terça-feira, setembro 09, 2008

O JP e a Escolinha

Pelas circunstâncias da vida nunca me foi possível acompanhar mais o JP. Ficar com ele em casa.
Talvez o coração tivesse me impelido a ficar com ele, mas agora sei que este percurso foi o caminho certo.
O meu filho vivenciou e vivencia o dia a dia de uma criança normal, com as devidas limitações. Segue a rotina escolar, o mapa de presenças, a história, o brincar aos cozinhados com os amiguinhos...Ele adora crianças e sabe conviver com elas.
Está familiarizado com a rotina escolar, vai-se habituando às letras, ao ritmo de trabalho. Na rua quer "conversar" e brincar com os meninos que vê. Para ele entabular um relacionamento é natural. Adora conhecer pessoas.
Se gosta delas quer seduzi-las.
Quando o surpreendo na escola nem reconheço o meu filho ordeiro, que come os iogurtes que não gosta, a sopa (nem sempre!!!) e adormece como um anjo, sem grandes fitas (tem dias, mas agora melhorou).
Na verdade o que mais me doí é ver a dependência do seu brincar em conjunto, da vontade de outros meninos. Bem sei que o seu sorriso cativa-os e consegue ter muita companhia. E eu sei que ele se apercebe de todas estas coisas e por isso tanto quer ser como eles. Tanto que quer trabalhar muito, tanto que quer melhorar depressa.
Vale a pena vê-lo com vontade, mesmo que saiba que ainda demorará a alcançar os seus objectivos.
Estes sentimentos fazem parte de um processo natural a que todos os pais de crianças especiais se submetem. E este tipo de tormento acompanhara-me-á até o fim dos meus dias, convivendo com outros sentimentos de orgulho.

13 comentários:

Vanessa disse...

Tens um menino de ouro...
Beijoca

Cristina disse...

É bem verdade...

Bjos grandes

Cristina

sorrisos da minha alma disse...

O teu coração transborda um amor tão puro, tão doce...

Beijo enorme

Docinho disse...

Esse tormento é que te dá força para olhares os momentos de orgulho com outro valor!

Um beijo apertado

PS e o livro?

Grilinha disse...

Ai Docinho...não tenho tido grande tempo. Para a semana espero já ter os primeiros exemplares do blog encardenado em livro. Um beijo

Anónimo disse...

Vocês conseguem olhar a vida e cada dia dela de uma maneira diferente, todos os dias lutam por algo o JP é um lutador e tem tido as suas vitórias e muitas outras certamente estarão para vir
Beijinhos
Beta & Beatriz

Anónimo disse...

Olá mamã...
Acho que as crianças seja qual for o seu tipo de limitação devem viver tudo o que uma criança deve viver. Acho que a vossa decisão foi acertada. Este ano a Noquinha tem na salinha dela uma menina com sequelas de paralisia cerebral, com limitações a nivel diferente do JP, mais cognitivas. Gosto de saber que ela está lá, porque quero que a Nocas aprenda a respeitar toda a gente e a compreender que a vida nem sempre sorri da mesma forma para todos. Aliás a escolinha dela é uma instituição que acolhe muitas crianças também de familias carenciadas e com outros problemas diferentes. É essa a realidade da vida e é essa a realidade que quero dar a conhecer à minha Nocas desde pequena. As minhas colegas têm os filhos no colégio até à secundária, mas não é o mundo real... Tu também queres dar a conhecer essa realidade ao JP e ele vai agradecer-te por isso. Beijinhos
Silvia

Luisa disse...

O que escreves está cheio da ternura e do amor que te unem ao teu filho. Mas ao mesmo tempo és realista e tens os pés bem assentes na terra. Este post é um bom exemplo! É por isso que gosto tanto de te ler!

Beijinhos

lobitas disse...

E é esta coragem que nos faz enfrentar o mundo de frente e lutar a cada dia que passa, a cada batalha que nos quer derrubar, é esta luta que alimenta a nossa força e a vontade de viver e transmitir esta força guerreira aos nossos filhos e ensina-los a serem felizes.

Rita disse...

Deve ser um orgulho olhar para o JP! É uma criança fantástica! Parabéns

Anónimo disse...

Beijinhos com muito carinho ao J.P. e de certeza que este novo ano, ele vai encher de orgulho os seus pápás com as novas vitórias. Beijocas especiais também á minha Grilhinha Maria avó do Baunilha e do Chocolate

Mãe Sisa disse...

É comum este sentimento de "dor na alma" por sabermos que os nossos filhos nem sempre conseguem brincar como gostariam. Lermos no seu olhar que gostariam de ser mais participativos e independentes...
Mas o facto de eles próprios não desistirem também nos fortalece, não é?
Acabam por ser um exemplo para nós, mães (que ainda temos tanto a aprender com eles)!

ClaudiaMG disse...

Olá amiga

Acredito que este ano será mais um ano de sorrisos e de orgulho para vós.
Ainda bem que sentes que a vossa decisão de o colocar na escolinha foi a mais acertada, nada pior que sentirmos que erramos com os nossos filhos.

Cláudia