quarta-feira, janeiro 06, 2010

Estranha apatia

Ontem lá fui com a educadora de intervenção precoce do JP conhecer a possível futura escola do pimpolho. Combinado em cima da hora, nem me tinha preparado psicológicamente, se é que há preparação possível. A escola abriu em Outubro passado, mesmo aqui ao lado de casa. Visitamos as instalações todas. É agradável e preparada para receber o JP. Na unidade de Multideficiência que o JP frequentará (pouco esperemos) apenas 3 alunos. 3 profissionais para 3 alunos com NEE. Um menino com PC no colchão a fazer fisioterapia. Re-encontramos a primeira educadora de intervenção precoce do JP que ficou muito curiosa em saber como está ele. Imagino que muito diferente, para quem o viu pela última vez nem 15 meses tinha.
Todos simpáticos, acolhedores...
Eu...talvez demasiado apática para o meu habitual.
Depois ainda fui conversar com a coordenadora do ensino especial do agrupamento. Meio pequeno. Recorda-se bem de lhe terem falado diversas vezes do meu JP.
Bem, antes assim...
Segunda feira farei a matrícula e depois posso decidir criteriosamente qual a escola escolhida até Maio. Apenas precisam da matrícula já para prepararem uma turma reduzida de 20 alunos.
Sendo o JP um aluno condicional, está decidido que frequentará novamente a pré e só irá para o primeiro ano em 2011, possivelmente já bem preparado pela UTAAC a ler e escrever com o computador.
Insistem que visite as outras duas opções na zona. Custa-me. Bem sei que as aparências podem enganar, mas pelo menos nesta que visitei há lugares de estacionamento de deficientes à porta (e eu bem sei como custa os dias de chuva correr com a cadeira ou com o JP ao colo) e elevador. Numa outra tenho de entrar por uma porta nas traseiras porque não tem acessibilidades. A terceira hipótese também parece estar a cair aos bocados e ainda me deixou mais deprimida. Tenho dúvidas que as visite.
Imaginei-me vezes sem conta no lugar do JP enquanto fazia a visita . Acredito que o poder de adaptação dele seja bem melhor do que o meu, mas mesmo assim...tenho mesmo muito receio.
Sugeriram que ele fosse lá uma vez por semana a partir de Abril ou Maio. Não acho boa ideia.
Como o que tem de ser tem mesmo muita força...vou tentar não pensar demasiado nisto.
Até porque quero começar o ano bem animada e continuar assim pelos meses fora...

13 comentários:

Mãe(q.b.) disse...

A decisão da escola é terrivel.... imagino para ti, mas tem calma, as melhores soluções vem assim do nada e sem pensar muito :)

jocas grilinha de estimação

Cindy disse...

Pela experiência que tenho e que nada tem a ver com a tua, só com a mesma condição de mãe, acho que o melhor é não criar expectativas e esperar que tudo corra bem. Sabes que quando entramos num ambiente e o achamos leve, mesmo que as condições físicas não são as melhores, mas sim as humanas?... leva o Jp e vê o que ele sente, é o melhor!

Quando foi a entrada para a pré, este ano, fiquei desiludida em ter vaga na que não queria. Tive oportunidade de visitar as duas e senti na que ele anda que foi a escolha mais acertada e ainda bem que o destino fez com que assim fosse. Como dizes e bem, o que tem que ser tem muita força. Desde que o teu menino seja feliz, que o tratem bem e que lhe dêem aquilo que ele precisa para se tornar independente, isso é o mais importante e não vale a pena sofreres por antecipação.
Beijocas grandes e pensamentos positivos!!

Grilinha disse...

Cindy: quando foi para o JP entrar no colégio onde está, não só tinha todas as indicações e recomendações, como eu própria o via bem lá...(na altura ainda não sabia que problema viria a ter). Agora as acessibilidades são fundamentais para mim, senão fico depressiva...e reduz-me praticamente à que vi. O factor humano é que é uma incerteza. Vamos ter fé e seja o que Deus quiser. Mas que por regra gosto de me rodear de mais certezas e convicções....ai isso gosto. Não podendo, tenho de tentar estar sem grandes expectativas, mas alguma esperança...Bjs

Grilinha disse...

Mother....é um stress é...
Mas dá-me instabilidade e não quero. Vou pensar em coisas boas e sossegar (se conseguir). Beijos

Mina disse...

Grilinha
Não é tão estranha assim a apatia, quando queremos o melhor para os nossos meninos, e só conseguimos ter a certeza se fizemos uma boa escolha se a concretizar-mos...
Resta-nos sempre a possibilidade de mudar, portanto a solução é mesmo não desanimar...
bjocas

Luz de Estrelas disse...

Estás à defesa. É natural. Mas tu já tiveste muitas surpresas, esta será mais uma. Um beijo

Mel disse...

Querida Grilinha e JP,

Não sei se a ajudará, mas vou-lhe contar a minha experiência:
O meu filho tem PEA - perturbação espectro de autismo. Dese os 2 anos que andava no mesmo infantário - familiar, acolhedor, conhecia toda a gente, o meu menino era mimado pelos funcionários e pelos colegas que o conheciam e acompanharam desde então.
No presente ano lectivo ele teve de mudar de escola (fez 6 anos em Julho e entraria para o 1º ciclo).
Embora ele esteja muito bem, em termos de desenvolvimento, tem ainda falhas na fala - a parte expressiva/emissora não é ainda adequada à faixa etária. Assim pedimos adiamento. Fui visitar a escoal pública da zona, JI Aires - Palmela, e não vim lá muito bem impressionada ( final do ano, toda a gente a correr, etc). Instalações boas, mas achei que iria ser um mundo muito grande para ele e andei aflita e até triste, o Verão todod. Falaram-me bem da escola e educadores e eu arrisquei e em Setembro lá foi ele, após uma preparação de todo o mês de Agosto a dizer-lhe que iria para aquela escola.
Minha querida, não poderia ter corrido melhor: a escola é optima, a educadora é do melhor que já vi ( o meu filho já aprendeu mais neste periodo do que nos anos todos anteriores!), está muito bem integrado, todos lhe querem bem. Tem apoio de educadora de ensino especial 3 x semana. Mais importante, já fez amigos novos, está muito feliz e gosta muito de ir para a escola.
Neste Natal visitou o anterior colégio, com os restantes amigos, numa festa organizada pelo mesmo, lembrava-se bem deles (dizia os nomes todos!) e contou as novidades da nova escola ( tão crescido que ele está!).
Espero te-la ajudado a tomar a sua decisão.
Um abraço muito grande e bom ano!
Maria Anjos

Anónimo disse...

Vai, com certeza, correr tudo bem. As crianças surpreendem-nos sempre, adaptam-se a novas situações com alguma facilidade. Vai ver que vão todos mimar e receber muito bem o seu filho. E os colegas, tenho para mim, que vão gostar dele e acompanhá-lo. Para já não falar dos professores e técnicos que certamente são competentes e tudo farão para que a integração corra pelo melhor.

Não se angustie, viva cada dia intensamente.

Um beijinho e vamos lá a ter alto astral.

Helena

Avessa disse...

Deve ser realmente dificil teres que cotrabalançar tantos factores para esta nova etapa do J.P. De facto a boa acessibidade tem de ser um factor importante, mas também o clima de humanização tem de ser especial para inspirar tranquilidade. Mas eu tenho a certeza que o JP querido como é, vai fazer-se rodear de gente que de certeza vai fazer o melhor por ele. Haja condições. A tua intuição vai de certeza acertar na melhor escolha. Beijinhos.

Grilinha disse...

Maria dos Anjos: É como digo...uma questão de sortes e azares. Claro que sei que até pode correr bem...mas não tenho a certeza. Nós adultos sabemos de mais...e custa muito pensar nisto tudo. É óbvio que tenho esperança que corra muitissimo bem, mas tb sei que o inverso é um dos cenários possíveis.

Fico feliz que tudo tenha corrido bem convosco. Sinal de esperança. Beijinhos

Grilinha disse...

Helena: Acho que o JP pode "sofrer" um pouquito, mas não é isso que me angustia. É poder estagnar no seu desenvolvimento por não ter quem acredite na inclusão e faça um trabalho como até agora feito. Claro que pode acontecer o melhor. Eu não conheço o trabalho dos profissionais. Não tenho referências....Por isso temos de ir cautelosamente. E vamos informar-nos o máximo possível.

Grilinha disse...

Mina, Luz das Estrelas e Avessa: Vamos ter de investigar até sossegar um bocadinho o coração...
Tranquilidade é que será difícil, mas não vale a pena sofrer muito por antecipação. Vamos tentar tranquilizar-nos, conhecendo as pessoas, obtendo referências....e quem sabe optar por outra escola, se for caso disso ?

Maria José disse...

Tudo faremos para que o João tenha uma integração o mais harmoniosa possível no jardim de infância. Apesar de ainda não termos as condições ideais, acredito que com ajuda da mãe e os restantes técnicos faremos um bom trabalho.