segunda-feira, setembro 28, 2009

Sentimentos contraditórios

Devia sentir-me aliviada. Mas sempre ouvi que depois de um grande susto, as pessoas deixam-se ir abaixo. Acho que está acontecer um pouco por aqui.
A notícia de que o meu problema de saúde não seria tão grave, não foi tão comemorada quanto devia porque:
  1. Só quando for operada terei a certeza dos factos.
  2. Porque no dia seguinte soube de um caso próximo, de longe mais grave do que o meu. A pessoa em questão é da minha idade e sinto um enorme sentimento de revolta.
Sobre o JP: à medida que o tempo passa aceito melhor a condição dele, sem deixar de batalhar por melhores condições de vida.
Mas fico triste ao ver o fantástico nível de compreensão dele e apenas se expressar por símbolos, e alguns balbucios, ficando tanto por conversar. Por outro lado confio que essa mesma inteligência vai possibilitar-lhe alcançar metas consideradas difíceis.
Sei que devo estar grata pela sua consciência, mas gera em mim um enorme receio das suas frustrações.
Por outro lado, este ano ainda não defini a rotina. E eu também preciso muito dela.
Para o ano o meu "bebé" vai ingressar numa escola pública e estou (já) a sofrer por antecipação. Será que se vai dar bem ? Será que a equipe que o vai acompanhar vai dar-lhe condições para se continuar a desenvolver como até agora?
Por outro lado, por vezes deixo apenas as preocupações de lado e aproveito o seu sorriso e os gritos de alegria e divertimento....deixando o tempo passar.
Mas efectivamente ando instável e sensível. Mas não devia...devia estar a aproveitar cada minutinho bom desta vida. Infelizmente nem sempre controlamos os nossos pensamentos e sentimentos.


13 comentários:

Mãe Sisa disse...

Eu acho que esses sentimentos são perfeitamente naturais!
É como se nos caísse a ficha... nem sei explicar bem, mas compreendo o que queres dizer.
Quanto ao sofrimento por antecipação: não faz isso parte do nosso papel de mãe?!?

Abraço bem forte, amiga!

Inês disse...

Tu só podes ser uma pessoa fantástica, um grande bem hajas!

Nala disse...

Amiga, sentires o que estás a sentir é perfeitamente normal. Tens passado por muita tensão, pressão, muita luta. Podes até deitar uma lágrima aqui e outra acolá, mas depressa as limpas e segues outra e outra vez. Mas, amiga, as nossas muralhas podem cair, porque elas não aguentam tudo e é assim que um dia nos vamos mais abaixo.
Imagino o que sentes, porque vivi a doença da minha mãe (suponho ser a tua), mas não sei o que estás a sentir, porque como já dissemos uma à outra várias vezes: só sabemos verdadeiramente, quando passamos pelo mesmo.
Quero dizer-te que continuarei aqui a rezar por ti, pelo JP.
Não te concentres na escola do JP agora. Até lá, verás que conseguirás uma escola com técnicos e profissionais capazes de lidar com o JP.
Um beijinho e um abraço muito forte

Beta (Dokas) disse...

Olá miga!
Por mais dificil que seja temos que viver um dia de cada vez
Vai tudo correr bem
Beijinhos
Beta

Paula disse...

Amiga... não encontro palavras para te acalmar ou confortar, mas espero que o meu abraço sincero e esperança por dias melhores seja suficiente... Beijinhos!

stardust disse...

Sem dúvida que a "inustentavel leveza do ser" nos deixa muitas vezes baratinadas, e começamos, aí a dar mais valor ás pequenas coisas.

Ainda bem que tudo não passou de um susto!

Beijocas

Maria João disse...

Amiga,

A forma como te sentes é perfeitamente natural, é o descomprimir da muita pressão passada, sem te teres deichado ir abaixo, agora naturalmente o corpo recente.
Quanto ao JP, eu sei que não deve ser nada fácil, a revolta deve ser enorme, mas pensa que ele é um menino fantástico e que te dá tudo o que pode, tudo o que tem para dar.

E tu, tu maravilhosa mãe, estás aí para receber e retribuir.

Bem hajas!!!

Beijoquitas grandes para vocês,
MJF

SOFIA PAÇO disse...

Nada do que eu diga vai mudar aquilo que sente... para além de que tudo já foi dito!

Apenas posso disponibilizar o meu tempo, o pouco que sei e passar à prática... é só dizer o que preciso... Grite por mim... estarei ao seu lado!

Um Abraço forte,

Kiss, Mamã Sofia

Leoinha disse...

Olá!

Depois do susto que apanhaste é normal que fiques com a sensação que as coisas não estão bem e depois há sempre aquela incerteza que nos atormenta, o melhor para estes casos é tentar não antecipar as coisas más (Sei que é dificil e por vezes eu não consigo seguir este meu pensamento).
Queria dizer mais uma coisa, estudei no IST há uns anos atrás (mais de 10 anos) e nessa altura estudava um rapaz com paralesia cerebral no mesmo curso que o meu mas num ano diferente, a boa verdade é que ele apesar de algumas dificuldades de mobilidade e fala ele conseguia passar às cadeiras e com boas notas, por essa razão acho que o JP com a ajuda preciosa que tem tido também se irá sair bem.
NUNCA DESISTAS!
(Eu acho que és uma super mãe e uma super mulher)


Bjs,
LL

Maria disse...

É a 1ª vez que leio este blogue.
Pelo que li, vejo tratar-se de mais uma das muitas mães coragem.
Nada acontece por acaso, os filhos mesmo com (diferenças) são o bem mais sublime.
Tenho dois filhos e ajudei a criar uma menina com paralisia cerebral desde os dois dias de vida até aos quatro anos, foi das vivencias mais gratificantes que tive na vida. São tão especiais estas crianças que nos tornam mais fortes e se assim se pode dizer eles é que nos tornam “diferentes”! Cada dia é uma conquista cada gesto cada gracinha cada progresso é para nós uma alegria sem limite, e como são ternas estas nossas crianças!!!
Um bem hajas MÃE coragem.
Como nada acontece por acaso tenho um blogue que pelo que vi te diz respeito “Carpe Diem” http://carpediem404mariabrito.blogspot.com/
Beijinhos , tenho a certeza que tudo vai correr como desejas.

Anónimo disse...

Deixaste-me preocupada. O que é que tens?
Gostei tanto de te ler aqui. Nunca me disseste que tinhas este blog. Nem a tua irmã. :-/
O JP lembra muito o Paulo! Mas tem uns olhos como os teus. Sempre a sorrirem. A reportagem de Cuba segue na próxima semana. Eu aviso-te.
Beijos para todos, querida
RMC

Mina disse...

Grilinha
Minha querida esses sentimentos contraditórios, são tão normais, permite te senti-los sem o sentimento de culpa, que esse é que não faz parte de mães coragem
Faz parte de nós sentir, fragilidades inseguranças somos apenas humanos...
bjocas

Deixo-te aqui estas palavras do
Dr Augusto Cury, "Guardador de sonhos"

Sou apenas um caminhante
Que perdeu o medo de se perder
Estou seguro de que sou imperfeito
Podem me chamar de louco
Podem zombar das minhas idéias
Não importa!
O que importa é que sou um caminhante
Que vende sonhos para os passantes
Não tenho bússola nem agenda
Não tenho nada, mas tenho tudo
Sou apenas um caminhante
A procura de mim mesmo

Espero que te anime, as palavras deste homem confortam-me muitas vezes

Rita disse...

És uma mãe maravilhosa :)