quinta-feira, novembro 24, 2011

O mundo que desaba..

Nos últimos tempos, por diversas circunstâncias, tenho sido forçada a lembrar-me daqueles primeiros tempos, após o nascimento do JP e da suspeita da reviravolta na nossa vida.
Apesar de ser uma dor partilhada em casal, em família, senti-me tão só, como nunca me tinha sentido na minha vida. O mundo, assim, de repente, tornou-se pesado demais. Parecia-me demasiado duro e cruel. Muitas vezes pensei que não ia conseguir. O meu peito iria rebentar de dor...e só desejava que um milagre acontecesse e tudo voltasse para trás. Que fosse apenas um sonho mau.

Nunca fui a única. Há demasiada gente que passa por isto.
De cada vez que sei de alguém que está a passar por aquilo que já passei, o meu coração fica pequenino, desejando que o sofrimento passe depressa e que o arregaçar das mangas dessa família, lhe mostre que todas as situações têm 2 faces da moeda.
Não faltará muito para que as oficinas de pais dos pais em rede, forme os primeiros Pais-prestadores-de-ajuda. 

Quem me dera ter tido um.  Quem me dera, alguém me ter dito, naquelas primeiras horas,  que apesar de toda a dor e cansaço de criar um filho especial, eles também dão muitas alegrias. 
Tantas ou mais do que todos os outros. Que iria amá-lo tanto quanto se pode amar alguém. E que no fim, tudo acabaria por correr bem.

A dor não irá embora, com certeza, mas os pais vão sentir-se menos sós.

12 comentários:

Mara disse...

Tu já estás a ser uma mãe prestadora de ajuda!! Contigo senti que havia esperança,que não estava sozinha, que tinha alguém que compreendia as minhas ansiedades, angústias e frustrações. Obrigada por entrares na minha vida. Para ti e para a tua família (presente e futura) desejo-vos o melhor do mundo, e que essa tua força, energia e boa vontade nunca desapareçam. És uma força da natureza.
Bjs grandes Mara

Grilinha disse...

Bolas, Mara....fiquei sem palavras, aqui a olhar para o ecrã...
Obrigado a ti !
Tb vos desejo o melhor do mundo e sabes disso. um beijinho.

Helena Barreta disse...

Ainda bem que há esses Pais-prestadores-de-ajuda; ainda bem que há pessoas a quem a dor dá força para minorar a dor de outros; ainda bem que o amor e as alegrias são vividas e podem sobrepor-se ao cansaço e à insegurança.

Um abraço a todos.

ClaudiaMG disse...

Helena passei por tudo aquilo que escreveste e encontrei muita ajuda na Net, nos Blogues que fui descobrindo e em ti, assim como noutras mães que aos poucos e poucos foram aparecendo com situações idênticas, mas que no fundo tinham as mesmas dúvidas e ansiedades que nós. Ninguém nos pode ensinar a passar o que passamos, mas podemos sim passar com alguém que nos dá as mãos, um ombro, um sorisso e que nos ajuda nos momentos mais complicados. O importante agora é continuarmos com essa "rede" de mães, com essa partilha tão importante para o bem estar das famílias.

Beijihos grandes

Sandra Nogueira disse...

muito me identifiquei com a sua situação e vc mais ainda me deu forças e ainda dá ao contar tudo que O Jp faz e quanto ele dá de amor e alegria a vcs. Obrigada! Que vc continue a espalhar alegria e solidariedade a nós, que tantas vezes nos sentimos abandonados e sós neste mundo onde, por incrível que pareça, os especiais é que são minoria. Abraço e bençãos de Jesus e Nossa Senhora para vc e sua família.

Mina disse...

Ninguém melhor que tu para demonstrar os sentimentos e imagino o choque de se saber ao nascimento que o filho é diferente, lidar com essa dor deve ser doloroso.
Mas rapidamente vos vejo a arregaçar as mangas e a abrir o caminho do amor incondicional.

Embora os nossos casos sejam bem diferentes e não sofri esse chouqe inicial, nem sequer depois era aquele o filho que Deus me deu e assim o iria amar.

Mas senti muito a falta da mão amiga, de alguém que conseguisse falar a mesma linguagem , isso sim foi um caminho penoso e solitário.

Os meus parabéns a quem cria esses elos de ligação entre o s pais e que os saibam aproveitar, não se escondam...
Estou-me a alargar.

Beijocas e tranquila

Mãe ao quadrado disse...

Nem imagino o que passas-te amiga, que bom que algo assim se está a formar! acredito q irão ajudar muitas mães e pais a não se sentirem perdidos

jokas

Atena disse...

Queria tanto conseguir vir a prestar esse apoio, do qual tb senti falta... queria, mas por vezes sinto que não sereí capaz. Queria MESMO ajudar, mas que fosse uma ajuda concreta, que fizesse uma grande diferença na vida das pessoas, queria contagialas de esperança, de alegrias, tirar-lhes peso de cima, dar-lhs respostas concretas e efectivas... queria, mas sinto sempre a frustação de ter tão pouco para dar... apenas palavras, ouvidos... soa-me a tão pouco! Depois para agravar, ainda trago esse "peso" da fruustação no peito... Não sei se sereí capaz...

Grilinha disse...

Helena Barreta: os pais prestadores de ajuda vão ser uma ajuda preciosa, sim...e é isso mesmo que tu tão sabiamente disseste: o amor e as alegrias devem se sobrepor ao cansaço e insegurança...

Claudia, o objectivo vai ser que os pais nem precisem de procurar outros, mas que eles estejam presentes e muito disponíveis na altura crucial da vida dos pais. Vai ser fantástico...tu darias uma excelente mãe-prestadora-de-ajuda.

Sandra...são muitas as alegrias, graças a Deus. Tb há muitas coisas más, mas temos de nos agarrar ao que é de positivo, se não, não dá para aguentar.

Ai, Mina...o choque...
É comparável ao perder um ente querido aos poucos, ou duma vez só...dá para escolher ?

Mãe ao quadrado: Passei, pois ! Graças a Deus, nunca perdi o sentido de humor e vontade de me divertir...por isso é que gosto tanto da minha dona-de-estimação !!!

Atena: Acho que serás uma excelente mãe-prestadora -de-ajuda. Eu se pudesse escolher, agarrava-me logo a ti !!! Não andas cabisbaixa, nem derrotista e inspiras, minha querida. Compreendo que não saibas se serás capaz. É duro...mas acredito que saberás na altura certa ajuizar e decidir. Eu acho que vais ser capaz !

sandra disse...

Grilinha, te admiro imenso!!! Nunca desanimar é a chave do sucesso!!
Tenho muita vontade de ajudar uma mãe, aí de Portugal, que tem uma história muito parecida com a tua. Ela é casada com um primo do ex-marido de uma prima minha. Eles tem um filho com PC só que ele não fala Ela está grávida e também vai ter mais um menino.A grande diferença é que você , me parece, muito bem, leva tudo com muita alegria, ela anda muito mal,ainda não entrou na fase "do arregaçar as mangas". É constantemente depressiva e muito sozinha. O marido encara tudo com mais positividade que ela. A pena é que ainda não consegui um contacto dela para te passar. Jé falei de ti para a minha mãe e la esta a ver se consegue alguma coisa. Se conseguir posso te pedir o favor de fazer alguma coisa por ela?? Palavras de animo e apo já ajudam.
Beijos!!! Sandra

Grilinha disse...

Sandra, obrigado pelas tuas palavras. Podes saber o contacto dela, sim. Terei gosto em contactá-la.
Beijinho.

Ani Cires disse...

Qdo vejo uma familia no inicio dessa jornada tenho vontade de acolhe-los em meus bracos. O inicio é bem duro, mas com o tempo vamos nos moldando e aprendendo a viver um dia de cada vez, sem projetar ou antecipar nada. É agradecer por hj e se preparar pro amanhã.