sábado, abril 17, 2010

A DESCOBERTA DA DEFICIÊNCIA

Outra temática abordada no PER foi a forma de informar os pais da deficiência da criança. Lembrar esta parte, magoa. E é comum a todos os pais. E que histórias ouvi por lá !!!
Lembro-me daqueles primeiros dias como se fosse hoje. No dia 1 de Dezembro de 2004, o JP acabou por nascer de cesariana de urgência. Sem respirar, mas com rápida recuperação. Uma situação comum. Não se atribui a paralisia cerebral ao nascimento, tanto que não revela qualquer lesão.
3,400 kgs e 50 cm de gente. Pele esticada e uniforme . Apgar (julgo) 4-8-9.
Meia hora mais tarde, veio com o olhar mais vivaço do mundo ter comigo e com o papá ao recobro e estava lindo. Os olhos rasgados pareciam sorrir, chuchava sofregamente, touquinha branca na cabeça e parecia um bebé feliz. Achei-o branquinho e lindo. Apaixonei-me.
Soube depois que chorou bastante na primeira noite. Passou-a no berçário, longe de mim, mas acalmou-se no meu colinho quando cheguei de manhã....o primeiro sinal da sua inteligência !!!
Ocultaram-me que fez cianose ao beber o primeiro leite. Disseram-me 3 dias mais tarde quando o quis trazer para casa.
O neuropediatra que ainda hoje o segue, viu-o no dia 2 de Dezembro (de sobreaviso devido à ventriculomegália) e não adiantou grande coisa. "O futuro dirá...."
A fisiatra visitou-o e não achou que precisasse de intervenção.
Os nove dias que ficou internado foi para se fazer eco-cerebrais que nada revelaram, análises ao sangue e ter a certeza que se alimentava sozinho e engordava. Rezei a Deus, aquilo que mais desejava. Ter um filho com entendimento. Que soubesse que estava neste mundo. Que tivesse consciência e inteligência.
No dia 9 de Dezembro trouxemo-lo para casa, apenas com muitas incertezas sobre o futuro desenvolvimento mental dele. Ninguém falou de paralisia cerebral. Por iniciativa minha pedi que fizesse fisioterapia ainda antes dos 2 meses de idade.
Só pelos 5 meses se notou uma maior hipotonia no tronco. Antes parecia ter um desenvolvimento aceitável. Agarrava mal, mas agarrava. Levava objectos à boca e conseguia brincar nos ginásios, frustrando-se por vezes um pouco.
A confirmação veio aos 6 meses. Já esperava. Nem sofri tanto quanto esperava. Amava aquele bebé que aos meus olhos era tão normal quanto os outros.
Correu como tinha de correr. Aos 6 meses já o amava como qualquer outra mãe e só queria a saúde e felicidade dele.
Hoje é um filho-desafio ! Uma criança como uma vivacidade que nunca tive, com carisma, como nunca tive....com inteligência, como com a idade dele....estava longe de ter !!! Não tem de ser "heroí". Tem de trilhar o seu caminho, como todos o fazemos. O dele é mais difícil !!! Mas também se trilha. Vão-se afastando as pedras do seu caminho.

6 comentários:

Mina disse...

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre essa situação. Difícil é vivenciar essa situação e saber o que fazer, ou ter coragem p'ra fazer... Carlos Drumond de Andrade
Bjocas

Anónimo disse...

Ás vezes as coisas são difíceis de prever. Foi esse o meu caso, sei que os meus pais ficaram muito tristes na época. Depois, foi-se vivendo e tentando driblar as limitações. Emocionei-me com este depoimento. bj joana

Paulinha disse...

Acho que é um privilégio ler testemunhos como o teu, ou o meu ou o de outras famílias que passem por situações que tragam desafios, que lutam...

Sem falsa modéstia nem pretensão de heroísmo, são histórias de vida, pequenos episódios com toda a importância do mundo e que nem toda a gente tem a capacidade de entender, compreender essa entrega e apoiar essa luta!

É uma honra ler-te e obrigado por partilhares esses momentos... Um grande abraço e um óptimo fim de semana!

Artes da Guida disse...

Querida mãe, não compreendo a sua dor de mãe que tem um "filho-desafio", como referiu, mas compreendo a angústia de poder ter tido um filho com paralesia cerebral. O meu B, que esteve 27h para nascer, de parto normal, vinha com o cordão à volta do pescoço e com a mãosita agarrada a ele, asfixiou o tempo suficiente para ter um Apgar de 3-7-8 (valores inferiores aos do seu filho). O tempo que estivemos na maternidade, ele esteve sempre na sala das incubadoras e dentro duma só esteve 24h. Nessas primeiras 24h deu sinais de poder vir a ter paralesia, o que só me foi revelado pela pediatra (particular) que o viu quando ele tinha 19 dias e que me disse que devido aos valores de Apgar poderia ter uma paralesia cerebral , não obstante o exame aos reflexos ter sido exemplar. O mundo caiu-me aos pés.Porém, as eco transfontanelares que fez cinco dias depois e ainda já perto dos 6 meses revelaram que estava tudo bem, graças a Deus e agora já com 28 meses revela sinais de ser uma criança sobredotada. São coisas que não prevêmos nem controlamos e só lhe posso deixar a minha solidariedade. Beijinhos para si que é uma grande mãe e para o seu filho-desafio. Felicidades.Guida

Vera Raquel disse...

e ele vai conseguir!!!!

jcas

Alkesrandra disse...

Me chamo Alkersandra sou fisioterapeuta amuuu atender pacientes neurologicos principalmente crianças.As pessoas devem acreditar sim na fisioterapia,pois tem resultado,o que mas me satistar é ver o sorriso de satifaççao de uma criança que nao tem movimento e atravé da fisioterapia alcança seus objetivos e se reabilita.