu me ter tornado expert em linguagem não verbal, mas já o vejo reagir a pelo menos a 2 frases: "quer mamar?" e "vamos tomar banho". 
Às duas, pára, arregala os olhos e esboça um ligeiro sorriso que me dá a resposta. 

sexta-feira, março 02, 2012

Um mês

Faz hoje um mês. Parecia um dia como todos os outros. 
Acordei cheia de entusiasmo. Talvez por saber que, nesse dia, iria, certamente, conhecer o Rafael.
Uma rotina igual a todas as outras manhãs. Acordar o meu "mais velhote", pequeno almoço, banho e vestir, e entregá-lo na porta de casa para ir para a escolinha. Assim foi. 
Mas ele sabia que no fim do dia de escola, chegaria a casa e iria ficar com a madrinha até à avó chegar. E também ele estava muito entusiasmado.

Pelas 17 horas já estávamos a caminho da clínica. E às 18 h dava entrada para o internamento.
A minha médica apareceu uma hora depois e os nervos começaram a vir à flor da pele. Estava tão sensível. Tremia. Vulnerável. Iniciaram-se os procedimentos. Em poucas horas iria finalmente conhecer o meu boneco.
Entre as 22.15 h e as 22.30 h fui levada para o bloco de partos e o pai da criança decidiu à última da hora que iria assistir. Tínhamos mais ou menos combinado que não...mas perante as emoções de última da hora, trocámos de opinião.  
Às 22:52 h nasceu o meu Rafael. 
Chorei assim que ouvi o seu choro. Colocaram-no em cima de mim, ele tranquilizou-se e derreti-me porque ele estava cheio de fome a chuchar nos dedos.
Pouco depois, estava no quarto a amamentar o bebé, que esperei por 9 meses e o pai perto de mim. Chocada por não me lembrar quão pequeninos eram os bebés recém-nascidos.
Foi tão tranquilo quanto poderia ser. Mas ainda não estava completa a história, até contarmos ao JP. Assim ele foi o primeiro a saber, com direito a uma foto e tudo. Ouviam-se gritos de alegria do outro lado do telemóvel. E assim foi há 1 mês atrás...02/02/2012. Um dia muito feliz.
Uma recordação para a vida.

Desde aí, o Rafael tem sido um sonho de bebé. Tranquilo, colaborante...praticamente refila apenas para mamar. E aí não há quem o páre.  Às vezes gosta de adormecer apenas sozinho, outras precisa de um "embalo". 
Tenho conseguido gerir a rotina familiar lindamente em parte por ser um bebé tão calmo. Que bom seria continuar assim…
Um mês depois, os manos já interagem um com o outro, de forma muito diferente daquela que interagimos entre nós.

Adenda: Em condições normais o Rafael teria escolhido a sua data, mas a equipe médica achou por bem, (e tendo em conta que o parto do JP acabou numa cesariana) que não se ultrapassassem as 39 semanas para diminuir diversos riscos, entre eles o de rebentamento do útero por já estar fragilizado. De surpresas eu já tive uma boa dose, por isso não me importei. Estou feliz de tudo ter corrido bem.


domingo, fevereiro 19, 2012

Os factos de uma nova vida

 As novas rotinas

A maior surpresa é perceber que a família consegue dar um grande contributo para que tudo continue a correr sem alterações. Desde há uns meses que tem sido a madrinha a levar o JP à hipoterapia. Queremos voltar rápido a essa rotina, mas vamos aguardar ainda umas semaninhas. O JP agradece pois adora as manhãs de sábado passada com os tios.  A avó continua a ficar no fim de semana com ele e enche-o de miminhos enquanto os pais recuperam o fôlego.
O pai tem feito o turno "das manhãs difíceis"; a professora e a auxiliar na escola ajudam ao máximo e o próprio JP colaborou e ainda colabora deixando a mamã dormir pequenitas sestas. Infelizmente tem alturas que pede demasiada atenção e não é tão fácil assim.
Por último, o Rafa também tem tido o seu mérito pois é um bebé muito tranquilo.
Não há dúvida que temos muito mais trabalho. Tende a ser muito cansativo, mas as alegrias são também tantas !

Factos

Apesar de saber e de não questionar que o bebés amamentados são mais saudáveis, a verdade é que não me lembro do JP ter ficado alguma vez adoentado antes dos 11 meses (altura que teve varicela) e ele só gostava do biberon (ainda que no 1º mês fosse do meu leite) e desde os 4 meses que passou a  frequentar a piscina. O nosso Rafinha, apesar de amamentado,  já anda com umas secrecções no narizinho e ando atenta. 
Na segunda semana engordou 300 g só com maminha ! 

Amigos

Temos sido muito acarinhados por quase toda a gente. Desde presentes, a mensagens de felicitações e disponibilidade para ajudar... e sabe tão bem !
Infelizmente há sempre algumas pessoas que nos surpreendem e parecem não quererem partilhar os nossos momentos de felicidade e apenas lhes interessam os momentos tristes. Há muito que aprendi a ser muito radical. E torna-se difícil arranjar uma boa desculpa, quando temos outros amigos que até estão em situações verdadeiramente complicadas e mesmo assim, conseguiram mandar um SMS carinhoso. 

Relativizar torna-nos mais felizes

As hormonas pós-parto não me deixaram minimamente deprimida. Como é possível ?
Se eu já conheço os verdadeiros problemas ? Não. Não estou nada deprimida.
Dou graças a Deus por tudo. Continuo no mesmo caminho com o JP, disfruto da infância maravilhosa dos meus dois meninos e resta-me estender as mãos a quem trilha os mesmos ou ainda caminhos mais difíceis.
Claro que tenho e continuo a ter problemas, porque eles não desapareceram, mas estamos cá todos os dias cheios de força para os enfrentar. Ou pelo menos tentamos ter força, na maioria dos dias. E é assim que quero ensinar os meus filhos e verem o mundo.

JP

Continua eufórico pela chegada do mano. Diz muitas vezes que gosta dele. Também diz que gosta de nós (mãe e pai) mais vezes...
Adora os "gatos fedorentos". Procura-os no Youtube e ri-se genuinamente com os sktechs.  Conversa com a madrinha no Skipe; gosta de fazer cópias dos livros infantis que tem em casa. Mais empenhado na escolinha. Quis oferecer uma mala da "hello Kitty" à namorada no dia 14 e ganhou um coração vermelho que leva todas as noites para a cama. Também ganha por vezes alguns desenhos e bilhetinhos com corações de admiradoras.
Nas redondezas já quase todos o conhecem e acarinham por onde passa. Quando vai ao café, brincam com ele e cumprimentam-no com respeito e carinho.

Rafael

Do nosso russinho, ainda temos pouco a dizer, à excepção que é encantador e tranquilo. Ao terceiro dia, já nem chorava com o frio na altura de despir. Mas ainda é muito cedo para concluir. Temos mesmo de aguardar para perceber a sua personalidade. Também nos enche o coração...

O gato

Muito curioso (como todos os gatos) com o Rafael, já percebeu que é "sagrado" e mantém-se vigilante mas à distância. 

Net

Tenho andado com muito pouca hipótese de fazer visitas e ver como andam os amigos, mas quando todas as rotinas estiverem mais definidas volto para visitas e actualizações. A verdade é que a nossa vida parece-me cada vez mais banal e desinteressante aos olhos dos outros, mas para nós é muito bom sinal. Sinal de paz e sossego.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Tranquilos

O Rafael é um bebé muito tranquilo…
Adoro ficar horas a olhar para ele. Ele é mesmo um sonho de bebé. 
Dorme bem, mama bem. Já foi à pediatra e está tudo 5 estrelas.
O mano JP ainda não teve nenhuma crise de ciúmes. 
Vem da escola sempre com imensas saudades do mano. Parece-me até mais responsável e está a aceitar muito bem esperar pela sua vez. Os pais continuam a dar muitos miminhos mas nem sempre estão tão disponíveis como antes. 
Ele, pelo contrário,  tem surpreendido. Quer partilhar o chocolate, ou outras coisas que gosta, com o mano. Já lhe expliquei que o mano ainda não come chocolate, mas agrada-me tanto o gesto…
Diz, constantemente, que gosta dele. E gosta de o abraçar e dar festinhas. É um mano babado.
E por aqui, todos a aproveitar esta fase tão preciosa e que passa tão depressa, principalmente quando se vislumbra, no horizonte, um regresso muito precoce ao trabalho...esperemos que se concretize.


segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Apresento-vos o Rafael

Chegou ao mundo no dia 2-2-2012 pelas 22:52 h. Na noite da quinta feira passada. Ontem regressámos ao nosso lar.

O momento do seu nascimento foi um momento de grande emoção para os papás, como não podia deixar de ser, com direito a muitas lágrimas de felicidade. O mano também aguardava, em casa, com muita expectativa e soltou um grito de alegria quando soube da novidade.
Tal  como o irmão, o Rafael já nasceu com ar vivaço e trocista. Vinha com fome e a chuchar no dedo. Mamou logo e nunca mais parou. É um relógio que bate certinho a cada 3 horas. 
As palavras do JP para o descrever foram: bonito, simpático e parecido com o pai. Anda radiante, adora-o, só quer estar a observá-lo o tempo todo.
O Rafael é um bebé tranquilo até começar a sentir fome. Nessa altura fica refilão. Mais um.
Estamos todos também apaixonados por este bebé. 3140 g e 50 cm de gente…
Agradeço a Deus pelos meus dois filhos maravilhosos.
A todos os que nos acompanham e deixam palavras doces desde sempre: Obrigado pelo apoio incondicional.
Estamos felizes.

Adenda: Nunca será demais agradecer à minha GO/Obstetra, Dra. Elsa Milheiras, que foi quem tornou possível uma gravidez tranquila e um parto maravilhoso, com recordações inesquecíveis, ao espetacular Dr. Paulo Sá e restante equipa da CLISA. Todos se empenharam para que tudo fosse perfeito e conseguiram. Mais uma vez : OBRIGADO. Ficamos eternamente gratos.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Mais um dia de espera...

Mais um dia, compondo o ninho…

Eu e o JP fomos tirar algumas fotos juntos, para mais tarde recordar e foi muito giro.
Portou-se muito bem. Fui eu quem "estragou" a maioria das fotos, porque fechava os olhos ou outra coisa qualquer...mas o modelito aqui, esteve sempre à vontade e bem disposto ! Sorria na hora certa, olhava para o sítio certo…

Hoje o mal-estar está a intensificar-se.
Quase já não me consigo mexer...quase não consigo comer. Calçar é um esforço descomunal...até a tomar banho canso-me.
Não consigo imaginar o tamanho deste "cachopo". Sinto que está mais do que na hora.

Com a vaga de frio, está a chegar o Rafael. :)


segunda-feira, janeiro 30, 2012

sábado, janeiro 28, 2012

Por dias

Agora já se contam os dias pelos dedos de 1 mão para conhecer o nosso Rafael.

Somos nós !!! Quase, quase…
Estamos com 38 semanas e às 39 não chegará.  
Na semana passada o CTG não acusava contrações. 
Nesta terça feira faremos uma avaliação e marcaremos o dia do nascimento ainda para esta semana.

Nestes últimos dias sentimos um turbilhão incrível de sensações. Um misto de alegria, com medos e ansiedades à mistura.  Mas de uma forma geral, estamos a tentar desfrutar ao máximo.
O JP, que tanto esperou (e desesperou) por receber o mano, é o mais tranquilo de todos. Depois de tanto tempo, está apenas entusiasmado e muito feliz.

domingo, janeiro 22, 2012

37 semanas e muitos nervos

E ainda cá andamos. 
O embutido cresce a olhos vistos. Na foto da blusa cor de rosa tinha 32 semanas. 
A da blusa cinzenta é mais recente mas a barriguita parece mais pequenina. 
Se o nosso menino não vier até às 39 semanas, terá ordem de despejo do T0 nessa altura. Tudo aparentemente controlado. Mas como ter a certeza que o bebé não quer fazer uma surpresa ? 

Nesta fase aparece de forma muito intensa a ansiedade e todos os nervos que não tive estes meses todos. Penso em tudo o que não tenho pensado.
Em cada CTG, o coração dispara...em cada consulta, conversa, pensamento...a médica Obstetra tem-me debaixo de olho, constantemente. 
Sei que se esforça para que não falhe nada. Estou-lhe grata.

Mas agora resta-me esperar e rezar muito.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Estamos a 3 semanas

Ou menos de conhecer o nosso mais pequenino membro da família.
Hoje tive consulta. A partir de agora será semanal com direito a CTG em cada uma.
O aumento de peso tem sido em cima da curvinha ideal. 
10,5 kgs até agora. As análises estão fantásticas. Não estou inchada. Não tenho  dores. Até recomecei a dormir melhor.
Na semana passada o Rafael já estava com peso estimado de 2550 g. 
Mas se bem que me lembro é mesmo a partir de agora que é a sério. Levo constantemente pontapés no estômago. O rapaz não pára. Sinto vontade de vomitar a toda a hora.  Andar por aí já é uma atividade penosa...começo a contar os dias para o grande dia ! 
Hoje, nas últimas combinações com a obstetra, percebi que estamos por dias.
Quero que passe ainda mais depressa  :)
O JP continua muito entusiasmado. Todos os dias fala e acaricia o mano através da barriga. A cumplicidade dos manos já começou. 

quinta-feira, janeiro 05, 2012

24 passas !

Pela primeira e possivelmente única vez na vida, comi 24 passas pela meia-noite. 
Comi 12 por mim e mais 12 pelo pequerrucho que ainda habita aqui no T0.  
Desejei tantas, e tantas coisas boas !!! Não fui modesta.

2011 trouxe algumas surpresas e momentos mágicos. Recordo com carinho o dia em que eu e o papá grilinho comemorámos 20 anos juntos e contei-lhe que seria papá novamente. 
Ainda hoje ele "receia" entrar naquele restaurante e haja mais novidades bombásticas do género   :)
Eu acredito que 2012 vai ser ainda muito melhor em todos os aspetos. 

Tenho andado terrivelmente emocional. Tudo me emociona e faz chorar.
Muitas vezes nem sei se choro de alegria se de tristeza.

Por estes dias descobri que o JP é ainda mais especial do que alguma vez julguei. O rapaz continua a fixar matrículas e agora (tantos meses depois) entendi que recorda matrículas que viu há meses atrás, ou que viu por apenas alguns segundos.  Não foi fácil aperceber-me e quando percebi quase fiquei chocada. Senti que é algo mais que não parece normal (a tal normalidade que ansiamos em tudo)
Memória (para isso) não lhe falta. Deixa a maioria das pessoas estupefacta.
Faz essa brincadeira a toda a hora. Ele quer mesmo memorizar, memorizar…
Passa o dia a dizer-me que matrículas viu pelo caminho. E ri-se porque já esquecemos…

Dei por mim, no outro dia, a tentar perceber esta necessidade. Não cheguei a nenhuma conclusão. 
Na minha pesquisa vi imensas coisas diferentes. Coisas boas, coisas más…
A minha opinião é que tem uma memória prodigiosa para o que lhe desperta interesse e que/precisa fazer uso dela.

O JP é um miúdo com muita autoestima. É um miúdo carinhoso.  Mas também se julga um reizinho.
Já não é o meu bebé...é o meu menino.
Em breve vai deixar de ser o único.

E acho que ele está desejoso…

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Dias tranquilos e felizes

Para nós, mais um Natal que se passou bem, junto da família.
Para o JP, o Natal cheio de emoção,  aguardado impacientemente e vivido ainda com imensa magia.

As férias escolares eram ansiadas. A avaliação foi regra geral boa - teve muitos "Satisfaz bastante" , embora com anotações sobre as suas mudanças de humor e respetivas consequências no ritmo de trabalho. O que quer dizer, que o JP trabalha muito depressa quando está motivado e é um autêntico pesadelo quando não está...(não foi assim que foi escrito mas eu já sabia).
Teve "Excelente" no teste de Estudo do Meio. E teve "Não satisfaz" em 2 parâmetros (cruzinhas) relacionados com as suas limitações. Um com a representação gráfica (desenho), outro com a expressão do raciocínio. Não é de surpreender, dado que não há nenhum currículo adaptado para ele. Segue exatamente o que todos os outros seguem.
Porém na explicação do raciocínio, aqui em casa é satisfatório. 
Justifica, facilmente, as suas opções embora de uma forma não exaustiva, pois ainda não escreve de uma forma muito extensa. 
Mas dá explicações como por exemplo: "Hoje não quero ir ao fisioterapeuta porque a Soraia não está!"- assim mesmo com todas as letras e palavrinhas (a Soraia é a "namorada"- grande malandreco !).
De qualquer forma, estamos muito satisfeitos. As aprendizagens estão a ser feitas. Há apoio e exigência. 
A vida é exigente. É bom que se vá habituando.

Esta semana está mais feliz do que nunca. Férias com os papás e muito miminho bom.
Já usa o Skype e MSN. Desde que entrou de férias, procura por lá a namorada mas têm andado desencontrados e ficam só as mensagens escritas.
Espreita os vídeos do YouTube. Ando sempre de olho no que ele anda a ver e anda obcecado por partos. Eu fico chocada porque acho uma violência (pessoalmente impressiona-me muito). Tenho medo que fique traumatizado mas ele adora e insiste, "fitando-me" como pode.
Um pouco "mórbido" este filhote. Não admira dizer que quer ser médico :).
De facto, ou tenho o "Dexter" em casa ou um homem da ciência  :)

Já diz a toda a gente que o mano está quase a chegar.
Ao atingir o marco das 34 semanas estamos um pouco mais confiantes e descansados. 
Mas ainda continuamos a pedir muito a Deus que tudo continue a correr bem, como até agora.
Custa-me ainda imaginar como será a nossa rotina com mais um membro da família. Às vezes receio não conseguir tomar conta do recado. Mas a vontade de conhecer o meu R. e de o ter nos meus braços é enorme e maior do que todos os outros receios.
Acho que vou acabar por conseguir e tenho a certeza que o JP também vai colaborar como sabe. Tem conseguido ajudar muito a mamã nesta gravidez e orgulha-se muito disso. E eu dele !

sábado, dezembro 17, 2011

Foi dia de ver o bebé R.

Queríamos tirar uma foto 3D/4D mas não houve hipótese, pois começou a meter o pé à frente da cara e outras macacadas. Voltou o médico a falar de feitio e teimosia.  E este já era outro Dr.
É a segunda vez que falam disso a propósito do R.  e eu novamente pensei : Outro ??? Já não tenho a minha dose ? Pelos vistos...não.

Está enorme- Compridinho e gorduchinho. Já pesa 2044 gr. 
Perguntou-me o médico se ando perdida por comida...e eu..."nã !"
Ui, mal sabe eu que chego acordar 2 vezes durante a noite para comer. Mas o meu aumento de peso não foi tão grande assim. Creio que ainda menos de 10 kgs…
Tudo normal e em cima das expetativas. E nesta fase o estômago está a ficar pequenino e já não consigo comer muito de cada vez...é o que vale. E, felizmente, apetece-me mais sopa do que doces :)
Agora só novos episódios (espero eu) depois do ano novo, onde farei análises e farei as últimas consultas.
Hoje voltei a agradecer a Deus, por estar a correr tudo bem e por me ter permitido chegar a esta fase e ainda conseguir fazer tudo com o meu JP.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Consulta de Fisiatria

Esta tarde fomos a uma consulta de rotina de avaliação da aplicação do Botox nas perninhas do JP.
Ficou marcada nova aplicação para 17 de Janeiro.

A médica decidiu também prescrever novo Rx à anca, dado que o último feito já tem mais de 6 meses embora estivesse tudo normal.
Quando lhe questionei o motivo da pressa deste novo Rx, eis que a médica explicou-me, com calma e detalhe, a razão de estar tão vigilante. Eu já era conhecedora que todos os meninos que não atingem a marcha, podem desenvolver luxação da anca. Mas é algo que ainda não aconteceu com o JP. E eu sentia-me feliz com isso.
No entanto, explicou-me que há novas recomendações para os ortopedistas atuarem antes dos problemas se concretizarem, ou seja, assim que haja uma previsão de desvio e fazerem cirurgia em determinadas idades chave. Uma dessas idades é 6-10 anos. 
Após dizer-me isto e, provavelmente, depois de ver a minha expressão facial, a Dra. pediu desculpa de falar neste assunto nesta fase da minha vida. Que na realidade não é necessário estar ansiosa neste momento com esse assunto.
E que depois do parto teremos imenso tempo para voltar a discutir o assunto, tirar dúvidas e marcar uma consulta de ortopedia para o JP. 

A verdade é que sei que faço o que for preciso para que o JP fique bem e esteja sempre bem. 
E ainda falta ver o que aparece no RX...e investigar toda esta situação, claro.
Mas as lágrimas não param de correr.

Sugestão de leitura

Li e adorei.

Num reino a ocidente da Europa, na Idade Média, viveu Jordi, o Príncipe Perfeito. Belo, inteligente, valente, exímio nas artes da guerra e da cavalaria, apaixona-se perdidamente por Isabel de Leão, tão formosa como não há memória de outra igual. Parece um conto de fadas com um final sem surpresa. Parece, mas não é. Luísa Beltrão descreve o terrível pesadelo que irrompe no cenário glorioso da corte da Portucalícia. Conta-nos a aventura em que se aprende a espinhosa lição de ser humano. Revisitando a obra de José Régio, O Príncipe de Orelhas de Burro, a autora oferece-nos o mistério, a magia e a descoberta da natureza humana.

Para saber um pouco mais sobre o livro aqui .

Para quem não sabe, Luísa Beltrão é também o carismático rosto do movimento Pais-em-Rede e parte das verbas arrecadadas com a venda do livro, reverterá a favor deste movimento de pais que tanto precisa de algum financiamento. Uma boa sugestão para um presente  de Natal. 



terça-feira, dezembro 13, 2011

Cada vez falta menos...

Assim voa o tempo e já falta tão pouco.
Estamos nas 32 semanas. O meu menino pequerrucho se nascer agora já tem ótimas hipóteses de sobrevivência. Mas queremos que desfrute ainda mais da barriguinha da mãe e venha só em 2012. 
Desta vez atingi mais cedo o ponto de desconforto. Não há grandes queixas. Nem azia, nem males maiores, mas por outro lado existe cansaço, sensação constante de peso no baixo ventre e muita falta de agilidade.
Inevitável comparar com a gravidez do JP, que trabalhei até ao último dia e só me comecei a sentir verdadeiramente desconfortável a partir das 35 ou 36 semanas. 
O JP está agora como adora. À sexta feira fica logo na casinha da avó. É acompanhado pela madrinha às sessões de hipoterapia e passa o resto da manhã a passear com ela. O objetivo é que eu descanse um pouco mais. 
Mas tem sido difícil ter um sono em condições. O pimpolho passa as noites a mexer-se, a acordar-me e a pedir-me que faça lanches noturnos, quando durante o dia nem consigo comer muito.
Está grande, pesado e assim  sinto-me eu: volumosa. 
O pai diz que estou na mesma (que é só barriga) e linda. O JP diz que a barriga está a crescer (com um grande sorriso na cara).  Benditos os meus homens que me mimam tanto :)

Se eu sinto uma grande vontade de conhecer o meu R. por outro lado penso muitas vezes que vai ser um estranho mundo novo. A compatibilização de todas as rotinas, o encaixar de mais algumas, o conhecer um novo ser...e o repartir do amor por dois filhos.
Sei que acabarei por estar à altura, mas não escondo que sinto alguns receios deste novo mundo que aí vem. Não por achar que vai correr mal. Só mesmo, por ser desconhecido.

7 anos

Foram comemorações muito felizes, mas tranquilas. O meu estado neste momento já nem permitia outra coisa.

No dia 1 de Dezembro, o meu menino acordou cedinho e a primeira coisa que se lembrou de dizer, foi que queria os presentes! Ficou muito contente com o que recebeu. Era o que ele mesmo tinha escolhido. 
Teve muitos telefonemas de amigos, familiares e miminhos. 
Almoçámos em família e fizemos-lhe a vontade de voltar ao estádio da Luz. Bendito feriado que permitiu estarmos todos juntos. Mas no ano que vem, o JP faz anos a um sábado e depois a um Domingo e só vai reparar na falta do feriado quando fizer 10 aninhos. Até lá, digere esta desilusão, com certeza. 
À hora que chegámos ao estádio, já as visitas tinham acabado. No entanto um funcionário viu a sua carinha desiludida e deixou-nos entrar e estar ali um bocadinho.

No dia seguinte, teve direito a novo bolo (praticamente igual), com uma matrícula da data do seu aniversário 01-12-JP e ficou felicíssimo por lhe cantarem os parabéns, na escolinha.

terça-feira, novembro 29, 2011

Os desgostos do JP (que me partem o coração)

Tem sido uma gravidez sem desconfortos de maior. Mas tal como na gravidez do JP, sou atacada por insónias noturnas, que culminam em muito sono pela manhã. Esta manhã acordámos atrasados e enquanto nos despachávamos ouvíamos as notícias. E a primeira notícia que ouvimos é que dia 1 de Dezembro será um dos possíveis feriados a ser extintos em breve.
Como reação do JP tive um choro sentido e violento. Partiu-me o coração vê-lo assim triste.

É que ele faz aninhos neste dia...e gosta muito que seja feriado.
Ao mesmo tempo que o consolava, e que lhe dizia que o papá e a mamã vão sempre tentar pôr férias nesse dia, pensava que é tão bom que sejam estes os seus grandes desgostos e problemas.
Gostava que fosse assim toda a vida.

quinta-feira, novembro 24, 2011

O mundo que desaba..

Nos últimos tempos, por diversas circunstâncias, tenho sido forçada a lembrar-me daqueles primeiros tempos, após o nascimento do JP e da suspeita da reviravolta na nossa vida.
Apesar de ser uma dor partilhada em casal, em família, senti-me tão só, como nunca me tinha sentido na minha vida. O mundo, assim, de repente, tornou-se pesado demais. Parecia-me demasiado duro e cruel. Muitas vezes pensei que não ia conseguir. O meu peito iria rebentar de dor...e só desejava que um milagre acontecesse e tudo voltasse para trás. Que fosse apenas um sonho mau.

Nunca fui a única. Há demasiada gente que passa por isto.
De cada vez que sei de alguém que está a passar por aquilo que já passei, o meu coração fica pequenino, desejando que o sofrimento passe depressa e que o arregaçar das mangas dessa família, lhe mostre que todas as situações têm 2 faces da moeda.
Não faltará muito para que as oficinas de pais dos pais em rede, forme os primeiros Pais-prestadores-de-ajuda. 

Quem me dera ter tido um.  Quem me dera, alguém ter-me dito, naquelas primeiras horas,  que apesar de toda a dor e cansaço de criar um filho especial, eles também dão muitas alegrias. 
Tantas ou mais do que todos os outros. Que iria amá-lo tanto quanto se pode amar alguém. E que no fim, tudo acabaria por correr bem.

A dor não irá embora, com certeza, mas os pais vão sentir-se menos sós.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Irmão-galinha

É incrível como o JP anseia envolver-se em tudo relacionado com a gravidez do mano. Ele pergunta e sabe sempre quando são as ecografias, as consultas, gosta de os ver vídeos das ecos do mano e filmes que explicam a evolução dos bebés. Fala tempos a fio para a barriga, faz festinhas e beijinhos. Quando vamos a algum lado quer sempre comprar alguma coisa para ele. Pergunta muitas vezes se estou bem, se o mano está bem...e também receia.
Escreve que tem medo de "perder" o irmão e preocupa-se porque é que ele ainda não está cá fora. Está loucamente ansioso pelo nascimento e custa-lhe muito esperar. Faz beicinho, já o quer para o Natal e também já lhe expliquei que é cedo demais. Se esperarmos mais um mês, vem com o tempo todo e será muito melhor para ele.
Por mais justificações que eu arranje para lhe dizer que ainda é não é a hora, a única que o convence, é quando explico que a barriga da mãe ainda vai ficar maior do que o que está.  Vai ficar - GIGANTE !
Aí, ele fica mesmo entusiasmado.

Ontem tive consulta, estava tudo bem. Análises fantásticas,  aumento de peso em cima da curva ideal (7 kgs a mais até agora) e tudo o resto. Em nada se reflete a "avançada idade materna" e a única novidade foi o início da toma de magnésio por ter algumas contrações ligeiras.
Ele ficou feliz quando lhe contei que o mano está grande, forte e saudável.

Escreve-lhe cartas em Word, a dizer que gosta dele, decora-as e guarda no computador. 
É com tanta ternura que assisto a esta sua felicidade.  Há poucas coisas tão doces na vida.

terça-feira, novembro 22, 2011

Maternidade atípica

Já muitas vezes ouvi dizer que os pais são mais condescendentes com os segundos filhos do que aquilo que foram com os primogénitos. O grau de exigência diminui, etc, etc...
Pois, mais uma vez, sinto que serei uma mãe que vai contra a regra. 
Já tive de tirar "um mestrado" em disciplina" e vai ser difícil esquecer.

Na percurso da descoberta da melhor forma de educar o JP, tenho ido constantemente contra as regras. Ou melhor, começo por segui-las e depois percebo que não se aplicam ao JP.
A tranquilidade e a paciência estão muito enraizadas em mim. Sempre me imaginei uma mãe tolerante e acho que durante muito tempo fui essa mãe. Mas ao fim de algum tempo, percebi que o JP, tinha a inteligência de um menino normal, com o habitual mimo e condescendência que os meninos especiais têm. E isto consegue ser uma mistura "explosiva".

Para dar um exemplo, nunca vi um livro ou manual que não dissesse para desvalorizar os "descuidos" das necessidades fisiológicas (para evitar a humilhação e o trauma).  Pois eu sei, que só acabei com eles, quando apliquei consequências, porque muitas vezes duvidei que fossem descuidos. Pareceram-me alguns bastante propositados. E resultou. Não me senti feliz e contente, mas foi a nossa maneira. Porque mais nenhuma resultou.

E hoje mais uma vez, de manhã, dei por mim, a dar os conselhos que poucas mães devem dar na escola: "por favor, apliquem consequências quando ele se portar mal". 
Soa horrível, eu sei. Mas só quem mora no convento sabe o que lá vai dentro.

sexta-feira, novembro 18, 2011

Paixonetas

Desde que começaram as aulas, que o JP, pede para chegar mais cedo à fisioterapia, na 5ª feira. E só mesmo na 5ª feira...
É o único dia que encontramos a sua amiga e colega de turma S. 
Os dois gostam muito de se encontrar ali, depois das aulas. Ele ri-se porque ela faz muito espalhafato durante a fisio. Ela espalhou, na escola, que ele é um valente. Não grita nem chora.
Uma amizade muito carinhosa. Mas o meu JP sempre teve paixonetas por crescidas. Quase sempre as auxiliares bonitas. Não por falta de meninas que gostassem dele. 
Tem havido sempre 2 ou 3 meninas a reclamarem serem as suas namoradas e que lhe fazem festas e mimos constantes. Ele adora a atenção. Mas nunca passou disso.

Ontem disse-me entusiasticamente na frente da S. que eram namorados. Como que a anunciar um noivado !!! Coisa que a menina, descaradamente, confirmou. Parece que têm passado o intervalo sempre juntos. Ela também usa uma cadeira de rodas. E talvez esta relação justifique a vontade que ele tem, todos os dias, de ir para a escola.
Achei tudo tão ternurento,  que o meu coração transbordou !

No fim desta declaração, a S. pediu à mãe que a deixasse assistir um bocadinho à fisioterapia do JP.  
E depois, ainda lhe pediu que chegasse a cadeira para perto dele. Foi o tempo todo em meiguices. Beijos nas mãos, beijos na testa, beijos, beijos, e mais beijos. Coisa a que o JP correspondia com um sorriso mesmo apaixonado.
Tantos beijinhos (alguns muito, muito ousados), que eu diria que andam os dois a ver os "Morangos com açúcar". 
Fiquei feliz de ver esta cena. São os dois muito pequeninos e inocentes. Têm apenas 6 aninhos. Mas já dá para perceber, que a deficiência não precisa, necessariamente, de implicar uma vida sem amor. 

Ainda bem.