quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Coisas que nunca contei IV

Quanto mais normal é a nossa vida menos interessante é para contar...mas todos os dias há coisas...

O dia-a-dia, aqui em casa, gere-se assim mesmo. Ao dia !


O Rafael tem andado doente e esta semana o JP ficou sem transporte da câmara e dependente do ATL e de ajustar os meus horários. De manhã levo-o e, como  sempre, é uma aventura !!!

Esta manhã, um senhor aproveitou o lugar de estacionamento de Deficientes da escola ser largo, para encostar o carro dele ao meu, mesmo apertadinho, comigo ali , ainda a montar a cadeira. Não estava a acreditar que, mesmo mostrando que a cadeira do JP não passava, ele me mandava "dar a volta". Expliquei que o menino estava daquele lado e que se o lugar dos deficientes é largo é por algum motivo.
Pois não sei até que ponto percebeu ou não percebeu, ou fingiu não perceber (era chinês). Pega na cadeira e vai dar a volta, como se eu fosse a mal educada.

Receei que fosse amigo de clientes meus e inspirei e expirei 50 vezes para me acalmar....Haja muita paciência. Olha, afinal, não são só os Portugueses os mal-educados.

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Coisas que nunca contei III

Uma semana dedicada a olhar para o passado....e a contar coisas que nunca desabafei. 

O tema aqui anda sempre  à volta do mesmo: os meus filhos e a minha família. E se antes era muito obcecada e focada no JP e na sua recuperação, o passar do tempo, o nascimento do Rafael e a nova atividade profissional trouxeram-me um ponto de equilíbrio.
É verdade que me sinto muito melhor desde que encontrei a dedicação na dose certa.
A minha vida não são só os meus filhos. Eu preciso de ter desafios. 
Para minha própria sanidade mental.
Eu adoro-os, amo-os com toda a força das minha células, mas nunca daria uma boa mãe a tempo inteiro. 
Se dúvidas tive, já as tirei.

Tenho sorte de gostar tanto dos fins de semana  (em que, por acaso, trabalho bastante) como dos dias de semana. Também adoro estar com eles e ainda ontem lembrámo-nos, cá em casa, como foram boas as nossas férias, apesar de tão exigentes.  E como ansiamos pelas próximas.
Estes serão (não tenho muitas dúvidas) os melhores tempos das nossas vidas.
Ter um filho com deficiência não mudou este aspecto da vida. 
Temos muitos contratempos, temos uma vida muito preenchida, exigente e cansativa. 
Por vezes frustrante. E ainda temos aqueles dias em que a dor fala mais alto.

Mas aos poucos, é cada vez mais uma vida normal.

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Coisas que nunca contei II

Estes últimos posts têm sido inspirados por situações dos últimos tempos. 
Escrevo-os durante o domingo e eles virão todos os dias pelas 10 h para quem me segue.
Por vezes, situações, com alguma intensidade, dão-me vontade de escrever e expressar desta forma.

Confesso que me sinto muito culpada por nunca ter dado ao Rafael nem um quarto do estímulo do que dei ao JP. 

Não é por mal nem falta de vontade. É por falta de tempo e porque o JP continua a exigir muito. 
Por vezes tenho de acompanhá-lo no estudo, fora as idas à fisioterapia e exercícios aqui em casa.
Com o JP brincava imenso, desde bebé que líamos, por horas, juntos. Fazíamos
exercícios e eu brincava, ao mesmo tempo. Contava histórias no carro. Comprei os DVDs da moda.
Íamos à piscina, 3 vezes por semana. Cantava-lhe o tempo todo enquanto descobríamos lugares interessantes.
Fomos a imensos teatros, espetáculos musicais, jardim zoológico, quintas pedagógicas e uma infinidade de atividades interessantes. Esteve num colégio 5 estrelas.

O Rafinha foi apenas a um pequeno espetáculo, e por vezes, lá encaixo um pouco de tempo para ler. Fiz uma tentativa frustrada de o levar à piscina, aos domingos de manhã. Para o sossegar, enquanto ajudo o JP com alguns TPC, deixo-o ver mais desenhos animados do que gostaria...e só no outro dia percebi que adora a Xana Toc Toc. E não temos nenhum DVD dela :)
Mas ele estimula-se imenso, graças a Deus. Canta sozinho, dança e pega nos livros e desfolha. Faz uma festa na banheira com os brinquedos do mano.
Vem perguntar o "o que é isto ?" com os livros na mão e lá vamos lendo, conversando e brincando, mais a pedido que outra coisa.
Vai mais vezes ao parque e aproveita mesmo a valer, sem dúvida. Os legos não têm segredo para ele e todas as explorações aqui em casa são feitas até à exaustão.

Enfim...a culpa está cá. Mas eu dou o melhor. 
Não posso dizer que a consciência não me pese...mas pelo menos sei que dou o meu melhor. 

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Coisas que nunca contei I

Quem me conhece sabe como eu gosto de olhar para a frente e ser positiva.

Nunca na gravidez do Rafael perdi tempo a pensar nos cenários menos positivos. Acho que, depois de ter nascido o Pedro, programei, na minha mente, que ter filhos tem sempre um grande risco e esses infortúnios podem vir em diferentes alturas da vida deles. Passei a viver com menos medo e a aceitar melhor o destino. Pelos menos em teoria.
O Rafael nasceu por cesariana numa quinta feira à noite, com excelente APGAR e no Sábado de manhã,  fui dar-lhe o primeiro banho ao berçário da Clínica de Santo António. Disseram-me que a pediatra iria fazer, nessa altura, um exame mais completo.
O meu coração gelou e toda a força foi sugada, assim de repente, das minhas pernas, do meu corpo, da minha mente. Não consegui dar o banho, tremi, pedi desculpa à enfermeira, estava nervosa e ansiosa e ela, assustada de me ver tão pálida, encaminhou-me para o quarto. Pelo caminho ainda tive de me sentar, pois estava quase a desmaiar de pânico.

Não dei aquele primeiro banho e as lágrimas escorriam pela minha face sem parar. Meia hora mais tarde vieram ao quarto dizer-me que o exame da pediatra tinha determinado que o Rafael estava óptimo. Perfeito. Eu também estava a recuperar lindamente e poderia ir para casa naquele mesmo dia. Acabei por decidir sair só no Domingo. Aquele episódio de medo e pânico arrasou comigo. Já me tinham descansado e as lágrimas continuavam a escorrer.
Foi um momento genuíno de fraqueza. Durou um par de horas.  Mas fui forte o tempo todo. 
No fundo tive direito a ele.


domingo, fevereiro 23, 2014

Obstáculos - Piscinas / Câmara Municipal do Seixal

Sempre estiveram e estarão presentes no dia a dia de uma mãe de uma criança especial.
Ora bem. Ir à piscina, com a escola, faz parte do programa dos terceiros e quartos anos.

Qual é a novidade ? Não têm, nas piscinas Municipais de Corroios, quem assista o JP e S. dentro de água.

Constatação: ninguém na turma tem ido, porque a professora disse que só vai com a turma toda. Mas a outra turma de 3º ano vai…

Resolução ? Mãe do JP expôs a situação na Câmara do Seixal, (sem resultados) e agora esperamos que uma carta dos outros 19 pais possa ter mais impacto.

Ah....sempre a lutar....nem podia deixar de ser.

2 anos do meu Olhinho Azul



Comemorámos em família os seus 2 anos neste mundo. 

É um menino muito especial e muito querido. Tem coisas únicas. Mas tem, igualmente, um feitio muito decidido e firme. São tantas as coisas especiais, e que acabarei por esquecer, que vou registar as suas particularidades mais marcantes.


Aos 8 meses disse pela primeira vez "tisto?" ( o que é isto?) e agora aos 2 ainda repete umas 50 vezes por dia. Sede de saber tudo. 
Desde bebé, quando lhe damos algo, apressa-se a dizer "Obiá" (obrigado). É algo que me parece "sui generis" porque é muito sistemático e dele.

Quando perguntamos como se chama o pai, diz "Pau", como se chama a mãe diz "Nina", o mano é "Mana" e apesar de saber dizer "RAFA" diz sempre que se chama "Bébé " e ri-se porque sabe que não é bebé que queremos ouvir. Já fala muito, faz frases grandes mas acho que aprendeu na Ucrânia :) e depois fica irritado por não percebermos.
Gosta de ser engraçadinho e fazer rir. Adora que brinquem com ele.
Abraça espontaneamente. E é muito voluntarioso. 
Adora ir buscar coisas que lhe pedimos, ajudar nas tarefas, arrumar (e desarrumar), quer sempre ajudar a montar a cadeira do mano…

Mas este doce não é um poço de virtudes, porque todos temos as nossas particularidades. 
E o Rafael não é nenhuma excepção.
É ciumento. Está sempre a testar-nos e a tentar perceber a sua importância na família. 
Pede muito colo, mas pede, principalmente, nas alturas em que não podemos mesmo dar (quando damos banho ao mano, vestimo-lo, etc). Agarra-se a nós, ao colo, e não quer sair. 
Temos de o retirar (e como custa fazer isso). E ele berra. Berra muito e é uma coisa que me faz sentir uma péssima mãe e me dói bastante cá dentro. 
O meu JP nunca conseguiu gastar tantos decibéis apesar de também ser de fazer algumas birras.
O Rafael amua com a pessoa que o magoou e não esquece de imediato.
Socialmente não é o sedutor que era o mano. É um bocadinho mais envergonhado. Mas depois de ganhar confiança, é o maior brincalhão e é delicioso ouvir aquelas gargalhadas fáceis.

É mais um boa boca. Gosta de sopa e adora peixinho. 
É um falso magro, porque é muito alto. Pesa  cerca de  12,5 kgs, mas mede 94 cm. Está bom e recomenda-se.

O JP continua apaixonadíssimo por ele e nós também. 

Imagens de ternura


quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Regras para a felicidade....


Happiness is not something ready made. It comes from your own actions.
Dalai Lama


Já pensaram sobre isto ???

REGRAS PARA A FELICIDADE


1. Não guardes rancor: As pessoas felizes entendem que é melhor perdoar e esquecer 
do que deixar seus sentimentos negativos dominarem seus sentimentos positivos. 
Guardar ressentimento aumenta a ansiedade e o stress. 
Se esqueceres os rancores, vais poder apreciar as coisas boas da vida.
2. Trata todos com bondade: Sabias que ao realizares um acto altruísta, o teu cérebro 
produz serotonina, uma hormona que facilita a tensão e eleva o espírito? 
Tratar as pessoas com amor, dignidade e respeito, também permite que construas 
relacionamentos mais fortes.
3. Encara os problemas como desafios: A palavra “problema” não faz parte do 
vocabulário de uma pessoa feliz. Um problema é normalmente visto como uma 
desvantagem ou como uma situação instável, enquanto que um desafio é tido como algo 
positivo, como uma oportunidade,  uma tarefa. Sempre que enfrentares um obstáculo, 
tente olhar para ele como se de um desafio se tratasse.
4. Expressa gratidão pelo que já tens: Há um ditado popular que diz: 
As pessoas mais felizes não têm o melhor de tudo, elas fazem o melhor de tudo com 
o que têm”
Terás um sentido mais profundo de contentamento se contares as bênçãos em vez 
de ansiar para aquilo que não tens.
5. Sonha em grande: As pessoas que têm o hábito de sonhar em grande são mais 
propensas a realizar os seus objectivos do que aquelas que não o fazem. 
Se te atreveres a sonhar em grande, a tua mente vai assumir uma atitude mais 
focada e positiva.
6. Não se preocupe com as pequenas coisas: As pessoas felizes entendem que a vida 
é demasiado curta para despender energia com situações triviais ao invés de desfrutar 
das coisas mais importantes na vida.
7. Fala bem dos outros: Dizer coisas agradáveis sobre as outras pessoas encoraja-te 
a pensar positivo.
8. Não procures culpados: As pessoas felizes não culpam os outros pelos seus próprios 
fracassos na vida. 
Em vez disso, elas assumem os seus erros e, ao fazê-lo, proactivamente tentam mudar 
para melhor.
9. Vive o presente: As pessoas felizes não vivem no passado nem se preocupam 
com o futuro. Elas saboreiam o presente envolvendo-se em tudo o que fazem.
10. Acorda todos os dias à mesma hora: Acordar à mesma hora todas as manhãs 
estabiliza o teu metabolismo, aumenta a produtividade e coloca-te num estado calmo e 
centrado.
11. Não te compares aos outros: Se achas que és melhor do que outra pessoa 
ganhas um sentido saudável de superioridade, mas se considerares que alguém é melhor 
do que tu acabas por te sentir mal contigo mesmo. Serás mais feliz se te concentrares no 
teu próprio progresso.
12. Escolhe os teus amigos com sabedoria: A miséria adora companhia. 
É por isso que é importante cercares-te de pessoas optimistas que te vão incentivar a 
cumprir os teus objectivos.
13. Não procures a aprovação dos outros: As pessoas felizes não se importam com 
que os outros pensam delas. Elas seguem seus próprios corações, sem deixar os 
pessimistas desencorajá-los. 
Elas entendem que é impossível agradar a todos. 
Escuta o que as pessoas têm a dizer, mas nunca esperes pela aprovação de ninguém.
14. Aproveita o teu tempo para ouvir: Fala menos, escuta mais. 
Escutar mantém a mente aberta. 
Quanto mais intensamente ouvires, mais silenciosa a tua mente fica e mais conteúdo 
absorves.
15. Cultiva os relacionamentos sociais: Uma pessoa só é uma pessoa infeliz. 
As pessoas felizes entendem como é importante ter relações fortes e saudáveis. 
Procura sempre tempo para te encontrares e falar com a tua família e amigos.
16. Medita: Ficar em silêncio ajuda-te a encontrar a tua paz interior. 
Não precisas de ser um mestre zen para alcançar a meditação. 
As pessoas felizes sabem como silenciar as suas mentes em qualquer lugar e a qualquer 
hora.
17. Alimenta-te bem: Tudo o que comes afecta directamente a capacidade do teu corpo 
produzir energia, o que vai ditar o teu humor e concentração. 
Certifica-te que os alimentos que ingeres irão manter tua mente e teu corpo em boa forma.
18. Faz exercício físico: Estudos têm demonstrado que o exercício aumenta os níveis de 
felicidade. 
Aumenta também a tua auto-estima e dá-te uma maior sensação de auto-realização.
19. Vive com o que é realmente importante: As pessoas felizes mantêm poucas 
coisas ao seu redor porque elas sabem que coisas supérfluas os deixam sobrecarregados 
e stressados.
20. Diz sempre a verdade: Mentir corrói a tua auto-estima e torna-te antipático. 
Ser honesto melhora a tua saúde mental e faz com que os outros tenham mais confiança 
em ti. 
Sê sempre verdadeiro e nunca peças desculpa por isso.
21. Controla a tua vida: As pessoas felizes têm a capacidade de escolher os seus 
próprios destinos. Elas não deixam que os outros digam como devem viver as suas vidas. 
Deter o controlo completo de tua própria vida confere-te sentimentos positivos e de 
auto-estima.
22. Aceita o que não pode ser alterado: Depois de aceitares o facto de que a vida não
é justa, vais ficar em paz contigo próprio. 
Em vez de viveres obcecado com o facto da vida ser injusta, concentra-te apenas no que 
podes controlar e mudar para melhor.



Adorei e concordo !!!

domingo, janeiro 26, 2014

O meu Pré-adolescente

É assim que está o meu JP.
No 1º ano conheceu a S. que também usa uma cadeira de rodas.
Não demorou umas semanas para que dissessem ambos que namoravam um com o outro.
Estão todo o dia na escola, depois vão os dois para o ATL e à noite ainda quer jantar à pressa para poder ir falar com ela um pouco no Skype.

Mensagens de namorados mesmo.
Falam do futuro e de "casar".
Às vezes sei que ela o "pica", um pouquinho, mas é ela que lhe dá motivação.

Estão agora no 3º ano e continuam muito amigos. Ele sonha poder fazer a escola, sonha poder ganhar dinheiro e sustentá-la.
Eu sinceramente acho que a vida não nos dá limites. Nós é que nos limitamos. Nada digo, nada sei. Sonhem e sejam eles próprios.

Até já os TPCs faz na escola, de tão aplicado que está.

Um dia vi o filme "o meu pé esquerdo", filme baseado numa história verídica e tirei uma conclusão muito minha: O futuro é o que cada um quiser fazer com ele.
Quem pode dizer qual será o futuro de cada um ?

Diploma das tabuadas

Ena, a sua excelente memória e obsessão para as matrículas, teria de ter alguma utilidade: memorizou muito bem todas as tabuadas !
Ganhou um prémio na turminha. Estamos orgulhosos JP. Queremos mais :)

A única advertência foi para ler mais.
Como ele não manipula e o nosso stock de histórias digitalizadas está em baixo, tentamos ler com o mano, mas é sempre uma grande aventura. Saudades das nossas leituras a dois :)

Espaço de reflexão

Sempre adorei vir aqui falar um pouco da nossa vida diferente, mas tão igual. 
Sinto que a nossa experiência foi e é importante para algumas pessoas.

Os meus posts não são muito cuidados. Escrevo em 5 minutos pois tudo está na minha cabeça e, rapidamente, coloco cá para fora. E é um registo que não me arrependo de fazer e, por vezes, gosto de vir cá relembrar.

Deixei de escrever porque, com a aquisição da leitura fluente por parte do JP e algum interesse dele por youtube, blogues e afins, comecei a pensar se ele,

algum dia, se magoaria com o que aqui lesse.
Mas já me arrependi. Tanto que deixei de registar. Tantas coisas boas.

Um dia, o JP,  pediu-me para começar um Blogue dele (e eu acho boa ideia porque será mais uma forma  dele comunicar e de lhe dar voz) mas pus-me logo a pensar que chegaria, rapidamente, a este e inibi-me. 

Mas não se pode mentir. Quanto mais drama fazemos, quanto mais escondemos, mais nos prejudicamos e afastamos até aos nossos filhos.
Quero que ele seja sempre sincero comigo. 
Terei de dar o exemplo e nunca esconder-me. Coração aberto.


O JP, na margem sul, é reconhecido na rua e se vai a uma feira. Conhecem-no e ao blogue e até um pouco da nossa vida. Incomoda-me ? 
Não. 
Sinto-me bem. Está-se bem…


domingo, dezembro 15, 2013

9 anos ....e tanto para dizer.

Continuo a ter tantas e tantas coisas para contar e registar. Mas o tempo vai passando e não o vou fazendo, com muita pena minha.

O João Pedro lá continua, contente, na escola e na sua rotina.

No domingo, 1 de dezembro, teve uma festinha dos seus 9 anos, aqui em casa, só com a namorada (e a sogrinha), a melhor amiga, os nossos vizinhos, o mano , a madrinha , os avós e a Sandra- a sua ex-auxiliar do coração e achei que delirou. Esteve, tremendamente, feliz. Fiquei muito feliz por ele também.

O meu João Pedro ocupa um lugar no meu coração que é muito especial e dificilmente poderia ser preenchido de outra forma. Vê-lo assim feliz, faz-me sentir realizada.

O seu maninho, está uma gracinha, como todos os meninos com 22 meses. Não é o anjinho que eu supunha. Trata muito bem o JP, adora abraçá-lo, dar-lhe beijinhos e brincar com ele, mas percebemos já que luta por atenção nos momentos "completamente proibidos", como sejam a hora do banho do JP e outras em que não posso mesmo deixar de fazer o que estou a fazer, para lhe dar colo. 
De alguma forma quer que lhe mostre que ele tem muita importância mesmo quando o mano está por perto. E tem. 
E tem muito mimo e amor. 
Mas, à sua maneira, tem de ir percebendo os condicionalismos da nossa vida muito própria.

Tenho alturas que sinto que gerir estes momentos deixa-me de cabelos em pé e quase fora de mim. E por isso, apesar de amar, perdidamente, os meus filhotes, nunca poderia ser uma boa full-time Mum. Não fui feita para isto. 

O Rafael está sempre a querer fazer rir os outros. É cómico que se farta. Mas tem de ser sentir à vontade.
Faz carinha de envergonhado quando alguém, que não conhece, se mete com ele.
Não é o sorriso fácil que era o JP.

No campo profissional, posso dizer que virei algumas páginas. 
O que importa é adaptar-me, gostar do que faço e de fazê-lo bem.  E tenho a sorte de gostar do que estou a fazer. 
Por vezes, aquilo que nos pode parecer um trabalho "mais ligeiro", com menos "responsabilidade", surpreende-nos e mostra-nos que, quem leva as coisas a sério, sempre tem os seus stresses e as suas altas fasquias. 
 Resumidamente é assim que andamos por aqui :)


Ah, e não podia deixar de esquecer: Juntem tampas e entreguem-nas no Centro Comercial da Amora (na Amora)…o JP matava-me se não dissesse isto !!! Já juntámos 6 toneladas mas ainda faltam umas 30 toneladas. Ele quer a sua cadeira eléctrica rapidamente.



O JP agradece



quarta-feira, outubro 16, 2013

Lutas

Tem alturas que acho que o volume de informação a colocar aqui é tanta que acabo por não escrever nada. Definitivamente não posso deixar passar tanto tempo.


Levámos mais uma TAMPA !!! 

O Hospital Garcia da Orta não tem €€€ para comprar a cadeira eléctrica do JP. E onde está a novidade ? Pois, esta não é.

Vamos tentar pela SS que já sabemos como é...e não temos nenhuma expectativa.
A empresa onde trabalho, atualmente, resolveu dar uma ajudinha e lançou a campanha para angariar tampinhas e tanto dinheiro quanto possível pois custa mais que um Dacia !!!
Entre nós e a Amarsul alguma coisa se há-de arranjar. Muita fé. É só mais uma luta entre tantas que travamos.

terça-feira, setembro 03, 2013

Todos precisamos de um pilar

Faz hoje 13 anos que casei. 
Conhecemo-nos há 22 mas faz 13 anos que tivemos as condições para dar o passo e construir uma vida juntos. 

Fomos terrivelmente despreocupados, nos primeiros anos de casamento, e recordo como parte dos melhores tempos da minha vida.
Depois veio a avalanche JP. As emoções fortes, a vida real, na sua faceta mais bonita, mas também dura.
Mas estivemos sempre unidos e conservámos o nosso espaço e tempo para a relação. 
Felizmente conseguíamos e isso foi bom.
No entanto dedicámo-nos incrivelmente ao JP e à sua recuperação. 
Seguimos o nosso coração e nem ligávamos quando nos diziam que devíamos ter outro. 
Por vezes diziam de forma ofensiva. 
Como se o JP tivesse vindo "estragado" e não nos desse alegrias. Mas não era verdade e estávamos bem. 

Surgiu o Rafael na fase certa. 
O meu coração estava receptivo e sentia que me poderia dedicar a outro ser. 
E veio mais um sol para a nossa casa. Trouxe um pouco da normalidade do dia a dia, equilibrou-me e mostrou-me que havia um mundo além do JP.
Para o JP teria sido fantástico se tivesse surgido mais cedo e ter-lhe-ia feito muito bem.
Mas para nós, nem por isso.
Agora sim, é mais difícil arranjar o "nosso" tempo e as nossas saídas a dois. 
Mas sabemos que são fases. Aproveitamos cada uma. 

A nossa vida não tem sido um mar de rosas.
Construir e manter uma relação com tantas dificuldades é um desafio, por vezes. 
Mas tem havido muita vontade e amor. 

Felizmente comemoramos mais um ano juntos e espero que venham pelo menos outros 13 melhores ainda do que estes.

Por muita força que tenhamos, todos precisamos de um pilar. Ele tem sido o meu. 





quinta-feira, agosto 29, 2013

A minha Tropa

É mesmo a dobrar. 
Esta semana estou com os dois. Loucura !!!

Um dia terei saudades desta semana, mas, neste momento, parece-me interminável. Não é nada fácil e eles nem sequer
veem o melhor da sua mãe, porque entre o cansaço e os nervos, dou por mim a ser menos paciente e doce do que gostaria (para não dizer pior).
Enquanto oriento  o JP nos TPCs e derrubo a sua constante preguicite, o Rafa pede muito a minha atenção. 
Dividem-se entre as festas que dá ao JP e as pequenas lutas pela atenção e guerrilhas. 
Perto do almoço, já é a fome e o sono do Rafael a falar mais alto e agora sim, o menino tranquilo, chora e berra (como berra). Os meus nervos aí, ficam em pé. 
Tento respirar fundo e pensar em tudo que é positivo sobre estar com eles.
Depois os almoços, a sesta do mais novo  (mais um que luta contra o sono, pelo menos aqui em casa), arrumar a sujeira em que ficou tudo (e já desisti de fazer qualquer outra tarefa doméstica) , preparar tudo para levar o JP à fisioterapia (e vão os dois).

Neste processo todo, tenho como ponto positivo a paciência e colaboração do JP e sentir que está a evoluir em termos de conhecimentos. Neste capítulo, estar com a mãe é sempre uma mais-valia.

Que venha Setembro, bem rápido, o Trabalho, o ATL e a Ama  e com ele as nossas rotinas porque são tão boas (e eu normalmente nem reconheço isso).
Foram umas férias excelentes, felizes e compridas . E acho que eles adoraram.  Missão cumprida.

A tropa das mulheres



Ontem li este artigo e muito me ri.


Ser mãe é a tropa das mulheres

Consigo segurar o biberão com o queixo. Foi uma questão de dias, após o bebé nascer, até descobrir umas quantas tarefas que podem ser feitas com uma só mão. Algumas com dois dedos apenas. Penso que se um dia ficar maneta, safo-me.
Ser mãe é a tropa das mulheres, com recruta mínima de três meses. Cresce a barriga, encolhe a barriga, mas não para o mesmo lugar de antes. Tira a mama, recolhe a mama. Volta a tirar a outra mama, volta a recolher. Dorme, acorda, esteriliza biberões, muda a fralda, mantém-te acordada, amamenta, lava a roupa bolsada, põe a chucha, mantém-te acordada, não-café-não, embala antes a miúda, não-sentada-não, levanta-te, embala de pé, canta, abana-te o mais que puderes, de preferência ligeiramente curvada que ela adormece mais rapidamente. Canta, improvisa: Princesa, princesa / Princesa gorila / Princesa da mãe / Gorila do pai. 
Odeio biberões, não consigo lavar nem mais um sem ter vontade de o esganar. Imagino-me um dia a fazer uma fogueira de biberões e eles todos a chorarem e pedirem-me perdão. 
Sim, os dias assumem tal ritmo que me questiono se terei trocado o Valdispert por um alucinogénio. O banho é o vislumbre de um oásis no deserto com um minuto para o champô, outro para o amaciador e, enquanto este repousa, ensaboo bem o corpinho pois não sei quando terei outra oportunidade. Ao todo, cerca de dois minutos: sempre se poupa na conta da água e não chega para embaciar o espelho. E na alcofa no chão, junto à porta da casa de banho, há um bebé mirone prestes a abrir a goela.
A Zara e até mesmo a loja do chinês estão fora de moda. A farda transforma-se em mamas de fora e pés descalços para não fazer barulho. A sola dos pés está negra, pois não há tempo para limpar o chão. As calças são sempre as mesmas, as únicas que me servem, bolsadas. Se tenho visitas, visto uma das três camisolinhas que acho que me ficam bem.
Por volta das duas da tarde, enfio um iogurte. De preferência com bífidos que ajudam o intestino a ser feliz e, se fizer um cocó bonito, a miúda também faz e já somos três a ser felizes. Ao jantar consigo comer mais um pouco, pois o pai já chegou a casa, mas não como necessariamente melhor, pelo que mantenho o corpinho em forma de pêra madura de Alcobaça. 
Vinho não. Cerveja não. Refrigerantes não. Água. Aquela que acho que poupo no banho, é a que tenho de beber às litradas, disse-me a pediatra e o grupo de mamãs do Google.
Bem-dito cigarro em pausa de tarefas. Sabe a mim, seja lá essa quem for, mas que não é esta mamã com toda a certeza. E quanto mais a outra sou, mais me apetece saber a mim. Quer isto dizer que voltei a fumar. Entre os vários Marlboro, escolho o soft pack, não tanto pelos vinte cêntimos a menos e mais pelo conforto de alma que traz a palavra soft.
Enquanto fumo para finalmente respirar alguma inércia, eis que milhares de pensamentos sobem ao meu cérebro como espermatozoides em direcção ao óvulo. E penso. A profissão mais velha do mundo não é a de puta. É a de mãe. Todas as putas têm a sua mãe.
Ser mãe é uma profissão, é um emprego full-time sem carteira profissional, sem descontos para o Estado, sem Segurança Social. É a profissão ilegítima socialmente mais legal e que transgride todas as leis laborais. Não há horários afixados em lado nenhum, não me pagam horas extra, feriados ou subsídio de alimentação. Só vou para casa quando o trabalho estiver concluído, ou seja, daqui a uns 20 anos.  
E como dizem “ajoelhou, tem de rezar”, quando a miúda dorme, o lar vira igreja, tal o silêncio que se ouve. Reconfortante. E sim, rezo, rezo muito para que se mantenha assim por mais de 15 minutos.
Neste compasso de tempo imagino-me a relaxar comodamente no sofá, a ler sob uma brisa fresquinha ou a fazer qualquer uma das dezenas de coisas que um dia achei que ia fazer durante a licença de maternidade. Imagino-me uma mamã tranquila a ocupar as pausas num jardim, num museu, na esplanada. E enquanto imagino, o tempo passou e um cocó amarelo berra na espreguiçadeira. Termina o silêncio, começa a missa e sei que vou ter de passar pela Avé Maria e pelo Pai Nosso que estais no Céu. Porque aqui não há o sétimo dia de descanso.
Quanto mais dias passam, mais gosto da minha bebé. 
- Podias chamar-te Alice mas não serias tu. Alicinha é a avó e tu és a neta e como primogénita merecias um nome todinho só teu, a estrear. Podias ter todos os outros nomes do mundo que não Laura. Mas só Laura te faz Laura, minha Laura.
*Sofia Anjos, 38 anos, directora de contas numa agência de comunicação, foi mãe pela primeira vez há três meses. 

sábado, agosto 24, 2013

FÉRIAS 2013 EM IMAGENS


Uma imagem vale por mil palavras: banhos nos rios, na praia, piscina (o JP continua a adorar mergulhar e nadar com a cabeça debaixo de água), brincadeiras, corridas nos parques, correr atrás das galinhas, pão quente feito pela avó acabado de sair do forno...faltam apenas os passeios nocturnos em noites de mais de 30º, que ficaram apenas na nossa lembrança.

sexta-feira, agosto 23, 2013

Férias 2013

Foram tudo o que umas férias devem ser : preenchidas com praia, muita, muita piscina, campo e família. 
Mas nem por isso, foram relaxantes.

Com 2 miúdos como estes, relax só em sonhos. 


Mas mudámos de ares, saímos de casa e tivemos o que se quer das férias: convívio, diversão...




O Rafael revelou-se e desabrochou (principalmente na fala).
Tem agora 18 meses. Relaciona-se lindamente com os pares e tem alguma vergonha de alguns adultos, mas é simpático apesar de não ser tão sociável quanto o JP.

O rapaz só quer é correr o tempo todo e palrar também. Andou delirante com tanta companhia dos papás.

É um menino incrível. 
Apaixonante e muito amigo do mano.
E o JP sempre de olho nele a protegê-lo.

O JP queria, principalmente, feiras e saídas noturnas.  Passeios, conversas e aprender sobre tudo.

Gostava de ter trabalhado mais com ele mas chegava cansado à noite, principalmente nos dias de praia e piscina. 
Manteve a fisioterapia, mas como também fomos para fora teve a sua merecida pausa nas terapias.
Estou prontérrima para mais um ano de labuta, mas antes disso tenho ainda uma semaninha com os dois para aproveitar e fazer trabalhos  de casa com o JP, leituras e muitas brincadeiras a 3 (que o papá já vai trabalhar).

quinta-feira, agosto 01, 2013

3º ANO e as nossas férias



Correu tudo bem neste ano letivo e o JP já transitou para o 3º ano. 
Teve festa na escola, teve férias e atividades no ATL, tem sido em cheio…
O próximo ano será um ano mais exigente e cá estaremos para dar todo o acompanhamento que, naturalmente, precisará, mas a vida faz-se ganhando cada etapa e batalha de cada vez e por isso, podemos dizer: Esta prova foi superada.

Estas férias serão um momento para estarmos mais juntos e descontraídos. 
O Rafael está um piolho elétrico que se julga um palhacito. E é tão cómico…
Dar praia a estes dois (que eles adoram) não é a coisa mais "zen" deste mundo, mas daremos o nosso melhor.
Este tempo, em família, começa hoje e prolonga-se, intercaladamente, até ao último dia de Agosto. Intercaladamente, porque não vai ser possível desligar do trabalho. Mas creio que o suficiente para nos dar toda a força, garra e motivação que precisamos todos para o resto do ano.





terça-feira, junho 18, 2013

Finalmente as férias (para o JP)

Este ano as férias eram aguardadas com imenso entusiasmo pelo JP. 

Ontem estava eufórico quando foi para o ATL, pois era o primeiro dia de férias. A ideia de ir para a piscina (lá no ATL), praia e estar todo o dia com parte dos colegas de escola, outros amigos e a sua "namorada" estavam a deixá-lo muito entusiasmado.
Porém, no fim do dia, vinha um bocadinho triste para casa. Caiu-lhe a "ficha". 
Tinha muitas saudades da sua auxiliar "Sandra" e, assim que chegou a casa, ligou-lhe pelo telemóvel dele (através do computador). 
Imagino que este afastamento, depois de um ano letivo inteiro de convivência, seja difícil.

Teremos de ir falando pelo Skype e ir combinando umas horinhas ao fim de semana pois esta amizade foi mesmo "daquelas "a valer". E daquelas que duram...(espero).

Tem novos interesses. Quer passar horas a ver futebol. Quer também jogar à bola e lá jogamos de uma forma que requer alguma imaginação. 
Queria também aproveitar estas férias para que o JP fizesse mais algumas terapias, mas ao contrário de quando era pequeno, cada vez é mais difícil convencê-lo. Ele colabora nas que tem mas também gosta de ter os seus dias para brincar. 
E se ele está bem integrado e se é bem recebido por todos. 
Fico mesmo contente por isso. São, genuinamente, amigos, incluem-no e recebem-no com entusiasmo. Fico completamente tranquila.

O Rafinha está muito giro. Brinca muito com o JP, palra cada vez mais, mas é tímido (no início) com adultos. Precisava de ir para um colégio grande, como foi o JP. 
Mas por mais que me custe, ainda não temos estabilidade financeira e não conseguimos suportar.

Eu também cá ando. As avaliações imobiliárias estão a escassear e abracei outros desafios que são para aprender ao máximo. E assim cá andamos a registar as nossas novidades para quem tiver interesse. Obrigado a quem segue e comenta tantos e tantos anos depois…


sexta-feira, maio 31, 2013

Mais crescido

Cheguei a ter receio que não levasse os testes a sério. Fizesse uma birra.
Uma daquelas coisas comportamentais tão típicas dele.
Fico contente por não ter tido essa informação. Acho que esteve empenhado.

Comigo esforçou-se bastante, senti-o mais crescido e acredito que na realização dos testes também. 

Hoje, apesar de todas as adversidades, sinto que superámos uma qualquer prova de fogo.
Estou ansiosa por perceber o feedback no fim deste ano letivo.
Orgulhosa do meu JP.


A minha maior surpresa relativamente ao testes intermédios


É que o JP adorou estudar comigo. E eu com ele.
Os testes lá formam adaptados para computador e iguais ao da restante turma.

O teste intermédio de Português correu mais ou menos. 
O de matemática, correu bem a primeira parte e a segunda mais ou menos. 

Mas durante o estudo comigo notei que aprendeu imenso. Três conclusões posso tirar:

- o rapaz aprende com relativa facilidade.

- A fase de brincar com bonecos e imaginar veio no Pedro mais tarde, quando a Comunicação aumentativa estava consolidada. 
Talvez seja a justificação para a falta de imaginação para conseguir realizar composições.

- Muita falta de concentração. Notei que conseguia realizar contas e raciocínios elaborados mas depois faltava noções simples como "metade". Provavelmente teria passado um passarinho por ali, quando a professora explicou na sala de aula. Seja como for, pareceu assimilar rapidamente.
Ou seja, aprende bem, mas pior é captar a atenção.

Hoje ficámos a saber que para a semana temos os testes normais.
E eu disse: "Bem, então vamos continuar a estudar" e ele sorriu tão contente...
Só por isso, ganhei o dia !!!