domingo, fevereiro 19, 2012

Os factos de uma nova vida

 As novas rotinas

A maior surpresa é perceber que a família consegue dar um grande contributo para que tudo continue a correr sem alterações. Desde há uns meses que tem sido a madrinha a levar o JP à hipoterapia. Queremos voltar rápido a essa rotina, mas vamos aguardar ainda umas semaninhas. O JP agradece pois adora as manhãs de sábado passada com os tios.  A avó continua a ficar no fim de semana com ele e enche-o de miminhos enquanto os pais recuperam o fôlego.
O pai tem feito o turno "das manhãs difíceis"; a professora e a auxiliar na escola ajudam ao máximo e o próprio JP colaborou e ainda colabora deixando a mamã dormir pequenitas sestas. Infelizmente tem alturas que pede demasiada atenção e não é tão fácil assim.
Por último, o Rafa também tem tido o seu mérito pois é um bebé muito tranquilo.
Não há dúvida que temos muito mais trabalho. Tende a ser muito cansativo, mas as alegrias são também tantas !

Factos

Apesar de saber e de não questionar que o bebés amamentados são mais saudáveis, a verdade é que não me lembro do JP ter ficado alguma vez adoentado antes dos 11 meses (altura que teve varicela) e ele só gostava do biberon (ainda que no 1º mês fosse do meu leite) e desde os 4 meses que passou a  frequentar a piscina. O nosso Rafinha, apesar de amamentado,  já anda com umas secrecções no narizinho e ando atenta. 
Na segunda semana engordou 300 g só com maminha ! 

Amigos

Temos sido muito acarinhados por quase toda a gente. Desde presentes, a mensagens de felicitações e disponibilidade para ajudar... e sabe tão bem !
Infelizmente há sempre algumas pessoas que nos surpreendem e parecem não quererem partilhar os nossos momentos de felicidade e apenas lhes interessam os momentos tristes. Há muito que aprendi a ser muito radical. E torna-se difícil arranjar uma boa desculpa, quando temos outros amigos que até estão em situações verdadeiramente complicadas e mesmo assim, conseguiram mandar um SMS carinhoso. 

Relativizar torna-nos mais felizes

As hormonas pós-parto não me deixaram minimamente deprimida. Como é possível ?
Se eu já conheço os verdadeiros problemas ? Não. Não estou nada deprimida.
Dou graças a Deus por tudo. Continuo no mesmo caminho com o JP, disfruto da infância maravilhosa dos meus dois meninos e resta-me estender as mãos a quem trilha os mesmos ou ainda caminhos mais difíceis.
Claro que tenho e continuo a ter problemas, porque eles não desapareceram, mas estamos cá todos os dias cheios de força para os enfrentar. Ou pelo menos tentamos ter força, na maioria dos dias. E é assim que quero ensinar os meus filhos e verem o mundo.

JP

Continua eufórico pela chegada do mano. Diz muitas vezes que gosta dele. Também diz que gosta de nós (mãe e pai) mais vezes...
Adora os "gatos fedorentos". Procura-os no Youtube e ri-se genuinamente com os sktechs.  Conversa com a madrinha no Skipe; gosta de fazer cópias dos livros infantis que tem em casa. Mais empenhado na escolinha. Quis oferecer uma mala da "hello Kitty" à namorada no dia 14 e ganhou um coração vermelho que leva todas as noites para a cama. Também ganha por vezes alguns desenhos e bilhetinhos com corações de admiradoras.
Nas redondezas já quase todos o conhecem e acarinham por onde passa. Quando vai ao café, brincam com ele e cumprimentam-no com respeito e carinho.

Rafael

Do nosso russinho, ainda temos pouco a dizer, à excepção que é encantador e tranquilo. Ao terceiro dia, já nem chorava com o frio na altura de despir. Mas ainda é muito cedo para concluir. Temos mesmo de aguardar para perceber a sua personalidade. Também nos enche o coração...

O gato

Muito curioso (como todos os gatos) com o Rafael, já percebeu que é "sagrado" e mantém-se vigilante mas à distância. 

Net

Tenho andado com muito pouca hipótese de fazer visitas e ver como andam os amigos, mas quando todas as rotinas estiverem mais definidas volto para visitas e actualizações. A verdade é que a nossa vida parece-me cada vez mais banal e desinteressante aos olhos dos outros, mas para nós é muito bom sinal. Sinal de paz e sossego.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Tranquilos

O Rafael é um bebé muito tranquilo…
Adoro ficar horas a olhar para ele. Ele é mesmo um sonho de bebé. 
Dorme bem, mama bem. Já foi à pediatra e está tudo 5 estrelas.
O mano JP ainda não teve nenhuma crise de ciúmes. 
Vem da escola sempre com imensas saudades do mano. Parece-me até mais responsável e está a aceitar muito bem esperar pela sua vez. Os pais continuam a dar muitos miminhos mas nem sempre estão tão disponíveis como antes. 
Ele, pelo contrário,  tem surpreendido. Quer partilhar o chocolate, ou outras coisas que gosta, com o mano. Já lhe expliquei que o mano ainda não come chocolate, mas agrada-me tanto o gesto…
Diz, constantemente, que gosta dele. E gosta de o abraçar e dar festinhas. É um mano babado.
E por aqui, todos a aproveitar esta fase tão preciosa e que passa tão depressa, principalmente quando se vislumbra, no horizonte, um regresso muito precoce ao trabalho...esperemos que se concretize.


segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Apresento-vos o Rafael

Chegou ao mundo no dia 2-2-2012 pelas 22:52 h. Na noite da quinta feira passada. Ontem regressámos ao nosso lar.

O momento do seu nascimento foi um momento de grande emoção para os papás, como não podia deixar de ser, com direito a muitas lágrimas de felicidade. O mano também aguardava, em casa, com muita expectativa e soltou um grito de alegria quando soube da novidade.
Tal  como o irmão, o Rafael já nasceu com ar vivaço e trocista. Vinha com fome e a chuchar no dedo. Mamou logo e nunca mais parou. É um relógio que bate certinho a cada 3 horas. 
As palavras do JP para o descrever foram: bonito, simpático e parecido com o pai. Anda radiante, adora-o, só quer estar a observá-lo o tempo todo.
O Rafael é um bebé tranquilo até começar a sentir fome. Nessa altura fica refilão. Mais um.
Estamos todos também apaixonados por este bebé. 3140 g e 50 cm de gente…
Agradeço a Deus pelos meus dois filhos maravilhosos.
A todos os que nos acompanham e deixam palavras doces desde sempre: Obrigado pelo apoio incondicional.
Estamos felizes.

Adenda: Nunca será demais agradecer à minha GO/Obstetra, Dra. Elsa Milheiras, que foi quem tornou possível uma gravidez tranquila e um parto maravilhoso, com recordações inesquecíveis, ao espetacular Dr. Paulo Sá e restante equipa da CLISA. Todos se empenharam para que tudo fosse perfeito e conseguiram. Mais uma vez : OBRIGADO. Ficamos eternamente gratos.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Mais um dia de espera...

Mais um dia, compondo o ninho…

Eu e o JP fomos tirar algumas fotos juntos, para mais tarde recordar e foi muito giro.
Portou-se muito bem. Fui eu quem "estragou" a maioria das fotos, porque fechava os olhos ou outra coisa qualquer...mas o modelito aqui, esteve sempre à vontade e bem disposto ! Sorria na hora certa, olhava para o sítio certo…

Hoje o mal-estar está a intensificar-se.
Quase já não me consigo mexer...quase não consigo comer. Calçar é um esforço descomunal...até a tomar banho canso-me.
Não consigo imaginar o tamanho deste "cachopo". Sinto que está mais do que na hora.

Com a vaga de frio, está a chegar o Rafael. :)


segunda-feira, janeiro 30, 2012

sábado, janeiro 28, 2012

Por dias

Agora já se contam os dias pelos dedos de 1 mão para conhecer o nosso Rafael.

Somos nós !!! Quase, quase…
Estamos com 38 semanas e às 39 não chegará.  
Na semana passada o CTG não acusava contrações. 
Nesta terça feira faremos uma avaliação e marcaremos o dia do nascimento ainda para esta semana.

Nestes últimos dias sentimos um turbilhão incrível de sensações. Um misto de alegria, com medos e ansiedades à mistura.  Mas de uma forma geral, estamos a tentar desfrutar ao máximo.
O JP, que tanto esperou (e desesperou) por receber o mano, é o mais tranquilo de todos. Depois de tanto tempo, está apenas entusiasmado e muito feliz.

domingo, janeiro 22, 2012

37 semanas e muitos nervos

E ainda cá andamos. 
O embutido cresce a olhos vistos. Na foto da blusa cor de rosa tinha 32 semanas. 
A da blusa cinzenta é mais recente mas a barriguita parece mais pequenina. 
Se o nosso menino não vier até às 39 semanas, terá ordem de despejo do T0 nessa altura. Tudo aparentemente controlado. Mas como ter a certeza que o bebé não quer fazer uma surpresa ? 

Nesta fase aparece de forma muito intensa a ansiedade e todos os nervos que não tive estes meses todos. Penso em tudo o que não tenho pensado.
Em cada CTG, o coração dispara...em cada consulta, conversa, pensamento...a médica Obstetra tem-me debaixo de olho, constantemente. 
Sei que se esforça para que não falhe nada. Estou-lhe grata.

Mas agora resta-me esperar e rezar muito.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Estamos a 3 semanas

Ou menos de conhecer o nosso mais pequenino membro da família.
Hoje tive consulta. A partir de agora será semanal com direito a CTG em cada uma.
O aumento de peso tem sido em cima da curvinha ideal. 
10,5 kgs até agora. As análises estão fantásticas. Não estou inchada. Não tenho  dores. Até recomecei a dormir melhor.
Na semana passada o Rafael já estava com peso estimado de 2550 g. 
Mas se bem que me lembro é mesmo a partir de agora que é a sério. Levo constantemente pontapés no estômago. O rapaz não pára. Sinto vontade de vomitar a toda a hora.  Andar por aí já é uma atividade penosa...começo a contar os dias para o grande dia ! 
Hoje, nas últimas combinações com a obstetra, percebi que estamos por dias.
Quero que passe ainda mais depressa  :)
O JP continua muito entusiasmado. Todos os dias fala e acaricia o mano através da barriga. A cumplicidade dos manos já começou. 

quinta-feira, janeiro 05, 2012

24 passas !

Pela primeira e possivelmente única vez na vida, comi 24 passas pela meia-noite. 
Comi 12 por mim e mais 12 pelo pequerrucho que ainda habita aqui no T0.  
Desejei tantas, e tantas coisas boas !!! Não fui modesta.

2011 trouxe algumas surpresas e momentos mágicos. Recordo com carinho o dia em que eu e o papá grilinho comemorámos 20 anos juntos e contei-lhe que seria papá novamente. 
Ainda hoje ele "receia" entrar naquele restaurante e haja mais novidades bombásticas do género   :)
Eu acredito que 2012 vai ser ainda muito melhor em todos os aspetos. 

Tenho andado terrivelmente emocional. Tudo me emociona e faz chorar.
Muitas vezes nem sei se choro de alegria se de tristeza.

Por estes dias descobri que o JP é ainda mais especial do que alguma vez julguei. O rapaz continua a fixar matrículas e agora (tantos meses depois) entendi que recorda matrículas que viu há meses atrás, ou que viu por apenas alguns segundos.  Não foi fácil aperceber-me e quando percebi quase fiquei chocada. Senti que é algo mais que não parece normal (a tal normalidade que ansiamos em tudo)
Memória (para isso) não lhe falta. Deixa a maioria das pessoas estupefacta.
Faz essa brincadeira a toda a hora. Ele quer mesmo memorizar, memorizar…
Passa o dia a dizer-me que matrículas viu pelo caminho. E ri-se porque já esquecemos…

Dei por mim, no outro dia, a tentar perceber esta necessidade. Não cheguei a nenhuma conclusão. 
Na minha pesquisa vi imensas coisas diferentes. Coisas boas, coisas más…
A minha opinião é que tem uma memória prodigiosa para o que lhe desperta interesse e que/precisa fazer uso dela.

O JP é um miúdo com muita autoestima. É um miúdo carinhoso.  Mas também se julga um reizinho.
Já não é o meu bebé...é o meu menino.
Em breve vai deixar de ser o único.

E acho que ele está desejoso…

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Dias tranquilos e felizes

Para nós, mais um Natal que se passou bem, junto da família.
Para o JP, o Natal cheio de emoção,  aguardado impacientemente e vivido ainda com imensa magia.

As férias escolares eram ansiadas. A avaliação foi regra geral boa - teve muitos "Satisfaz bastante" , embora com anotações sobre as suas mudanças de humor e respetivas consequências no ritmo de trabalho. O que quer dizer, que o JP trabalha muito depressa quando está motivado e é um autêntico pesadelo quando não está...(não foi assim que foi escrito mas eu já sabia).
Teve "Excelente" no teste de Estudo do Meio. E teve "Não satisfaz" em 2 parâmetros (cruzinhas) relacionados com as suas limitações. Um com a representação gráfica (desenho), outro com a expressão do raciocínio. Não é de surpreender, dado que não há nenhum currículo adaptado para ele. Segue exatamente o que todos os outros seguem.
Porém na explicação do raciocínio, aqui em casa é satisfatório. 
Justifica, facilmente, as suas opções embora de uma forma não exaustiva, pois ainda não escreve de uma forma muito extensa. 
Mas dá explicações como por exemplo: "Hoje não quero ir ao fisioterapeuta porque a Soraia não está!"- assim mesmo com todas as letras e palavrinhas (a Soraia é a "namorada"- grande malandreco !).
De qualquer forma, estamos muito satisfeitos. As aprendizagens estão a ser feitas. Há apoio e exigência. 
A vida é exigente. É bom que se vá habituando.

Esta semana está mais feliz do que nunca. Férias com os papás e muito miminho bom.
Já usa o Skype e MSN. Desde que entrou de férias, procura por lá a namorada mas têm andado desencontrados e ficam só as mensagens escritas.
Espreita os vídeos do YouTube. Ando sempre de olho no que ele anda a ver e anda obcecado por partos. Eu fico chocada porque acho uma violência (pessoalmente impressiona-me muito). Tenho medo que fique traumatizado mas ele adora e insiste, "fitando-me" como pode.
Um pouco "mórbido" este filhote. Não admira dizer que quer ser médico :).
De facto, ou tenho o "Dexter" em casa ou um homem da ciência  :)

Já diz a toda a gente que o mano está quase a chegar.
Ao atingir o marco das 34 semanas estamos um pouco mais confiantes e descansados. 
Mas ainda continuamos a pedir muito a Deus que tudo continue a correr bem, como até agora.
Custa-me ainda imaginar como será a nossa rotina com mais um membro da família. Às vezes receio não conseguir tomar conta do recado. Mas a vontade de conhecer o meu R. e de o ter nos meus braços é enorme e maior do que todos os outros receios.
Acho que vou acabar por conseguir e tenho a certeza que o JP também vai colaborar como sabe. Tem conseguido ajudar muito a mamã nesta gravidez e orgulha-se muito disso. E eu dele !

sábado, dezembro 17, 2011

Foi dia de ver o bebé R.

Queríamos tirar uma foto 3D/4D mas não houve hipótese, pois começou a meter o pé à frente da cara e outras macacadas. Voltou o médico a falar de feitio e teimosia.  E este já era outro Dr.
É a segunda vez que falam disso a propósito do R.  e eu novamente pensei : Outro ??? Já não tenho a minha dose ? Pelos vistos...não.

Está enorme- Compridinho e gorduchinho. Já pesa 2044 gr. 
Perguntou-me o médico se ando perdida por comida...e eu..."nã !"
Ui, mal sabe eu que chego acordar 2 vezes durante a noite para comer. Mas o meu aumento de peso não foi tão grande assim. Creio que ainda menos de 10 kgs…
Tudo normal e em cima das expetativas. E nesta fase o estômago está a ficar pequenino e já não consigo comer muito de cada vez...é o que vale. E, felizmente, apetece-me mais sopa do que doces :)
Agora só novos episódios (espero eu) depois do ano novo, onde farei análises e farei as últimas consultas.
Hoje voltei a agradecer a Deus, por estar a correr tudo bem e por me ter permitido chegar a esta fase e ainda conseguir fazer tudo com o meu JP.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Consulta de Fisiatria

Esta tarde fomos a uma consulta de rotina de avaliação da aplicação do Botox nas perninhas do JP.
Ficou marcada nova aplicação para 17 de Janeiro.

A médica decidiu também prescrever novo Rx à anca, dado que o último feito já tem mais de 6 meses embora estivesse tudo normal.
Quando lhe questionei o motivo da pressa deste novo Rx, eis que a médica explicou-me, com calma e detalhe, a razão de estar tão vigilante. Eu já era conhecedora que todos os meninos que não atingem a marcha, podem desenvolver luxação da anca. Mas é algo que ainda não aconteceu com o JP. E eu sentia-me feliz com isso.
No entanto, explicou-me que há novas recomendações para os ortopedistas atuarem antes dos problemas se concretizarem, ou seja, assim que haja uma previsão de desvio e fazerem cirurgia em determinadas idades chave. Uma dessas idades é 6-10 anos. 
Após dizer-me isto e, provavelmente, depois de ver a minha expressão facial, a Dra. pediu desculpa de falar neste assunto nesta fase da minha vida. Que na realidade não é necessário estar ansiosa neste momento com esse assunto.
E que depois do parto teremos imenso tempo para voltar a discutir o assunto, tirar dúvidas e marcar uma consulta de ortopedia para o JP. 

A verdade é que sei que faço o que for preciso para que o JP fique bem e esteja sempre bem. 
E ainda falta ver o que aparece no RX...e investigar toda esta situação, claro.
Mas as lágrimas não param de correr.

Sugestão de leitura

Li e adorei.

Num reino a ocidente da Europa, na Idade Média, viveu Jordi, o Príncipe Perfeito. Belo, inteligente, valente, exímio nas artes da guerra e da cavalaria, apaixona-se perdidamente por Isabel de Leão, tão formosa como não há memória de outra igual. Parece um conto de fadas com um final sem surpresa. Parece, mas não é. Luísa Beltrão descreve o terrível pesadelo que irrompe no cenário glorioso da corte da Portucalícia. Conta-nos a aventura em que se aprende a espinhosa lição de ser humano. Revisitando a obra de José Régio, O Príncipe de Orelhas de Burro, a autora oferece-nos o mistério, a magia e a descoberta da natureza humana.

Para saber um pouco mais sobre o livro aqui .

Para quem não sabe, Luísa Beltrão é também o carismático rosto do movimento Pais-em-Rede e parte das verbas arrecadadas com a venda do livro, reverterá a favor deste movimento de pais que tanto precisa de algum financiamento. Uma boa sugestão para um presente  de Natal. 



terça-feira, dezembro 13, 2011

Cada vez falta menos...

Assim voa o tempo e já falta tão pouco.
Estamos nas 32 semanas. O meu menino pequerrucho se nascer agora já tem ótimas hipóteses de sobrevivência. Mas queremos que desfrute ainda mais da barriguinha da mãe e venha só em 2012. 
Desta vez atingi mais cedo o ponto de desconforto. Não há grandes queixas. Nem azia, nem males maiores, mas por outro lado existe cansaço, sensação constante de peso no baixo ventre e muita falta de agilidade.
Inevitável comparar com a gravidez do JP, que trabalhei até ao último dia e só me comecei a sentir verdadeiramente desconfortável a partir das 35 ou 36 semanas. 
O JP está agora como adora. À sexta feira fica logo na casinha da avó. É acompanhado pela madrinha às sessões de hipoterapia e passa o resto da manhã a passear com ela. O objetivo é que eu descanse um pouco mais. 
Mas tem sido difícil ter um sono em condições. O pimpolho passa as noites a mexer-se, a acordar-me e a pedir-me que faça lanches noturnos, quando durante o dia nem consigo comer muito.
Está grande, pesado e assim  sinto-me eu: volumosa. 
O pai diz que estou na mesma (que é só barriga) e linda. O JP diz que a barriga está a crescer (com um grande sorriso na cara).  Benditos os meus homens que me mimam tanto :)

Se eu sinto uma grande vontade de conhecer o meu R. por outro lado penso muitas vezes que vai ser um estranho mundo novo. A compatibilização de todas as rotinas, o encaixar de mais algumas, o conhecer um novo ser...e o repartir do amor por dois filhos.
Sei que acabarei por estar à altura, mas não escondo que sinto alguns receios deste novo mundo que aí vem. Não por achar que vai correr mal. Só mesmo, por ser desconhecido.

7 anos

Foram comemorações muito felizes, mas tranquilas. O meu estado neste momento já nem permitia outra coisa.

No dia 1 de Dezembro, o meu menino acordou cedinho e a primeira coisa que se lembrou de dizer, foi que queria os presentes! Ficou muito contente com o que recebeu. Era o que ele mesmo tinha escolhido. 
Teve muitos telefonemas de amigos, familiares e miminhos. 
Almoçámos em família e fizemos-lhe a vontade de voltar ao estádio da Luz. Bendito feriado que permitiu estarmos todos juntos. Mas no ano que vem, o JP faz anos a um sábado e depois a um Domingo e só vai reparar na falta do feriado quando fizer 10 aninhos. Até lá, digere esta desilusão, com certeza. 
À hora que chegámos ao estádio, já as visitas tinham acabado. No entanto um funcionário viu a sua carinha desiludida e deixou-nos entrar e estar ali um bocadinho.

No dia seguinte, teve direito a novo bolo (praticamente igual), com uma matrícula da data do seu aniversário 01-12-JP e ficou felicíssimo por lhe cantarem os parabéns, na escolinha.

terça-feira, novembro 29, 2011

Os desgostos do JP (que me partem o coração)

Tem sido uma gravidez sem desconfortos de maior. Mas tal como na gravidez do JP, sou atacada por insónias noturnas, que culminam em muito sono pela manhã. Esta manhã acordámos atrasados e enquanto nos despachávamos ouvíamos as notícias. E a primeira notícia que ouvimos é que dia 1 de Dezembro será um dos possíveis feriados a ser extintos em breve.
Como reação do JP tive um choro sentido e violento. Partiu-me o coração vê-lo assim triste.

É que ele faz aninhos neste dia...e gosta muito que seja feriado.
Ao mesmo tempo que o consolava, e que lhe dizia que o papá e a mamã vão sempre tentar pôr férias nesse dia, pensava que é tão bom que sejam estes os seus grandes desgostos e problemas.
Gostava que fosse assim toda a vida.

quinta-feira, novembro 24, 2011

O mundo que desaba..

Nos últimos tempos, por diversas circunstâncias, tenho sido forçada a lembrar-me daqueles primeiros tempos, após o nascimento do JP e da suspeita da reviravolta na nossa vida.
Apesar de ser uma dor partilhada em casal, em família, senti-me tão só, como nunca me tinha sentido na minha vida. O mundo, assim, de repente, tornou-se pesado demais. Parecia-me demasiado duro e cruel. Muitas vezes pensei que não ia conseguir. O meu peito iria rebentar de dor...e só desejava que um milagre acontecesse e tudo voltasse para trás. Que fosse apenas um sonho mau.

Nunca fui a única. Há demasiada gente que passa por isto.
De cada vez que sei de alguém que está a passar por aquilo que já passei, o meu coração fica pequenino, desejando que o sofrimento passe depressa e que o arregaçar das mangas dessa família, lhe mostre que todas as situações têm 2 faces da moeda.
Não faltará muito para que as oficinas de pais dos pais em rede, forme os primeiros Pais-prestadores-de-ajuda. 

Quem me dera ter tido um.  Quem me dera, alguém ter-me dito, naquelas primeiras horas,  que apesar de toda a dor e cansaço de criar um filho especial, eles também dão muitas alegrias. 
Tantas ou mais do que todos os outros. Que iria amá-lo tanto quanto se pode amar alguém. E que no fim, tudo acabaria por correr bem.

A dor não irá embora, com certeza, mas os pais vão sentir-se menos sós.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Irmão-galinha

É incrível como o JP anseia envolver-se em tudo relacionado com a gravidez do mano. Ele pergunta e sabe sempre quando são as ecografias, as consultas, gosta de os ver vídeos das ecos do mano e filmes que explicam a evolução dos bebés. Fala tempos a fio para a barriga, faz festinhas e beijinhos. Quando vamos a algum lado quer sempre comprar alguma coisa para ele. Pergunta muitas vezes se estou bem, se o mano está bem...e também receia.
Escreve que tem medo de "perder" o irmão e preocupa-se porque é que ele ainda não está cá fora. Está loucamente ansioso pelo nascimento e custa-lhe muito esperar. Faz beicinho, já o quer para o Natal e também já lhe expliquei que é cedo demais. Se esperarmos mais um mês, vem com o tempo todo e será muito melhor para ele.
Por mais justificações que eu arranje para lhe dizer que ainda é não é a hora, a única que o convence, é quando explico que a barriga da mãe ainda vai ficar maior do que o que está.  Vai ficar - GIGANTE !
Aí, ele fica mesmo entusiasmado.

Ontem tive consulta, estava tudo bem. Análises fantásticas,  aumento de peso em cima da curva ideal (7 kgs a mais até agora) e tudo o resto. Em nada se reflete a "avançada idade materna" e a única novidade foi o início da toma de magnésio por ter algumas contrações ligeiras.
Ele ficou feliz quando lhe contei que o mano está grande, forte e saudável.

Escreve-lhe cartas em Word, a dizer que gosta dele, decora-as e guarda no computador. 
É com tanta ternura que assisto a esta sua felicidade.  Há poucas coisas tão doces na vida.

terça-feira, novembro 22, 2011

Maternidade atípica

Já muitas vezes ouvi dizer que os pais são mais condescendentes com os segundos filhos do que aquilo que foram com os primogénitos. O grau de exigência diminui, etc, etc...
Pois, mais uma vez, sinto que serei uma mãe que vai contra a regra. 
Já tive de tirar "um mestrado" em disciplina" e vai ser difícil esquecer.

Na percurso da descoberta da melhor forma de educar o JP, tenho ido constantemente contra as regras. Ou melhor, começo por segui-las e depois percebo que não se aplicam ao JP.
A tranquilidade e a paciência estão muito enraizadas em mim. Sempre me imaginei uma mãe tolerante e acho que durante muito tempo fui essa mãe. Mas ao fim de algum tempo, percebi que o JP, tinha a inteligência de um menino normal, com o habitual mimo e condescendência que os meninos especiais têm. E isto consegue ser uma mistura "explosiva".

Para dar um exemplo, nunca vi um livro ou manual que não dissesse para desvalorizar os "descuidos" das necessidades fisiológicas (para evitar a humilhação e o trauma).  Pois eu sei, que só acabei com eles, quando apliquei consequências, porque muitas vezes duvidei que fossem descuidos. Pareceram-me alguns bastante propositados. E resultou. Não me senti feliz e contente, mas foi a nossa maneira. Porque mais nenhuma resultou.

E hoje mais uma vez, de manhã, dei por mim, a dar os conselhos que poucas mães devem dar na escola: "por favor, apliquem consequências quando ele se portar mal". 
Soa horrível, eu sei. Mas só quem mora no convento sabe o que lá vai dentro.

sexta-feira, novembro 18, 2011

Paixonetas

Desde que começaram as aulas, que o JP, pede para chegar mais cedo à fisioterapia, na 5ª feira. E só mesmo na 5ª feira...
É o único dia que encontramos a sua amiga e colega de turma S. 
Os dois gostam muito de se encontrar ali, depois das aulas. Ele ri-se porque ela faz muito espalhafato durante a fisio. Ela espalhou, na escola, que ele é um valente. Não grita nem chora.
Uma amizade muito carinhosa. Mas o meu JP sempre teve paixonetas por crescidas. Quase sempre as auxiliares bonitas. Não por falta de meninas que gostassem dele. 
Tem havido sempre 2 ou 3 meninas a reclamarem serem as suas namoradas e que lhe fazem festas e mimos constantes. Ele adora a atenção. Mas nunca passou disso.

Ontem disse-me entusiasticamente na frente da S. que eram namorados. Como que a anunciar um noivado !!! Coisa que a menina, descaradamente, confirmou. Parece que têm passado o intervalo sempre juntos. Ela também usa uma cadeira de rodas. E talvez esta relação justifique a vontade que ele tem, todos os dias, de ir para a escola.
Achei tudo tão ternurento,  que o meu coração transbordou !

No fim desta declaração, a S. pediu à mãe que a deixasse assistir um bocadinho à fisioterapia do JP.  
E depois, ainda lhe pediu que chegasse a cadeira para perto dele. Foi o tempo todo em meiguices. Beijos nas mãos, beijos na testa, beijos, beijos, e mais beijos. Coisa a que o JP correspondia com um sorriso mesmo apaixonado.
Tantos beijinhos (alguns muito, muito ousados), que eu diria que andam os dois a ver os "Morangos com açúcar". 
Fiquei feliz de ver esta cena. São os dois muito pequeninos e inocentes. Têm apenas 6 aninhos. Mas já dá para perceber, que a deficiência não precisa, necessariamente, de implicar uma vida sem amor. 

Ainda bem.

terça-feira, novembro 15, 2011

E se fosse com vocês ?

A minha vida mudou completamente desde que o JP nasceu. O nascimento de um filho traz isso mesmo: mudança.
Mas a minha mudou muito mais do que seria de supor. E nunca mais foi a mesma.
Quase 7 anos depois, começo a encarar tudo como uma "normalidade". No fundo, com as minhas batalhas, é uma vida como qualquer outra.
Mas há percursos diferentes. E não menos dolorosos.
Uma das minhas mais íntimas confidentes, manteve-se sempre ao meu lado. Apoiava as minhas iniciativas, ouvia-me quando eu precisava de falar ou vinha almoçar comigo....e animava-me como sabia.
Graças a Deus, ela apenas conhecia a dor, através de mim. As suas duas filhas eram muito saudáveis.
Há meses atrás falei aqui dela. A mãe da Joana.

De um dia para o outro, tal como um tsunami aparece do nada, assim apareceu um diagnóstico para a filha mais velha, após alguns ligeiros sinais. Algo que nunca esperou. Uma doença extremamente rara e progressiva e ainda incurável. E a Joana já tinha 6 anos.
Foi muito difícil aceitar tudo isto. Mas a batalha a travar é gigantesca. Há que arranjar dinheiro para financiar estudos para a descoberta da cura desta doença, ainda incurável. Porque é ainda muito possível inverter este quadro negro.

Decorre, neste momento, uma votação no facebook para ganhar 250.000 $ para investigação do síndrome Sanfilippo e sua cura. Muitas crianças poderão ser beneficiadas.

Deixo aqui o seu apelo:


Até 22/11/2011, está a decorrer uma votação online através do facebook, em que o projecto CHASE COMMUNITY GIVING está a doar ao mais votado $250 000, que no caso, seria aplicado em investigação clínica no Síndrome Sanfilippo, uma doença rara, genética e neurodegenerativa. Agradeço o seu voto, é mesmo simples, e faz toda a diferença!
Para votar, basta:
1.  clicar no link abaixo 
http://bit.ly/meEBoV
2. fazer o Login no Facebook (quem tem conta)

 3. clicar em LIKE - lado direito
4. VOTAR - botão verde
Agradeço que divulguem.



Penso muitas vezes...e se fosse connosco ? Deixaríamos de votar ? Conto mesmo com todos vós.

Saibam mais sobre a Joana aqui

segunda-feira, novembro 14, 2011

Formiguinhas

As nossas realizações próprias, são pessoais e intransmissíveis.

Na minha ordem de prioridades sempre esteve primeiro a família, saúde, o amor, dinheiro e só depois a realização profissional.

Portanto, se estou normal nos três primeiros, assim-assim no quarto....porque me importa tanto o resto?
Quando sentia maior realização profissional, tinha muito menos tempo para a família e isso também não me fazia sentir bem. Mas como gostava da sensação de ter sido responsável por tantas realizações. E de sentir o "dever cumprido"...
Agora, com muito mais tempo para a família, penso, constantemente, no dia que voltarei a sentir o louco stress matinal e o cansaço natural, após um dia inteiro de trabalho. E até das dores de cabeça. Não tenho uma dor de cabeça há meses…
Neste momento tenho a compensação de estar disponível para acompanhar o JP nesta sua primeira fase na escola, de ter um bebé a crescer dentro de mim, num tempo mais livre de stresses, de poder fazer algo diferente com a minha vida a partir de agora.


Mas não consigo deixar de ser formiguinha. Gosto muito da sensação de o ser. E não sou totalmente feliz se o não for.

domingo, novembro 13, 2011

Exteriorização

Se fizer um balanço na minha vida, foi nos momentos de maior exteriorização que me senti melhor…
Por isso, de nada adianta guardar os problemas para mim.  A não ser que me apeteça valorizá-los.

Fenómenos

Recordo, com saudades, os tempos de 2006, quando este blogue foi iniciado. 

Aqui fiz boas e grandes amizades. Amizades que ainda perduram. No tempo que ninguém andava pelo facebook, os blogues eram o nosso contacto.
Desta forma, tirei muitas dúvidas e percebi que muitas coisas da maternidade, que sentia e vivenciava, eram normais. Porque a maternidade é uma experiência arrebatadora e perturbadora. Nova e capaz de gerar muitas inseguranças.
Sei que este blogue é completamente diferente de um babyblogues tradicional.  
Mas a base dele sempre foi a mesma de todos os outros. Falar do meu filho que tinha 16 meses e que eu amava mais que tudo. Registar. 
À parte, fazia, e faço, muitas reflexões. Porque escrever ajuda a organizar o pensamento e também porque conheci, nessa altura, uma sociedade e uma situação não controlável, que não sabia que existia. E precisava de exteriorizar novas experiências.
E da mesma forma, se tinha alguma "discriminação", porque a situação que vivíamos "horrorizava" muitas pessoas, muita gente fantástica continuou a seguir-nos até aos dias de hoje.
Depois veio o Facebook, onde continuava a manter um relacionamento, muito mais superficial, com todas essas pessoas. 
Muitas pessoas deixaram de escrever nos seus blogues. E senti saudades. 
Mas foi no facebook que nasceu uma nova onda de ressuscitação dos velhos blogues. Estou ansiosa por saber o que se vai passar.
Por aqui, de babyblogues, evoluímos para child-blog.
Mas 2011, próspero em surpresas, transformou este espacinho novamente em babyblogues. Vem a caminho mais um grilinho. E também merece tudo registadinho e celebrado.


quinta-feira, novembro 10, 2011

2 meses depois do início da escola...finalmente enquadrado


Foi há 2 meses que o JP iniciou o 1º ciclo e, neste momento, posso dizer que, finalmente, ele  enquadrou-se. Ainda gosta muito de se dispersar, mas começa por concluir o que tem em mãos para só depois conversar. 
Por isso, (por ora), raramente tem trazido bolinhas ou quadrados…
Desde bebé que seguiu este método (movimento escola moderna) e eu, não sendo especialista da educação, adoro-o e acho que desenvolve um sentido crítico para a vida. Começou-o no colégio com 9 meses.  No ano passado, quando veio para o público, a educadora também seguia este movimento e a sua atual professora do 1º ciclo também. Para mim, foi uma feliz coincidência. Mas torna-o sem dúvida num menino  habituado a refletir nos assuntos. E isso vê-se.
Neste momento sinto-o mais calmo, feliz e motivado para a escola. 

O JP continua a ter capacidade de seduzir e se apaixonar pelas pessoas. No início deste ano letivo teve mais de meia dúzia de auxiliares e às  2 últimas afeiçoou-se. Quando chegou, por fim, a última, (mandada pelo centro de emprego), ele disse : "OUTRA?"  e recusou-se a ficar com ela. Mas como não teve outro remédio, lá ficou. 
Tudo isto contribui para alguma instabilidade. Esta auxiliar veio para ficar e, juntamente, com a professora têm formado uma boa equipa. Junta-se a elas a professora do ensino especial que também tem feito tudo para o bem estar dele.
O tempo passou e o JP começou a estabelecer os laços que ele tanto precisa. Adora a auxiliar, adora a professora e os amigos interagem muito bem com ele, muito embora não tenha tanto tempo como no Jardim de infância para desenvolver as relações. No outro dia voltou a chorar, novamente, por não ir à escola.

Agora adora escrever cartas e incorporar fotografias que ele próprio tira. Ontem escreveu ao mano, num documento do Word.

"Carta para o Rafael,       - gosto muito de ti" e decorou-a com balões e figuras.

Emocionei-me !


terça-feira, novembro 08, 2011

Surpreendente

Há largos meses que o JP tem fixação por observar e escrever matrículas. Já o tinha escrito aqui.
Só a meio deste ano, percebi que muitas eram reais. Do pai, da mãe, do avô, etc.
Em Agosto começou a ditar-me as matrículas de todos os carros da nossa garagem (são 16 !) e, neste momento, está uma máquina. São os que estacionam aqui perto de casa, na escola, etc.
Pede-me diversas vezes para irmos passear, para ver …matrículas.
Vê uma matrícula e quando vem para casa, mesmo que já tenham passado diversas horas, escreve-a. Como também fixo bem números, algumas consigo aferir (em pequeno número) que estão bem. Outras, só quando tenho ocasião de confirmar. Mas a verdade é que até hoje nunca detetei um erro. Mas o normal é eu esquecer-me…
Já ele , não.

A obsessão vai ao ponto de interromper as aulas para dizer matrículas. O que naturalmente não tem muita piada.

Uma necessidade que o JP criou,  para exercitar os neurónios ?
Um transtorno obsessivo ?
Não sei. Sei que apesar de saber o meu menino muito esperto, mais uma vez surpreendeu-me...é uma capacidade de memorização - de matrículas- absolutamente incrível.
No entanto, se tem dificuldade em escrever determinada palavra com pouco significado para ele (por exemplo Rolha) não tem a mesma facilidade de a memorizar e a escrever corretamente.
Um cromo !!!
Mas é um cromo lindo. Isso é.

sexta-feira, novembro 04, 2011

Avaliação do crescimento fetal

Mais uma etapa dos inúmeros exames que a gravidez obriga, superada.
O nosso bebé R. está a crescer lindamente. Está bem nutrido, gordinho q.b. e com tudo no sítio, como sempre se deseja. São já 920 g de gente !
Parâmetros novamente revistos, medidas e percentis calculados. Tudo bem.
É uma emoção sentir cada pontapé dele. É maravilhoso espreitá-lo no ecrã. Vê-lo abrir e fechar a boca, a chupar a mãozinha e fazer malabarismos fantásticos.
O meu coração transborda de alegria e felicidade. E, se por um lado, quero desfrutar do estado de graça, por outro anseio conhece-lo e aconchegá-lo nos meus bracinhos.  Como sei que terei tempo para isso, e que mais uma vez o tempo voará, só desejo que venha com calma, devagar. Que aproveite os doces do Natal, na barriga da mãe, e que deixe o pico do Inverno ir embora. Venha, nos últimos dias de Janeiro ou nos primeiros de Fevereiro, que terá tudo prontinho para o receber melhor.


Por algum motivo, o JP receia muito que o mano não esteja bem. Quando vê algum menino doente, deficiente ou amputado na televisão, fala preocupado para a minha barriga. Eu sempre lhe digo que está tudo bem com o mano. Que não se preocupe. E se não estivesse, (ou deixar de vir a estar), cá estamos para amá-lo, de qualquer maneira. Ele fica aliviado….
Ficou de repente, o típico "mano responsável" e protetor.
Para o R. é só meiguices e miminhos.
Para nós está um autêntico pirralho desafiador.
Falta menos de 1 mês para fazer 7 anos.
O amor de mãe multiplica-se cada dia para cuidar dos meus dois tesouros.

segunda-feira, outubro 31, 2011

Paz

É o estado de espirito que mais cultivo por estes dias. 
O R. agradece. 
Tento mandar toda e qualquer ansiedade para longe de mim. Não só porque estou em estado de graça, mas porque é o melhor para a minha saúde e ânimo.

Na escola, o JP está encaminhado. Já tem manuais escolares acessíveis. Só a Porto editora não mandou. 
Teria sido mais fácil se tivesse mandado. Assim, resta à mamã Grilinha ter o trabalho monumental de construir novo manual de Português para ser acessível através do computador. Mas nada há-de faltar ao meu menino.
As condições na escola são as minimamente pretendidas. Não tem acompanhamento para as atividades de enriquecimento curricular, mas, na verdade, este ano ainda fica muito estoirado após o almoço e por isso não vou insistir para que fique  para estas atividades, que começam pelas 15.30 h.
De resto, o JP tem sido apoiado e acarinhado. 
Apesar de não o demonstrar tanto na escola, tem aprendido imenso. Constrói frases muito mais complexas, Gosta de escolher sempre as do seu interesse. As palavras que não lhe despertam interesse tem muito maior dificuldade em fixá-las.

Nas terapias corre tudo normal. Trabalha com afinco.
Não tenho experimentado novas atividades nem "terapias", mas estou sempre atenta. Não desisti de lutar por melhor qualidade de vida do JP. Fico atenta e expectante ao que por aí existe. 
Mas sem tantas esperanças como antes. 
Se estou a entrar na fase de aceitação? É provável. Mas isso não significa que desistimos. Lutamos todos os dias com o que temos ao nosso alcance para uma melhor qualidade de vida. 

Desânimo apenas a nível profissional. Não prevejo futuro neste país na próxima década. 
Eu gostava muito do que fazia. 

E sinto que me tiraram o tapete debaixo dos pés. Sinto muito potencial e vontade de abraçar novos projetos, mas nada me parece tão promissor assim, nesta conjetura. Resta-me tentar ter alguma calma e esperar algum tempo mais para depois avançar com toda a garra. Mas não é fácil ter essa sabedoria...e conseguir ficar tranquila. No entanto acredito que nada acabou por aqui. 

De qualquer forma, esperar é o que me resta. Ficar Zen, aproveitar a gravidez. Desejar todos os dias com muita força que o R. venha com calma e com saúde . O mano está em pulgas para o conhecer. Dá infinitos beijinhos na minha barriga e sinto-me feliz. 
A felicidade é um conjunto de pequenos momentos bons. E depende muito de sabermos valorizar e agradecer o que temos. E eu agradeço muito a minha família que tem sido a base da minha força. 
Agradeço o menino alegre que Deus me deu. Agradeço o maridão que tem estado sempre ao meu lado. Agradeço que a gravidez esteja a correr bem, apesar da idade e de tantos esforços inevitáveis que tenho de fazer…
E agradeço pelo bebé que aí vem, que vai com certeza ser muito amado por todos.
Uma amiga aqui do blogue disse: " a vida não parou para chorar connosco e por isso ela segue em frente". 
É mesmo, minha querida.
A vida continua.

quarta-feira, outubro 26, 2011

As manhãs

O nosso acordar tem sido todos os dias muito parecido. E até mais pacífico do que há 2 ou 3 anos atrás, em alturas que o JP não percebia muito bem que não havia tempo para brincar e o importante era "despachar".
Um dia vou ter muitas saudades destas manhãs agitadas.
Mas neste momento sinto uma ambiguidade de sentimentos.
O JP acorda muito bem disposto. Quer logo um pouco de conversa. Pergunta, sem falta, pelo maninho (tem havido alguma ansiedade dele em saber o mano bem).

Depois, ao pequeno almoço, lá brinca um pouco com o seu volante e finge que vai na fila do trânsito que vê na televisão. Também reclama se vê que vai chover.
Segue-se o duche que adora e na hora de vestir, é muito infantil e passa o tempo a brincar. Faz coisas para me arreliar e dá gargalhadas quando consegue.
É tanta a brincadeira que me empata e cansa muito. Ele delira. E sempre foi assim...uma criança que adora divertir-se a qualquer hora do dia e com uma energia esgotante. Parece mentira, mas é verdade.
Enquanto o penteio, faço-lhe as recomendações para que se porte bem na escola, tenha atenção, respeite a professora e aprenda. É que na escola a brincadeira tem continuado...o miúdo quer é rir e fazer rir.
As recomendações não têm surtido tanto efeito como eu gostaria, mas mantenho-as e tenho esperança.

Depois quando entra no autocarro que o leva à escola,  eu suspiro de alívio.
Parece que acabou de passar por aqui um tornado.
Não quero imaginar quando forem "duas pestinhas".

É que tanta alegria de manhã...cansa.
Jesus.
Estou mesmo velhota.   ;)

segunda-feira, outubro 24, 2011

38 anos muito ricos

Como o tempo passa rápido ! Hoje, 38 !!!
Não foi há muito tempo que eu olhava para gente nos finais dos 30 e princípios dos 40´s como se tivesse longe, longe...e afinal também cá cheguei. Num instante.
Mas nada disso interessa. ESTOU CÁ e estou mesmo feliz de cá estar. 
A vida é um mistério e um bem precioso.
Foi ainda há 2 anos, estava com 35 anos e  tive o maior susto e uma das piores notícias da minha vida.
Seguiu-se a cirurgia, tempos de recuperação, mais complicações e surpresas, grandes mudanças na minha vida.
E numa altura que deveria abençoar cada dia passado junto a quem eu amava, só me apetecia ir embora, desaparecer e deixar tudo para trás.  Só o meu filhote e o papá-grilinho me prendiam cá. 
De resto sentia-me inútil e revoltada por tudo o que me tinha acontecido.
Andei triste, como nunca tinha estado. Uma tristeza sem fim e sem justificação, pois o mal que me tinha abalado, parecia ter ficado resolvido, muito embora fizesse controlos constantes. Devia enaltecer a vida e afinal nem sequer lhe dava o devido valor.

O tempo passou, demorou bem um ano (ou mais), mas curei-me da tristeza. 
Hoje estou aqui. Faço hoje 38 anos e estou com confiança no futuro. 
Não estamos em altura de "abundância". Passamos por uma fase difícil do nosso país. 
Mas é mais uma fase. Temos de reagir e ultrapassá-la. 
Porque o que vem a seguir, normalmente, tem um gosto ainda melhor. 
E fico contente de conseguir ver as coisas assim.
Let´s celebrate !!!