Não me lembro de outro ano tão intenso na blogosfera como 2005/2006. Os blogues eram ainda um pouco novidade. E andava toda a gente a aderir.
Eu lia alguns babyblogues. E o JP entretanto nasceu.
Os primeiros meses foram muito absorventes. Um ano depois, numa busca acerca de tratamentos nos estados unidos (therasuit), conheci uma amiga, pela internet, cujo filho tinha, também, paralisia cerebral. Foi a primeira pessoa com quem falei, na minha situação e foi fantástico perceber que falávamos a mesma linguagem.
Ela tinha um blogue onde postava os bolos que vendia e, para eu comentar, precisei de aderir ao Blogger.
Foi em Março de 2006. Incrivelmente, já fez 6 anos.
Quando contei ao meu marido (já blogger há 2 anos), ele disse-me para começar a escrever sobre a minha experiência com o JP, já que me queixava que os blogues eram todos cor-de-rosa. Fiquei a pensar que ele tinha razão. Mas se havia pessoas que sabiam dar força e carinho, também havia quem me conseguisse irritar. Era frequente ver comentários sobre o meu blogue do género " fiquei com tanta pena e tão chocada que nem consigo comentar" ou "ainda bem que não foi a mim que me aconteceu isto". Não é simpático, mas como em tudo, absorvi a força positiva e mandei a negativa para trás das costas. Cheguei a ter 300 visitas por dia e mais de 30 comentários por post. E através desses comentários conheci outros blogues do mesmo género que, avidamente, busquei.
Semana, após semana, comecei a receber mails de mães como eu. Com muitas fiz alguma espécie de amizade. Com outras fiz amizades, mesmo fortes, que duram até hoje. E algumas das mães nem sequer eram "especiais".
E percebi que, de alguma maneira, dava-lhes alguma força ou sensação de não estarem sós. E isso dava-me motivação para escrever.
Aos poucos iniciaram também blogues (ou retomavam-nos) e contavam também a sua experiência e percebi que, não só tinham imensa força (bem mais do que eu), como também inspiravam-me. Os heróis eram os seus filhos que, facilmente, encantavam-me.
Não estava, definitivamente, sozinha. Num instante, já nem sequer era das poucas bloggers diferentes. Era só mais uma. E essa foi uma das melhores sensações que tive.
A blogosfera ficou mais rica de experiências. De pais e mães que mostram as forças e fraquezas. Gente que ensina-nos, partilha e mostra-nos que o mundo real é bem mais interessante e menos fútil.
6 anos depois, sei que a maioria das pessoas que me vêm ler, conhece ou conheceu o JP e quer saber como estão as coisas. Algumas poderão estar, diretamente, implicadas nas minhas histórias e receio sempre a confusão das palavras…
Um dia percebi que quando contava todas as terapias que fazia com o JP, dava a sensação aos pais de que ele faziam pouco com os deles (muitas vezes por falta de recursos económicos) e também acabei por me retrair.
Ultimamente penso muito no dia em que o JP (que já pesquisa na net), venha a ler estas palavras. E dou por mim a ponderar o que escrevo.
Não sei qual o futuro deste espaço. Como sempre, continuo a viver um dia de cada vez.
Mas gosto muito de ir registando, aqui, alguns dos meus pensamentos. De mostrar o nosso caminho.
Não é definitivamente um caminho tranquilo. Tudo seria muito mais fácil se fosse tudo normal.
Mas não foi e ainda tenho dias em que me doí tudo cá por dentro…
Este blogue é sobre uma família, muito amor, as suas dificuldades, alegrias, revoltas e vitórias e sobre o nosso caminho. À nossa caminhada juntaram-se imensas pessoas que trazemos no nosso coração.