segunda-feira, setembro 25, 2006

Só para contrariar

O JP diverte-se muito a contrariar-nos. Sabe que não gostamos que atire a cabeça para trás e repete vezes sem conta o gesto para descobrir quantas vezes digo "Não!" sem desesperar e não quer perceber que para nós não é uma brincadeira. Ele ri-se à gargalhada a desafiar-nos. Um verdadeiro traquinas.

As novidades:
  • Já temos a prancha rolante e já a usámos (o engenho do vovô). Obriga a exercitar bastante os músculos do pescoço e das costas. Ainda bem!
  • Ainda não acertei na palhinha. Esta, ele trinca-a… tem de ser mais rija…
  • O batizado do primo correu lindamente. Ele, como de costume, teve muitos miminhos, até arranjou uma avó emprestada e tudo. Eu emocionei-me no batizado. Fico sempre assim… Batizados e casamentos puxam pela minha veia mais lamecha…
Com o JP vou deixar ser ele a decidir se quer ou não ser batizado, tal como eu o fiz. E escolhi ser. Batizei-me só com 9 anos depois de ter feito um ano de catequese. As fotos já não têm tanta piada, mas é uma opção. Na altura não gostei muito. Agora, acho que para nós e para o JP é o que faz mais sentido.

Os receios de que a família não aceitasse bem o facto do JP ser diferente desvaneceram-se por completo. Sinto-me tranquila sobre isso e acredito que a nossa família é agora cada vez maior e melhor.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Terapia da fala

Hoje tive uma breve conversa com a terapeuta da fala. Ela não está preocupada, pois a evolução do JP está ainda dentro do padrão, embora entenda muito mais do que fale. Mas, em jeito de prevenção, temos tomado algumas opções na alimentação com vista a desenvolver toda a musculatura oral. Ele bebe pelo gargalo das garrafas, mas nunca calhou usar uma palhinha, vá-se lá saber porquê... Acho que nunca me lembrei, só isso. Pois hoje já vamos experimentar a reação à palhinha...

Ele usa uma razoável quantidade de palavras, olá, cão, não, é (sim), mãm, avó, abô, boo (bola), áua (água) e outras, mas não de uma forma sistemática, talvez porque exige algum esforço... mas vamos esperar mais tempo e ver a evolução.

De resto, continua cheio de vontade de 'andar, estar no chão o tempo todo e é por isso que tenho de ver se fabricam depressa o dito andarilho, que é específico para ele, pois o rapaz está a ficar impaciente e muito reivindicativo. Vamos aproveitar muito bem este fim de semana, que mais uma vez vai ser deliciosamente recheado de atividades e convívio (e doces).

quinta-feira, setembro 21, 2006

Tempo

Tempo... Bom tempo… Mau tempo… Pouco tempo… Muito tempo, mas sempre tempo! 

Hoje faz lembrar o dia em que nasceu o JP, um dos poucos dias em que choveu em dezembro de 2004. O mau tempo, para mim, também é bom tempo. Gosto do aconchego do lar e não me deprime nada. Brincar, beber leite com chocolate quente, fazer torradas, ver filmes, ler livros com o JP.

Adoro! 

Importante é haver algum tempo para estar com ele. Chuva ou sol, não importa… E a minha recente 'libertação' das atividades matinais faz com que esteja menos vezes com ele. Há muito trabalho, pouco tempo para tempos livres. O tempo passa depressa demais. O que é feito daquela altura em que quando eu era pequena, as férias pareciam não ter fim? O tempo parecia durar mais! Será que também parece ao JP que o tempo demora a passar? Espero que sim! A sensação é a melhor! Pelo menos, ficamos com a sensação de que o aproveitámos…

quarta-feira, setembro 20, 2006

Alívio

Esta é uma semana com alguma tensão (encoberta). Na prática, é a primeira semana em que o vovô do JP fará sozinho todas as atividades matinais sem a minha presença.

Na segunda-feira foi a ida à APPC. Novamente sem mim, novamente tive o coração a bater com força de curiosidade e de medo que algo corresse mal e o vovô sentisse que a 'missão' era difícil demais. Liguei várias vezes, estava tudo bem. Liguei a última vez às 13 h, pensando que a minha 'encomenda' já estaria no colégio, pelo menos desde o meio-dia. Errado

"Então, papá, aconteceu alguma coisa?"
"Não, filha, aproveitei estar em Lisboa para tratar dalgumas coisas por aqui. Não há problema, pois não? O teu filho adora passear e está todo divertido."

Uau! Surpreendida com o à-vontade. Por esta não esperava.

Terça-feira: fisioterapia, tudo normal.

Fiquei ainda muito feliz, visto que na APPC comentaram com o meu pai que o JP é um menino que se porta muito bem, muito interessado e até já andou todo satisfeito a mexer no computador. Imagino! Aqui em casa, bem que ele tenta meter a mão, mas como não tem muita sorte, aproveita lá na APPC para se desforrar. Acho ótimo!

domingo, setembro 17, 2006

Encomenda do andarilho

Fim de semana delicioso, habituais atividades do JP e breve convívio com amigos recentes, mas daqueles que sabemos que serão para a vida! Enfim, uma sensação de pena de ter passado rápido demais, mas felizmente estou otimista e cheia de vontade para enfrentar mais uma semana preenchida.

Amanhã irei tratar de encomendar o andarilho ortopédico. O vovô, na brincadeira, colocou-o numa vulgar aranha e foi ver o JP a percorrer o piso do El Corte Inglês a 100 à hora, ao som das suas gargalhadas estridentes. Eu vi o "forretinha" do avô a puxar da carteira para comprá-lo! Tive de lhe dizer que estava previsto encomendar um andarilho apropriado, por forma a garantir que ele fique bem posicionado e que não adquira maus hábitos. Mas, de facto, que alegria vê-lo assim… Nem parecia ter problema algum!

O vovô quando se despediu, lembrou-me: "Trata de comprar o andarilho para o meu neto… Ele precisa…"

OK, papá, é para já! 

quinta-feira, setembro 14, 2006

O primeiro dia na APPC (Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral)

Finalmente o dia de entrada do JP na APPC! Parece que correu muito bem, mas tive imensa pena de não me deixarem assistir. Elogiaram muito a capacidade cognitiva do meu amor pequenino e até eu estou cada dia mais surpreendida! Tenho a certeza de que irão fazer um excelente trabalho com ele. E eu fico tranquila porque o sinto tranquilo, interessado e entusiasmado, apesar de ter tantas atividades. Sim, tenho sorte, muita sorte do JP ter aparecido na minha vida... Andei um pouco zangada com Deus, não por mim, mas por ter feito do JP, uma criança com menos oportunidades de que as outras. Hoje, acho que ele veio para me dar uma lição e a outros tantos. Ser feliz é possível apesar de tantas contrariedades... Gosto ainda mais dele por ele ser diferente. Gosto dos olhares simpáticos e carinhosos que me lançam. Repudio os olhares demasiados curiosos e de pena... Sinto-me orgulhosa dele e nunca envergonhada! Acho que o amor é assim mesmo. Amo-o incondicionalmente e estarei aqui para ser exigente com ele mas compreensiva, amiga e confidente dos seus sentimentos e emoções, estarei com ele para a vida. Quanto a Deus, nunca deixei de acreditar nele, mas peço hoje muita ajuda por outros meninos e meninas que estão no meu coração. Pelo JP só peço que me dê orientação para o ajudar a ser feliz. Penso que deixei de querer batizá-lo, mas isso será outro post...

Já sei quem vai fazer os convites da próxima festinha de anos do JP! Espreitem. Está tão giro!

terça-feira, setembro 12, 2006

A pinça

Fui duplamente desafiada pela Anita e pela Aninhas para indicar seis etiquetas minhas. Adoro ser desafiada e vou responder, claro. 

Uma das etiquetas terá de ser 'gulosa' e, felizmente, que a tendência para engordar não é proporcional à minha gula. E o gene passou para o JP, há muito que eu o sei. 

A educadora do JP aprendeu a tirar partido das suas 'vontades' em benefício dele: está a treinar o movimento de pinça com smarties de chocolate... O que ele gosta daquilo! E apanha-os... Ah, pois!

segunda-feira, setembro 11, 2006

Carta do JP aos papás, parte III

(continuação)

Brincar é o que mais gosto de fazer, gosto também de passear e de seduzir as pessoas com o meu sorriso. Gostaria muito de andar e chegar às coisas que quero mexer… já entendi que não consigo, mas como vejo todos os outros a fazê-lo, a minha vontade também é muita. Falta-me ainda força nas costinhas, por isso vocês fazem-me fazer tanto exercício, não é assim, papás? Também queria agarrar melhor nos objetos, mas já melhorei muito e com o tempo hei de fazê-lo bem. Pelo menos, consigo mudar o canal da televisão e mexer naqueles botões todos da aparelhagem, o que não vos parece agradar muito…

Aos 13 meses, iniciei uma outra terapia que detestei de início, a hipoterapia. Ficava cheio de medo em cima daquele bicho enorme. A terapeuta também é muito querida para mim e com o tempo, passei a gostar. Agora choro quando acaba. Faz-me de tal maneira bem, que logo no primeiro mês consegui equilibrar-me melhor sentado. E, depois, a acupuntura. De todas as terapias, é a que vocês acham mais simples. Não dói nada, é rápida, é a laser, mas eu choro. É a que mais detesto. Sim, é verdade que me fez um pouco mais fala-barato, mas agora interrompi.

E assim, aos 21 meses, digo que amo viver. Amo-vos! O a-bô, a vovó, a família. Adoro as minhas terapeutas, a minha educadora e as auxiliares… Ai! Por pouco esquecia-me do meu querido Noddy!

Um beijo cheio de felicidade

JP


FIM

quinta-feira, setembro 07, 2006

Carta do JP aos papás, parte II

(continuação) 

Com quatro cinco meses fui para a natação. Reclamava com a água, pois a do banhinho em casa sempre era mais quentinha, mas via-se que gostava, apesar de ainda não gostar de mergulhos e coisas mais radicais. Notou-se logo grandes melhoras. Encontrei depois a minha terapeuta atual, gostei logo da dedicação e do seu jeito de ser, passei para a hidroterapia e agora sim, sou muito radical: escorregas, mergulhos e maluquices, quantas mais melhor! Sou fã da água e até só de molhar a cara a minha disposição muda. A minha mamã, por vezes, afligia-se com a ideia de eu ser especial, mas sempre a vi bem-disposta, com muita vontade de fazer uma vida comigo semelhante à que toda a gente faz com os seus bebés. Apesar dalguns baixos de que me apercebi, ela tinha sempre um sorriso para mim com brincadeira e muitos estímulos, pois receavam que eu pudesse estar afetado da minha cabecinha pensadora e bombardeavam-me com brinquedos giros, livros, brincadeiras feitas com muita vontade. Vão ver que tudo se vai recompondo aos poucos. Deem-me tempo. Os meus pais ensinam-me que, com esforço, as coisas conseguem-se e eu vou ajudar com a minha teimosia natural. Se eu não precisar de fazer muito, melhor para mim, pois sobra mais tempo para brincar…

(continua)

quarta-feira, setembro 06, 2006

Carta do JP aos papás, parte I

Adorei a carta do meu "sobrinho" Martim aos papás dele, que fazem hoje anos e achei que o JP também podia escrever uma aos pais... 

Aqui vai ela: 

Mamã querida e papá do meu coração: 

Escrevo cansadinho, logo depois de uma sessão de hidroterapia. Nadei muito e diverti-me bastante na água. Sinto-me como se ainda estivesse na barriguinha da mamã, mas ainda melhor, pois senti-te muito tensa enquanto me esperavas, mas acariciavam a barriga e falavam comigo e eu lá me acalmava. Cá fora é melhor. Senti isso mal me pegaste no colo, mamã... O carinho com que o fizeste... o teu sorriso de orelha a orelha... O início da minha vida foi tranquilo. Eu e a mamã, a mamã e eu. Às vezes também o papá... dormíamos sestas, juntinhos. Quando estava acordado, queria um colo o tempo todo. Doía-me a barriga e quando estava ao teu colo melhorava muito. O colo era-me sempre dado. Achei que valia a pena viver... Era bom estar aqui para ser assim amado. E o mundo era giro... Demonstrei-vos, mamã e papá, quando sorri intencionalmente pela primeira vez às sete semanas. Quis que soubessem que estava bem. Sentia-me bem. E nunca mais parei de sorrir. Sempre.

Ia visitar muitas vezes as 'batas brancas', acho que lhe chamavam médicos do desenvolvimento, neurologistas, fisiatras, que acharam que era melhor eu fazer ginástica. Foste tu, mamã, que fizeste muita questão! Ai, não gostava nada daquilo e não me calava! Vocês tinham de saber que eu não estava nada de acordo, mas de facto ajudou-me a melhorar e agora até me divirto muito com a minha fisioterapeuta...

(continua)

Um parenteses: quando os amigos sabem...

A carta do JP continuará… mas faço aqui um parênteses só para dizer que custa às vezes dizer a amigos com quem não falamos há muito tempo, que as coisas não correram da melhor maneira com o meu filho.

Acho que custa mais a elas do que a mim. As pessoas ficam sem saber muito bem o que dizer. E com pena, acho eu, o que não aprecio. Eu desbloqueio e digo: "Por favor, foi algo de muito diferente que aconteceu na minha vida, mas não horrível. A verdade é que não acontece só aos outros, e, acredita, que está a ser muito bom à mesma ter um filho. É igual, mas com mais preocupações. Tenho retirado muito de positivo disto. Eu, sempre superdedicada ao trabalho, mudei a minha ideia de valores na vida. É mesmo muito simples sermos felizes. Porque complicamos?"

JP, desculpa lá ter interrompido… amanhã voltamos à tua carta.

segunda-feira, setembro 04, 2006

32º às 11 h da noite

Estas noites de verão vão deixar saudades. Na varanda da minha casa penso no meu dia. Penso no meu menino. De manhã não quer ir para a escolinha, à tarde não quer voltar. No fim do dia passa por lá uma senhora amorosa, já com alguma idade e vai com ele para a relva. Segura-o para ele poder andar... Diz que lhe parte o coração todos os outros fazerem o que querem e o meu não... Então porque ele adora que o segurem por debaixo dos braços para andar e dá gargalhadas de felicidade. Ela anda com ele e é tão cansativo...

Continuo a viver um dia de cada vez e a pensar pouco no amanhã. Porque sou feliz no agora. Porque tenho receio do amanhã...

Adenda: I´m OK... Há noites nostálgicas... 

domingo, setembro 03, 2006

3 de setembro

Faz hoje seis anos que assinalámos com uma linda cerimónia o nosso início de vida a dois: casámos! Reunimos os amigos e a família, fomos tradicionais. Quero deixar aqui uma pequena mensagem para aquele que é o amor da minha vida, mesmo sabendo que muito se perde nas palavras…

- Amar-te, querido, é encostar-me a ti e sentir a tranquilidade, sentir o teu bater do coração, a doçura dos teus beijos e dar graças a Deus de existires e estares comigo. De sentir que contigo tudo estará sempre bem
e que daremos sempre muitas gargalhadas juntos,
que nos sentimos seguros na rotina, mas que nos sentimos renascidos na surpresa
que ainda termos tanto para descobrir um sobre o outro
É tão bom… sentir-me desejada e mulher… sempre
Foi tão bom termos feito da nossa vida a dois… 
uma vida a três
que tanto nos enche o coração de sentimentos que desconhecíamos
De rechearmos os nossos dias de ternura, amor… compreensão… amizade 
e muita boa disposição
É tão bom poder dizer sem medos: sou feliz. Sou feliz, contigo. E  amo-te mais agora do que nunca.

sexta-feira, setembro 01, 2006

O ano começa agora

Voltámos à rotina, e eu ao trabalho novamente.

1 de setembro, o meu menino faz hoje 21 mesinhos.

Vamos recomeçar com a hipoterapia (terapia com cavalos) e passado um mês e meio de pausa, veremos se ainda gosta de andar em cima da 'Alentejana'.

Na fisioterapia de ontem colocaram-no pela primeira vez num andarilho. Ele adorou, adorou andar sendo ele a comandar. Está cada vez mais entusiasmado, mas continua absorvente e concluí que é normal. Só acho que no seu caso, ele terá sempre a tentação de se tornar dependente e eu tenho de habituá-lo gradualmente a sentir-se bem sozinho, mas, obviamente, só tem 21 mesinhos. Tenho de ir com calma.

O estágio do meu pai, que nos tem acompanhado, está quase a chegar ao fim e ele passou com distinção. Engenheiro reformado, já 'engenhocou' com a fisioterapeuta um aparelho para ajudar o netinho a gatinhar... uma prancha com rodas. Ele vai fabricá-la e depois mostramos! Vamos é ter de comprar um capacete para o JP, senão é a desgraça!

quarta-feira, agosto 30, 2006

Lição a estudar

Num dia de trabalho comum, conto os minutinhos até chegar a casa e desfrutar do meu pequenino amor. Encho-o, então, de mimos e atenções, estímulos e brincadeiras! Quem me pode condenar? São as 'nossas' duas ou três horinhas, semelhantes em milhares de lares onde há mães trabalhadoras…

Esta semana o colégio está fechado, estou com ele a tempo inteiro e constatei que o meu menino só está satisfeito se estiver a passear ou se eu estiver a dar-lhe atenção… Bem sei que ele tem limitações e não consegue explorar o mundo sozinho como gostaria, mas, neste momento, não se interessa nem por brinquedos que consegue manipular. Descobri que tenho uma lição nova a estudar para ajudar no crescimento equilibrado do meu pequenino, qualquer coisa como estímulo da autonomia e independência… Nos dois dias que ainda me faltam disfrutar com ele, não me parece que este maroto me deixe estudar o que quer que seja… :-)

Adenda: o meu menino não fica um minutinho sozinho sem choramingar, o que é difícil para mim. Porém, posso estar a exagerar e ser normal na idade dele... Só gostava que fosse um pouquinho mais independente e que se conseguisse entreter sozinho a brincar sem ser a ver o Noddy…

segunda-feira, agosto 28, 2006

O fim de semana perfeito

O fim de semana foi encantador, recheado de passeios com os nossos amigos vindos do Brasil. Aproveitar o seu calor humano, desfrutar de uma amizade plena e saudável, que perdura há muito tempo, apesar do longo oceano pelo meio de nós. Foi "gostoso de mais". A amizade enche os nossos dias, dá-lhes a verdadeira energia da vida.

Para além disto, conheci uma mãe e uma filha incrivelmente especiais. Não tendo o blog por objetivo conhecer alguém, acabamos por sentir que conhecemos algumas pessoas muito bem e torna-se irresistível, por vezes, dar forma às emoções, dar uma cara, uma presença e aconteceu com elas. Há muito que a Anita e a sua maravilhosa Pérola fazem parte de mim e agora foi só uma formalidade para tomar forma física. Fiquei feliz e contagiada. A Pérola é especial. Os mistérios desta menina são também os meus mistérios... adoro-a. A mãe Anita é serena, emotiva e encantadoramente tímida, exatamente como a imaginava... O meu pequenino adorou o colinho dela, já nem queria voltar para mim... Ele está a ficar excessivamente sociável, tenho de pôr travão a estes abusos!

Hoje temos o colégio fechado e vamos passear na rua, fazer compras, ver os passarinhos, estar juntos e fazer muitas banalidades!

sexta-feira, agosto 25, 2006

A reviravolta aconteceu há dois anos

Hoje, dia 25 de agosto, faz dois anos que fiz a dita ecografia fora da rotina, a tal que originou a reviravolta de 180º na minha pacifica e rotineira vidinha! O que sofri, a angústia pela qual passei, só quem viveu o mesmo pode saber, é indescritível.

O nascimento do meu rebento mudou tudo e olhar para ele, para a sua carinha, olhinhos, boca, mãozinhas… foi o melhor dos tranquilizantes e antidepressivos! E já não quero perder tempo a olhar para o passado, o futuro e os seus desafios e caminhadas são só o que me interessa. É um desafio e tanto, o único da minha vida que não se pode resolver rapidamente, o único que exige tempo, dedicação e muita perseverança e que nunca saberei qual o resultado. Mas é um desafio fascinante!

Hoje chegam dois amigos do Brasil, que conheço há 10 anos; são daqueles que estão no nosso coração. Trazem a sua filhota de quatro anos, que ainda não conheço. Este dia terá agora outro significado e bom. Tal como o dia em que soube da minha gravidez (9 de abril de 2004) foi exatamente 13 anos depois da data do falecimento da minha mãe. Por cada data com um significado triste, que venham outros bons acontecimentos que a 'camuflem' pelo menos um bocadinho. Bom fim de semana.

terça-feira, agosto 22, 2006

O primeiro "a-bô"

O vovô acompanhou-nos pela terceira vez à fisioterapia do JP.

Coincidência ou não, o meu JP disse "a-bô" pela primeira vez, ontem. Há muito que dizia "avó"com frequência, mas "a-bô", só ontem. Acho que ainda vai corrigir, dado que não temos influências nortenhas, só me faltava era o meu filhote falar à moda do Norte, carago, sem ofensa, eh, eh!

Parece que o vovô entrou com facilidade no coração do meu menino e o meu menino no coração grande do meu pai. O vovô aprendeu a mudar uma fralda, desajeitado, mas mais destemido.

O meu papá foi excelente para mim, principalmente em criança. Descobria os meus interesses e incentivava-me a aprofundá-los a ler, a investigar, a desenvolvê-los. Eu comecei a tocar piano aos cinco anos, a pintar a óleo aos oito, a criar cães de raça mais tarde. Tudo interesse próprio, nunca obrigação. O meu irmão era astrónomo (com telescópio feito por ele próprio) desde os oito nove anos. Apareceu vezes sem conta na comunicação social. Quis ir para a NASA, mas depois abandonou a ideia, para não se separar da família. A minha irmã tinha um laboratório com microscópios, plantas e bichinhos (hoje é médica). Fomos crianças felizes, interessadas e com as parcas possibilidades financeiras daquela época, vivíamos num ambiente altamente estimulante. O meu papá sempre disse que não dava uma cana de pesca aos filhos, mas que os ensinaria a pescar e que gostava de todos por igual, quer tivessem doutoramentos ou se trabalhassem na limpeza de ruas... O meu papá, com todos os defeitos que lhe vejo, sempre foi um bom pai. E imagino-o um ótimo avô. Estão ambos a beneficiar desta relação. E eu estou feliz.

O domingo, tal como esperava, foi simplesmente delicioso. Contacto com a natureza, num parque aqui perto, onde estivemos no lago, demos comida aos patinhos e depois almoço e convívio com os priminhos. Chegou a casa estafadinho e deitou-se agarradinho ao seu bonequinho preferido, o 'Esteves' e foi o descanso do guerreiro.

domingo, agosto 20, 2006

O livro maravilhoso

Existem manhãs em que abrimos a janela e temos a impressão de que o dia nos espera. Hoje é uma dessas manhãs! Espero que o meu JP acorde para o abraçar, inspirar o cheiro emanado pelo seu corpinho ensonado, beijá-lo e dar-lhe os bons-dias. Depois passeio e almoço em família. 

A vida desde que nasceste, filho, tem sido um livro extraordinário, daqueles livros em que mal se pode esperar para virar a página e ver o que fizeste de novo. Há capítulos calmos, alegres, dramáticos, mas nunca aborrecidos. Passamos aqui e votamos na nossa Priscilla!

quinta-feira, agosto 17, 2006

Um blog para começar a espreitar

Soube por um comentário ao post anterior da existência de mais uma guerreira. Tenho sempre de encorajar mães com situações menos fáceis, porque faz-nos bem partilhar, faz-nos bem a todos conhecer outras realidades, integramos mais os nossos meninos nesta sociedade tão 'desligada' da qual também já fiz parte... Sensibilizamos muitas mães e muitos pais, que a diferença é bonita e devemos conviver com ela. E ser mãe e ser pai de meninos diferentes e especiais é colher uma rosa em estado natural, cheia de picos, mas com cheiro muito forte, que faz despertar em nós sentidos, emoções e vontade de lutar...

Disse esta guerreira que ao conhecer o meu blog a encorajei... Fico muito feliz, muito, muito!

A Cloinca foi uma sugestão diretamente minha e ela mostrou a tanta gente a força maravilhosa e a pessoa lutadora que é e que a todos nós serve de inspiração...

esta nova guerreira espero conhecê-la ao longo dos seus posts, aprender e partilhar a sua história e emoções. Força!

quarta-feira, agosto 16, 2006

Fim de semana com a vovó!

A nossa vida entrou numa doce harmonia... Eu e o maridão há muito que vivemos um dia a dia muito mais descontraído. Pouco falamos do futuro do JP e alegramo-nos com os seus progressos diários. Quando ele dorme na vovó, a nossa casa fica 'vazia'. Mas ele adora ficar na casa dela.

A mãe do meu marido vive sozinha, infelizmente o JP já não tem vovô do lado paterno. O seu único neto é agora a sua maior alegria. E ele sente isso. Depois, é um tormento para vir sem ela para o nosso lar. Será que gosta mais dela do que de mim? Acho que não, mas sinceramente agrada-me que se sinta lá tão bem. Tento proporcionar todos os bocadinhos que arranjo para que possam estar juntos. Segundo a vovó, ele tem o feitio da irmã do meu marido. Gosta de estar o tempo todo na rua, ir ao colo de toda a gente, 'meter-se' com as pessoas, um ser social, portanto. Ainda bem. Vamos aproveitando o agosto que tem menos terapias, aproveitar para dar belos passeios em noites mornas e disfrutar desta sua fase encantadora.

quinta-feira, agosto 10, 2006

O vovô do JP

Hoje o meu papá acompanhou-nos à fisioterapia do JP, para ir aprendendo os procedimentos e para se ir habituando a acompanhar o JP nas suas terapias e libertar-me um pouco. O meu papá é um falso 'pai desligado'. Se não o procurarmos, ele não liga a nenhum dos três filhos, por sua iniciativa. Se ligamos e o visitamos, ele adora. Está reformado e muito entusiasmado por me poder vir ajudar e ser útil. Creio que também está um pouco receoso. O JP é o seu quinto netinho. Quando soube do seu problema na minha gravidez, aconselhou-me a não arriscar. Queria um neto perfeito. Não valia a pena arriscar, mesmo que as hipóteses de algo correr mal fossem pequenas… Fiquei magoada, mas entendi… Na madrugada em que o JP nasceu, foi o primeiro a chegar ao hospital e quando acordei já estava ali ao meu lado. Perguntei-lhe: "Então, vieste ver o teu netinho?" Ele simplesmente respondeu: "Não, vim ver-te a ti. Tu é que és a minha filha e quero saber se estás bem…" Na altura não percebi, talvez até me tenha caído mal. Hoje sei que ele estava ali para me apoiar. Como sempre. Tem um carro muito velho, por desleixo, preguiça de comprar um novo ou apenas porque não gosta de gastar dinheiro. Eu disse-lhe que gostaria que ele comprasse um novo carro, já que ia transportar o meu filho com frequência e porque sei que ele o pode fazer. Só me perguntou com doçura: "Que carro queres que eu compre, filha?" Amei… Da parte do JP, já sei que o está a tentar seduzir, mas e o vovô? Deixar-se-á seduzir por um netinho menos perfeitinho? Adorava que fizesse com ele algumas das coisas que fez comigo: explicar-me sobre os astros, jogar xadrez, ensinar-me a andar de bicicleta (e se o fizer, o JP terá a honra de ser o primeiro netinho a quem ele o faz) e penso: "Será que também o meu pai vai descobrir as paisagens lindas que tenho visto?" O meu coração transbordaria… 

sábado, agosto 05, 2006

Amizade, a mais bela das paisagens

Quando em agosto de 2004 foi descoberto na ecografia do JP algo de menos normal, estava muito longe de imaginar o que o futuro me reservara. Tenho dito que as paisagens que descobri neste destino, tão diferente do imaginado, são lindas. São paisagens que eu nunca teria o prazer de as descobrir se o JP não tivesse vindo ao mundo. Tinha descoberto outras também muito bonitas, mas mais tranquilas, com flores diferentes… Mas esta Holanda tem flores de cores tão fortes e tão lindas, vi algo que nunca tinha visto. E nunca mais serei a mesma. Tudo acontece por uma razão e eu acho que tenho vivido de uma forma tão intensa nestes últimos 2 anos como nunca tinha vivido antes. As emoções são todas 'mais'... A maternidade que muda qualquer mulher… a ansiedade, a incerteza, o aprender a saborear o presente e as amizades que surgiram no meu caminho.

Hoje conheci uma mãe, já a conhecia, mas não pessoalmente. Tenho dificuldade em descrever a Aninhas, porque qualquer tentativa ficaria aquém… Mais uma pessoa que se cruzou comigo neste meu destino e que fico tão feliz que assim tenha acontecido. Todos estes momentos especiais, altos e baixos, contribuem para a pessoa que eu hoje sou. Não retiro, não rejeito um só momento, pois retiraria uma flor à paisagem atual da minha vida… que adoro. E esta mãe tem um dom. É uma mãe com um M grande: sorridente, tranquila, lutadora… O bebé dela nasceu com 26 semanas e eles já enfrentaram muitas batalhas. O Martim está ótimo! Batalhou com gosto e sucesso os primeiros desafios da sua vida, pois não vejo cicatrizes. Vejo, sim, um bebé tranquilo, mas de olhar vivo e atento. E é ainda tão bebé! Roliço, ternurento… tive de dar uma trinca na pernoquinha desnudada dele. Não resisti a tanto encanto. Fiquei com eles no meu coração e espero desenvolver no dia a dia uma ternurenta amizade. Falámos com se nos conhecêssemos há muito, com uma cumplicidade incrivelmente especial…

Obrigado, JP, por me teres conduzido a quem eu sou hoje, e ainda à blogosfera que nos levou a conhecer estas pessoas maravilhosas que nos têm apoiado muito.

Adenda: foto do JP e do Martim…

quinta-feira, agosto 03, 2006

Receios da mudança

Desde que vim de férias, e agora, que as ansiedades relativamente ao meu filhote estão mais assimiladas, penso muito em mudar de estilo de vida. Gostaria de ter um sócio/a e começar algo meu, com muito carinho, com muita dedicação, para mim, para a minha família, algo começado com dedicação e construído com trabalho e paixão.

A partir de setembro começarei a introduzir gradualmente o meu pai, que está reformado, nas atividades do JP. Ele já começa a ser um menino e porta-se bem. Eu adoro estar com ele na fisioterapia, na natação, na hipoterapia (terapia com cavalos), na acupuntura e na estimulação cognitiva. Gosto tanto de o acompanhar, mas tenho de começar a diminuir a dedicação e introduzir o vovô na equação...

As mudanças provocam-nos ansiedade, nunca sabemos se serão para melhor... Quero acreditar que sim... mas não consigo deixar de sentir alguma apreensão. Apesar de tudo estou feliz. Porque eu quero mudar. Muito. E esta é a oportunidade.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Desafio 'Pepino dos 4'

Desafiada por uma amiga muito especial, a Cloinca, venho responder ao grande desafio Pepino dos 4 (porque é que se chama assim mesmo?)

PEPINO DOS 4 

Empregos que já tive: 
- Trabalhei num café num verão quando tinha 17 anos (foram só 11 dias, conta?) 
- Trabalhei numa papelaria (a seguir ao café, um mesito, desisti para ir namorar com o meu actual marido que se tornou, entretanto, o meu namorado e foi para o Algarve acampar... fui atrás dele, acreditam?) 
- Estagiei numa empresa do ramo da hidráulica em Leeds (Inglaterra) no último ano da faculdade (ia sendo despachada pelo namorado... estive 4 meses fora...) 
- Desde o final da faculdade que trabalho na área na qual me formei (nada de muito empolgante, pensavam o quê!?) 

Filmes que não canso de assistir

Os 'sopeiros: 
- O teu sal na minha pele 
- Antes do Amanhecer 
- Antes do Anoitecer 

Os verídicos: 
- Lorenzos Oil 
- Cidade de Deus 

Ficção: -
- Sherk 
- Tudo sobre a minha mãe 
- A vida é bela 
- Million Dollar Baby 
- O Fabuloso Destino de Amelie 
- Mystic River 
- Amor cão 
- O fiel Jardineiro 

Os que quero ver: 
- O meu pé esquerdo (há mais...)

Pois é ...gosto muito de cinema! 

Lugares onde vivi: 
- Margem sul 
- Porto 
- Leeds (Inglaterra) 

Livros que recomendo: 
- Tim Guénard - Mais forte do que ódio
- Alguns do Paulo Coelho (11 minutos, Veronika decide morrer, O alquimista...) 
- O perfume 
- Alguns do Eça de Queiroz (O crime do padre Amaro, ...) 
- José Saramago: Ensaio sobre a cegueira 

Programas de TV que não perco por ordem de preferência: 
- Séries: Lost , 24, Donas de Casa Desesperadas, Invasão - Fox, Um passo adelante, (AXN), 
- DVD - Sex and the City, Poirot e Noddy (adivinhem porquê!?) - Troca de esposas (People and Arts) - Canal Travel.  OK... Acho que ando a ver televisão a mais... 

Alguns lugares onde já estive (por ordem de preferência): 
- Maldivas (lua de mel... tinha de estar em primeiro, certo?) 
- Brasil 
- Barcelona (a cidade onde bem viveria) 
- Paris 
- São Franciso (linda, linda...)
- Nova Iorque
- Los Angeles 
- Inglaterra, 
- Itália 
- Escócia
- Irlanda
- Alemanha
- Espanha
- República Dominicana (viagem de finalistas) 
- Cabo Verde 
- Disneyland de Los Angeles (a original), Também das melhores experiências da minha vida! (pois, também adoro viajar... se pudesse viajava muito mais!) 

Músicas favoritas: 
- Save a prayer (Duran Duran) 
- Enjoy the silence (Depeche Mode) 
- Losing my religion (REM) (esta é minha e do maridão) 
- One (U2) 
- Vaca de fogo (Madredeus) 
- Frozen e Live to tell (Madonna) 
- Para ser sincero (Marisa Monte) (esta é minha e do JP) 
- Thought that it was you (A-ha) 
- By your side (Sade) (esta eu danço para o meu lindo, quando estou inspirada, if you know what I mean...) 

Comidas Favoritas:
- Caracóis com pão torrado 
- Peixe fresco grelhado 
- Cozido à Portuguesa 
- Bacalhau à Gomes de Sá 
- Polvo à Lagareiro 
- Ervilhas com ovos 
- Favas com entrecosto (é verídico...) 
- Caril de Gambas 
- Doces, bolos, gelados, chocolates... 

Lugares onde gostaria de estar neste momento
- No Algarve, onde estão a passar férias os meus sobrinhos, só para disfrutar deles... 

 Passo o desafio a cinco Blogo-amigas: 
 - Ternurinha 
- Docinho 
- Mãe Frenética 
- Ck in Uk 
- Mulher elástica 

OK, acabou... Ufa!

domingo, julho 30, 2006

Férias inesquecíveis

Assim foram estes curtos 15 dias inesquecíveis. O nosso JP foi mimado até à exaustão e voltou cheio de pequenos caprichos... mas fazem parte. E são tão queridos! Come a sopa toda obedientemente, mediante a promessa de um chocolatinho após a mesma ou o visionamento de um episódio extra do Noddy... Abusou de nós vezes sem conta para ir apanhar a "onda" (mar). Parece que levei de férias o Noddy e trouxe um mafarrico... Bem, teremos a disciplina todo o restante ano para implementar, mas foi APROVEITAR sem grandes arrependimentos.

Foi tão bom estar 24 horas com ele, disfrutar integralmente da sua alegria, da sua ternura e curiosidade e sentir a sua pele macia, usar o tempo ao sabor da nossa imaginação! Voltámos renovados e ele, ao contrário do ano passado, não demonstrou grande alegria ao regressar ao lar... talvez porque desta vez adivinhava o que vinha aí...

As novidades:
  • O "Não", com um abanar bem evidente da cabeça, é a palavra de ordem... Serve para quase tudo. E quando de algo não gostamos e nos zangamos, ele lança-nos um sorriso sedutor, ao qual tenho muita dificuldade em resistir... mas sei que tem de ser!
  • Já não responde só com o olhar, responde agora apontando com a mão onde está a vaca, o porco, o mé-mé... e acerta!
  • Rebolar é a atividade motora preferida e também nadar nem que seja na água fria do mar!
  • Continua extramente carinhoso. Adora dar uma festinha à mamã ou aninhar-se junto a nós para dormir uma sesta.
  • Finalmente o JP equilibra-se naquelas cadeirinhas de restaurante... Yupi! Já agora, prefere restaurantes de tipo mais rasca, com toalhas de papel que se possam rasgar, aos restaurantes chiques, com toalhas de tecido.
  • Passeando, não há quem o adormeça. Sempre foi e continuará. Perder tempo a dormir, quando há coisas novas para ver? No way! Quem muito dorme, pouco aprende...

As imagens:

Ai, o dito sorriso...

E assim foi...

Voltámos todos felizes e mal-habituados... Enfim, para o ano há mais!

sábado, julho 15, 2006

Finalmente, férias!

É hoje, é hoje! Vamos de viagem. Quero aproveitar intensamente. Quero descontrair. Quero amar livremente.

 Deixo aqui uma frase bem verdadeira: "A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas."

Até ao regresso.

quinta-feira, julho 13, 2006

15 felizes anos

Hoje não escrevo sobre o JP. Ele está bem. De manhã teve fisioterapia e consulta de pediatria atrasada dos 18 meses. A maior preocupação continua a ser o peso, ainda não tem 10 kg. Mas está a crescer bem e está alto. A pediatra gostou de vê-lo. Muito! Ela é uma pessoa adorável e aperta-me sempre a mão com as duas mãos dela e beija-me com ternura. É uma boa médica e uma pessoa sensível e doce.

Mas hoje é o dia dos papás. Faz 15 anos que o papá e a mamã se beijaram pela primeira vez e iniciaram uma relação que naquela altura (eu tinha 17 anos) nem sabíamos onde iria chegar. Engraçado ter dito a uma amiga que tinha estado com um rapaz e "que sabia que ia namorar muito tempo com ele". Conhecia-o muito recentemente. E ela respondeu-me:  "Oh, sabes lá!E eu só respondi: "Sei!"

Sempre disse que foi amor à primeira vista. O mesmo disse ele. Mas a verdade sei-a agora, foi uma grande paixão à primeira vista, muito forte, muito intensa, muito exagerada, muito infantil. Mas não era ainda amor. O amor veio alguns meses mais tarde e depois desta grande caminhada de anos, onde temos recordações fantásticas de viagens, aventuras, loucuras, surgiu o fruto pensado do nosso amor: o JP.

Aí, confirmei que sabia quem o pai era. 

Porque já não era tudo só rosas, mas ficamos sempre unidos. Unidos tanto pelas alegrias que ele nos dá, como pelo sofrimento que vivenciámos...

E o nosso amor cresceu, cresceu...

É tão bom estar casada há quase há seis anos. Se não fosse ele, eu também não era quem sou e não teria esta força. Amo-o e tenho tanta sorte. Porque também sou amada. Parabéns para nós! Hoje ó dia é nosso.

JP... vais jantar a casa da vovó!

Esta flor é para ti, meu amor!

terça-feira, julho 11, 2006

A vontade do JP

O JP tem evoluído espantosamente nestas últimas semanas.

Algo tão natural como seja o Equilíbrio, pode não ser espontâneo nas crianças com paralisia cerebral. E também não surgiram nele na altura esperada certos reflexos de proteção que devia ter... Há já algum tempo que inclinava o bracinho e a mão para o lado que estava a pender para se proteger de cair e agora ainda o faz melhor, agarra-se com força para não se desequilibrar e para não cair. As comuns mamãs não sabem a importância de tal facto... mas é muito bom sinal. 

Surge lenta, lentamente, mas surge agora para que se possa sentar sem se desequilibrar e sem cair e para tudo o resto que mais queira fazer. O equilíbrio é fundamental.

O Querer é a magia mais poderosa de todas. E ele quer... muito. Que bom! E eu gosto de ver!


Adenda: são túlipas... Cada vez gosto mais delas e da Holanda...

segunda-feira, julho 10, 2006

Fim de semana social

Foi um fim de semana simplesmente memorável. Começou com uma ida à piscina, revigorante, onde o JP esbracejou, riu e aninhou-se ao colinho da terapeuta mais dedicada e preciosa. 

 
Depois de almoço, um encontro de amigas muito especiais para mim; lanchámos um bolinho delicioso e não deu para meter um terço da conversa em dia, mas adorei... Só nós, sem maridos e sem filhos! Adorei, adorei...

Depois, piscina da casa da minha irmã, futebol e churrasco. A família, os miúdos, confusão e alegria, apesar do 4.º lugar...

Domingo, encontro no Forum Montijo com miúdas muito queridas. Mas com tanta gente, acaba-se por falar apenas com uma ou duas e ter a sensação de não ter conseguido conhecer bem ninguém. Apesar da minha timidez típica, falei com uma grávida amorosa e com outras mamãs que espero conhecer melhor a partir de agora. Valeu!